— É Ano Novo, não consegui comprar passagem de avião de volta na hora, nem passagem de trem-bala ou trem normal, fiquei morrendo de pressa.
Naquela hora, Sheila estava com tanta pressa que queria pular no mar e nadar até São João.
Bianca olhou para os olhos vermelhos e o aspecto cansado da amiga, sentindo o coração quente e apertado.
Ela estendeu a mão e puxou a manga de Sheila: — Não chore, eu já estou bem. Olha, eu não estou ótima? Sente-se logo.
Marcelo pegou uma cadeira em silêncio e colocou ao lado da cama, serviu um copo de água morna e deixou no criado-mudo, recuando em seguida para perto da janela do quarto para dar espaço às amigas que não se viam há tempos.
Sheila queria segurar a mão de Bianca, mas ficou com medo de encostar no acesso intravenoso nas costas da mão dela. No fim, apenas cobriu a mão dela de leve. — A cabeça ainda está enfaixada, e seu rosto está tão pálido... O que o médico disse? É grave? Vai ter sequelas?
Ela fez perguntas em sequência, encarando Bianca sem piscar.
Bianca respondeu pacientemente a cada uma: — Estou bem mesmo, só bati a cabeça e formou um coágulo, que agora está sendo absorvido. Tenho algumas sequelas leves de concussão, fico tonta de vez em quando e minha memória não está muito boa, não consigo me lembrar de muitas coisas. Mas o médico disse que vou me recuperar aos poucos. Os outros ferimentos são superficiais, é só descansar que sara.
— Concussão? — O coração de Sheila voltou a acelerar. — Então você lembra quando nos conhecemos?
— Lembro, as memórias um pouco mais antigas estão bem claras. — Bianca assentiu, com o olhar meio distante. — Nós nos conhecemos no recrutamento de clubes depois do treinamento militar no primeiro ano, ambas nos inscrevemos na Associação de Caridade. A primeira vez que saímos sozinhas, fomos comer sopa picante na rua de trás da faculdade. Você chorava por causa da pimenta, mas ainda insistia em colocar mais.

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