— Sheila, eu aceito a sua intenção. — Bianca deu uns tapinhas leves nas costas da mão de Sheila, com um tom de riso meio resignado.
— Mas sabe de uma coisa? Hoje de manhã, acabei de convencer meus pais a voltarem para a Capital. Eles, igual a você, queriam ficar de guarda por vinte e quatro horas ao meu lado. Eu disse a eles que já estou bem, para voltarem e cuidarem das próprias vidas, e que, quando eu melhorar, vou visitá-los, ou que eles podem vir a qualquer hora, mas que ficar vigiando aqui só me deixa pressionada.
Ela fez uma pausa, olhando nos olhos de Sheila, e disse séria: — Então, é o mesmo com você. No Ano Novo, você ter corrido para me ver na primeira oportunidade me deixou muito emocionada e feliz. Mas não precisa ficar para me fazer companhia, de verdade.
— O hospital tem médicos e enfermeiras, o Marcelo está aqui, não me falta nada. Vá para sua casa, tome um bom banho quente e durma. Amanhã, ou depois de amanhã, quando você descansar, venha me ver e conversar comigo, que tal?
Sheila ainda não queria ir.
— Além disso — Bianca inclinou a cabeça levemente na direção de Marcelo, abaixando a voz —, se você pedir para ele ir, ele também não vai.
Sheila seguiu o olhar dela e olhou para o homem imponente ao lado da janela. Ela também sabia que Marcelo definitivamente não era do tipo que se deixava convencer.
Nos últimos dias, quando Bianca estava entre a vida e a morte, ele provavelmente se esgotou. Agora que ela acordou e seu estado melhorou, era ainda mais improvável que ele se afastasse um centímetro.
— Está bem, está bem. — Sheila cedeu e suspirou, mas finalmente apareceu um sorriso em seu rosto. — Então cuide-se bem. Venho te ver amanhã e trago coisas gostosas.
— Tudo bem, vou esperar. — Bianca assentiu sorrindo.
Enquanto falavam, bateram à porta do quarto. A Dra. Elisa entrou com um médico residente e uma enfermeira, era a ronda noturna de rotina.
— Senhora Correia, como está se sentindo? A cabeça ainda dói? — A Dra. Elisa caminhou até a beira da cama, com voz suave e profissional.
— Dra. Elisa, muito melhor. A cabeça não está doendo muito, só estou um pouco sem forças. — Bianca respondeu.

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