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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 247

Capítulo 247 — Agora você está livre.

Katlyn Pratt

O trajeto até as colinas de Ramapo foi um borrão asfixiante de dor, poeira e penumbra. Eu me lembrava da coronhada brutal contra a minha têmpora no banco de trás da SUV, do impacto surdo que fez a minha visão se apagar em faíscas antes que eu pudesse alcançar o Bruno com as mãos através do vidro.

Me lembro de acordar com o gosto amargo de ferrugem na boca, sendo arrastada pelos cabelos escada acima naquela casa isolada, enquanto Estevan surtava como um animal encurralado.

Ele gritava sobre a ruína do pai, sobre o império que ruiu, desferindo golpes cegos contra o meu rosto e rasgando o tecido fino da minha blusa no ombro ao me prensar contra a parede de pedra. Ele queria me quebrar até o osso.

Mas nada do que Estevan fez doeu tanto quanto o momento em que a porta explodiu.

Quando Bruno cruzou aquele quarto, sangrando, com os olhos em chamas e sem qualquer colete cobrindo o peito, o ar congelou. O modo como ele se colocou na linha de tiro por mim, abrindo os braços e desafiando o monstro a puxar o gatilho, fez o meu mundo parar.

O som do tiro de raspão no osso, o cheiro de pólvora e a visão daquele homem caindo de joelhos com o ombro destruído por minha causa rasgaram a minha alma em mil pedaços. Eu não pensei em nada quando me atirei sobre o desgraçado e mordi o braço dele; tudo o que importava era salvar o Bruno.

E depois, ali no chão, quando as minhas mãos tentavam inutilmente conter a torrente de sangue que empapava a camisa dele, eu encontrei uma coragem que nem sabia que possuía.

Eu o beijei.

Um beijo molhado de lágrimas, de desespero e de verdade crua. E ele, com aquele sarcasmo protetor que só ele tinha, me prometeu não morrer antes de me ver naquela lingerie vermelha.

Mas agora, o silêncio que se seguiu àquelas palavras era pior do que qualquer tiroteio.

— Bruno? — murmurei, com as mãos ainda cravadas na carne aberta do ombro dele. — Bruno, olha pra mim!

Os olhos dele não se abriram. O braço direito, que segundos antes limpava as minhas lágrimas com tanta ternura, caiu inerte contra o assoalho de madeira com um baque surdo.

A cabeça dele pendeu de lado, pesada, e a respiração forte que ele mantinha se transformou em um sopro fraco, quase imperceptível. A cor de sua pele fugia com uma velocidade aterrorizante, dando lugar a uma palidez cinzenta e gélida.

— Não, não, não… Não faz isso comigo! Bruno, acorda! — entrei em pânico completo, balançando os ombros dele com cuidado desajeitado enquanto o sangue escorregava quente entre os meus dedos trêmulos. — Bruno, por favor!

— DOMINIC! — gritei em puro desespero. — ELE DESMAIOU!! PELO AMOR DE DEUS!!

Dominic avançou dois passos no corredor em um estado de pura cólera e aflição.

— ONDE ESTÁ ESSA PORRA DESSA AMBULÂNCIA?! — ele rugiu com toda a potência dos pulmões, o som ricocheteando pelas vigas de madeira do casarão. — ELE ESTÁ APAGANDO! ANDEM LOGO COM ISSO, CARALHO!

Passos rápidos e pesados subiram os degraus em correria frenética. Dois paramédicos uniformizados invadiram o cômodo carregando mochilas de trauma e uma prancha rígida.

— Afasta, precisamos de espaço! — o primeiro socorrista gritou, ajoelhando-se do lado oposto ao meu e rasgando o restante da camisa do Bruno com uma tesoura.

A equipe que carregava o Bruno desceu a escada em um ritmo frenético. O som dos passos e as ordens médicas ecoavam até desaparecerem no térreo.

Dominic me conduziu pelo corredor devagar, mantendo um braço ao meu redor para que eu não desmoronasse nos degraus. Cada passo que eu dava deixava para trás o cheiro de pólvora e a lembrança vívida do homem que se entregou às balas por mim.

Quando cruzamos a porta principal da varanda, a noite fria e chuvosa de Ramapo bateu contra o meu rosto ardido. Luzes vermelhas e azuis de viaturas giravam pelo cascalho molhado, iluminando a movimentação de dezenas de homens armados.

O helicóptero da polícia sobrevoava ao longe, varrendo a mata com um holofote potente. O som agudo de uma sirene rasgou o ar quando a primeira ambulância arrancou em alta velocidade, levantando pedras e terra enquanto descia a colina como um raio.

O Bruno estava lá dentro. Meu coração parecia ter ido embora junto com aquele veículo.

No mesmo instante, uma SUV preta freou bruscamente a poucos metros de onde estávamos.

As portas se abriram quase antes do carro parar por completo. Tristan e Damien desceram primeiro, os rostos tensos, enquanto Ambrose saltava do banco do passageiro e varria o pátio com os olhos até fixar o olhar em mim.

— Katlyn! — Ozzie gritou e correu na minha direção com passos largos, a expressão desfigurada em puro choque.

No instante que ele parou na minha frente, pulei em seu pescoço chorando em desespero. Ambrose não me afastou, pelo contrário ele me acolheu.

— Acabou, querida. Agora você está livre. Você está livre.

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