Havia fotos dela e de Marcelo no portão da Universidade de São João, os dois de pé, lado a lado, com sorrisos sutis e os ombros encostados.
Havia fotos na biblioteca, onde ela fotografara secretamente o perfil dele de cabeça baixa lendo.
Também havia muitos registros cotidianos e triviais...
Bianca sabia que as cenas nas fotos haviam acontecido e podia sentir vagamente a emoção daquele momento, mas os detalhes específicos, os diálogos e a atmosfera eram como sombras e ela não conseguia capturá-los.
Essa sensação não era agradável, era como ter um tesouro, mas não lembrar de onde ele veio nem como era tocá-lo.
Ela olhava tão concentrada que franziu a testa sem perceber, e seus dedos apertaram a borda do celular inconscientemente.
Marcelo esteve no sofá ao lado lendo e-mails, mas o seu olhar caía sobre ela de tempos em tempos.
Ele a viu passar da novidade e animação iniciais ao pegar o celular para um estado de calma, franzindo cada vez mais as sobrancelhas em seguida.
Ele olhou a hora. Desde que Bianca pegou o aparelho para usar, já tinham se passado quase quarenta minutos.
No dia anterior, o médico ainda recomendara especialmente que, no início da recuperação, ela evitasse forçar a vista por muito tempo e usar muito a cabeça.
Marcelo se levantou e foi até a beira da cama.
— Bianca. — Ele chamou-a sussurrando.
Bianca estava perdida em pensamentos olhando para uma foto.
Ao ouvir a voz, ela ergueu a cabeça. O olhar ainda estava um pouco vago: — Hum?
— Me dê o celular. — Marcelo estendeu a mão com a palma para cima, em tom ameno, mas que não aceitava recusa.
Bianca se assustou e trouxe o celular instintivamente para perto de si: — Vou olhar só mais um pouco...
— Você já está olhando faz quase quarenta minutos. — Marcelo não recolheu a mão, apenas olhou para ela, com o olhar calmo. — A Dra. Elisa disse que agora você precisa descansar mais e usar menos os olhos, e principalmente não pode ficar olhando para a tela por muito tempo ou se esforçando demais para lembrar, pois dá dor de cabeça fácil.
— Não estou com dor de cabeça. — Bianca se defendeu, mas a voz saiu sem convicção, pois na verdade ela sentia as têmporas latejarem de leve. Ela tinha se concentrado muito tentando desenterrar memórias das fotos.
Ela queria demais recuperar aquelas lembranças.
— Quando doer, já será tarde. — Marcelo se curvou um pouco para ficar na mesma altura da visão dela. A voz ficou ainda mais suave, com tom persuasivo.
— Seja obediente. Dê o celular para mim, descanse os olhos um pouco e relaxe a cabeça também. O lance da memória não tem pressa, nós vamos devagar.

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