— Sem sono, dormi à tarde. — Bianca balançou a cabeça, ainda de olhos fechados desfrutando da massagem. — Ficar assim por um tempo está ótimo.
Os dois não disseram mais nada.
A massagem de Marcelo passou das têmporas para a testa, e ele também penteou os cabelos dela suavemente com os dedos.
Na manhã seguinte, o sol brilhava.
Bianca estava encostada na cabeceira, enquanto Marcelo descascava uma maçã para ela. A casca se formava em uma longa tira contínua e uniforme em suas mãos.
Renato enfiou metade do corpo no quarto, com um sorriso brincalhão no rosto.
— Opa, parece que vim em má hora e atrapalhei o Senhor Marcelo servindo a esposa? — Ele elevou o tom de voz e entrou, carregando uma cesta de frutas nas mãos.
Marcelo ergueu o olhar de relance e os movimentos de sua mão não pararam: — Agora é horário de trabalho, o que faz aqui?
— E o Senhor Marcelo não sabe por que tenho que trabalhar? — Renato pôs a cesta na mesa e puxou uma cadeira para se sentar na beirada da cama. Ele cruzou as pernas e passou o olhar pelo rosto de Bianca. — Cunhada, você está com a cara muito melhor! Depois de escapar da morte, a sorte vai chegar com certeza!
— Obrigada, senhor Renato, e sinto muito pelo trabalho que teve cuidando da empresa no lugar do Marcelo. — Bianca sorriu. Ela lembrava de Renato, amigo de Marcelo. Embora o contato fosse pouco, a impressão que tinha era de uma personalidade despojada e livre.
— Não deu trabalho, mas minha vida é dura. — Renato desfez a expressão feliz na hora e começou a reclamar.
— Marcelo, volte correndo para a empresa agora. Uma pilha de documentos enorme está me sufocando e minha cabeça dói de tanta reunião... Não quero nem saber, hoje eu vim abandonar o cargo. Não dá para ficar no seu lugar nem mais um dia!
Marcelo cortou a maçã descascada em pedaços, espetou palitos e entregou a Bianca, antes de olhar para Renato sem pressa: — Fique lá mais uns dias, espere o quadro dela ficar um pouco mais estável.
— Mais uns dias?! — Renato gemeu alto. — Uns dias e mais uns dias, uns dias de novo. Eu não aguento mais nenhum dia.
Ele estava falando com empolgação quando bateram à porta do quarto de novo.
— Entre. — Marcelo disse.
A Dra. Elisa, de jaleco branco, estetoscópio no pescoço e segurando a prancheta de prontuários, entrou acompanhada de um médico residente.

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