Capítulo 245 — Linha de Fogo
Bruno Coletti
Eu mantinha o volante tão prensado contra a palma das minhas mãos que as articulações dos dedos doíam, brancas pela tensão.
Ao meu lado, no banco do passageiro, o Dom operava o rádio com uma mão e conferia os mapas no painel com a outra. O olhar do meu chefe era o mesmo que vi em operações de alto escalão: frio, calculista, mas com aquela chama perigosa de quem tem a própria família no raio de alcance do perigo.
— Aqui é Costello — Dominic falou ao microfone, a voz firme. — Aproximação pelo flanco oeste. Desliguem os sinais sonoros e luminosos assim que cruzarem a ponte de acesso às colinas. Snake já colocou homens na retaguarda da mata para fechar a saída pelos fundos da serra. Quero a casa completamente isolada em três minutos.
A resposta veio em estática limpa.
— Ciente, chefe. Em posição de avanço.
Olhei pelo retrovisor lateral e vi o carro do Juan emparelhado poucos metros atrás, com o Chris na direção. Snake não operava sob os manuais do Departamento de Justiça; ele operava sob a sua própria lei.
Antes de sairmos da garagem ele deixou bem claro que, independentemente do que o FBI fizesse com os processos federais, o império político dos Vance seria estraçalhado até a raiz.
Mas nada daquilo acalmava o inferno que queimava dentro do meu peito. A imagem da Katlyn me olhando pelo vidro traseiro da SUV, com as lágrimas escorrendo pelo rosto pálido e os lábios formando aquele pedido silencioso de perdão, passava em um ciclo interminável na minha cabeça.
Ela se entregou por mim. Ela olhou para a arma colada na minha têmpora e escolheu voltar para as garras do monstro que quase tirou a vida dela só para me manter respirando.
Essa conta não ia ficar aberta.
— Bruno — a voz de Dominic quebrou o silêncio pesado da cabine, mais grave do que o normal. Ele raramente me chamava assim, só nos momentos em que ele queria mais do que a minha atenção.
Virei os olhos para ele por uma fração de segundo antes de voltar a focar na estrada sinuosa.
— Fala, chefe.
Ele estendeu o braço para o banco traseiro, puxou o colete e jogou sobre o meu colo.
— Veste essa porra. Agora.
Olhei para a peça preta com a inscrição amarela do FBI e empurrei de volta para o meio dos bancos sem pestanejar.
— Não vou vestir.
Dominic travou o maxilar, os olhos faiscando de irritação.
— Você perdeu a porra do juízo, Coletti?! Você já levou uma coronhada na cabeça que abriu um rasgo no seu couro cabeludo, está perdendo sangue e vai invadir uma propriedade rural com mercenários armados de peito aberto?! Bota o colete! É uma ordem direta!
— Eu não preciso de peso extra tirando a minha mobilidade — respondi com uma frieza cortante. — A casa tem corredores estreitos e estrutura de madeira antiga. Se eu precisar me mover rápido para tirar a Katlyn da linha de tiro, cada meio segundo conta. Eu não vou entrar pesado lá dentro.
— Você está agindo com o fígado! — Dominic rebateu, a voz subindo de tom enquanto o carro devorava a última curva antes da estrada de terra batida. — Você é o meu melhor homem de campo, porra! Não é um garoto inconsequente querendo provar que é imortal. A Taylor me fez jurar que traria você e a garota inteiros de volta para Hoboken. Se você levar um tiro no peito por pura teimosia, eu mesmo te mato depois!
— Com todo o respeito, chefe… guarda a sua preocupação para quando ela estiver em segurança — cortei o assunto, pisando fundo no acelerador e fazendo os pneus cantarem. — Eu não vou morrer hoje. Mas o desgraçado que colocou as mãos nela não vai sair daquela colina andando.
Dominic soltou um “maldição” entre os dentes, jogando o colete para trás ao perceber que nenhuma ordem mudaria a minha decisão. Ele conhecia o meu olhar. Sabia que, a partir daquele ponto, qualquer protocolo tinha sido engolido pelo dever mais primitivo de um homem de proteger a mulher que escolheu.
Entramos na propriedade por uma trilha secundária aberta no meio dos pinheiros densos. Desliguei os faróis principais, mantendo apenas as luzes de posição para não denunciar o avanço no aclive da colina.
A propriedade dos Vance surgiu no topo: um casarão rústico de dois pavimentos, erguido em pedra escura e vigas de carvalho maciço, cercado por uma varanda ampla e mata fechada em quase trezentos e sessenta graus.
O carro da fuga estava atravessado no cascalho em frente à entrada principal, com a porta do motorista escancarada e o motor ainda estalando pelo calor do trajeto em alta velocidade.
Parei nosso carro atrás de um barranco natural de terra e pedras. Dominic puxou a trava da pistola, checou a câmara e abriu a porta em silêncio. Saltei no mesmo segundo, a ferida na lateral da minha cabeça latejava com uma pontada aguda, mas a adrenalina que corria nas minhas veias funcionava como anestésico puro.
Gael e Chris desembarcaram dos carros com outros dois colegas federais. Juan se posicionou com dois homens de confiança na orla da vegetação à nossa direita, apontando com gestos manuais precisos para indicar a posição dos sentinelas da propriedade.
— Dois alvos na varanda frontal — Gael sussurrou pela escuta. — Mais um circulando pela lateral da garagem. Todos portando pistolas semiautomáticas.
— Snake cuida dos homens da lateral — Dominic instruiu em tom baixo, encostado na vegetação. — Nós fazemos a entrada dinâmica pela varanda assim que eles forem neutralizados. Coletti, você cobre a minha esquerda. Gayer, você e o Lawson garantem que ninguém saia pelas janelas do térreo. Entendido?
— Entendido — respondi, puxando o ferrolho da minha Glock com um movimento mecânico e firme.
O silêncio da mata foi quebrado apenas pelo sussurro do vento nas copas das árvores.
De repente, dois estalos secos e abafados cortaram o ar. Os atiradores do Snake dispararam. Os dois seguranças que guardavam a varanda tombaram sobre as tábuas de madeira antes mesmo de compreenderem de onde vinha o ataque.
— AVANÇAR! — Dominic comandou.
Disparei na frente, cortando o cascalho com passos largos e silenciosos. Subi os degraus da varanda em dois saltos, contornando os corpos caídos sem desviar o foco da porta de entrada. Chutei a fechadura de latão com toda a força do meu corpo.
A madeira cedeu com um estalo ensurdecedor, escancarando o hall de entrada em penumbra.
— FBI! LARGUEM AS ARMAS! — a minha voz ecoou como um trovão pelas paredes de pedra da casa.
Com o braço esquerdo em volta do pescoço da Katlyn, ele a mantinha estrangulada contra o próprio peito. E com a mão direita trêmula, mas firme o suficiente para causar um estrago irreversível, Estevan pressionava o cano de ferro de um revólver diretamente contra a têmpora machucada dela.
A força com que ele colava o cano na pele da Katlyn fazia a cabeça dela pender de lado, e a respiração da garota saía em soluços curtos, entrecortados e desesperados.
— LARGA ESSA ARMA, VANCE! — Dominic berrou ao meu lado, a voz potente preenchendo o quarto como uma trovoada. — Abaixa essa porra agora! A casa está cercada, você não tem saída!
Estevan soltou uma risada rascante, desequilibrada e doentia, puxando o cão do revólver com o polegar. O estalo metálico no silêncio do quarto soou como o anúncio do fim do mundo.
Os olhos da Katlyn se moveram devagar, cruzando o espaço até encontrarem os meus. No mesmo instante em que ela me viu parado ali, sangrando, com a arma erguida e o peito subindo e descendo em desespero, um tremor violento sacudiu o corpo dela.
O olhar dela não era de cobrança; era de pura dor por me ver naquele estado por causa dela.
Estevan apertou ainda mais o cano contra a têmpora da mulher que eu estava disposto a queimar o mundo para salvar, colando a boca suja no ouvido dela antes de cravar os olhos ensandecidos diretamente nos meus:
— Dê mais um passo, federal de merda… — Estevan sibilou, a baba escorrendo pelo canto dos lábios trêmulos. — Dê mais um único passo e veja os miolos desse passarinho pintarem essa parede inteira antes de você sequer piscar!
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Olá, meninas! ❤️
Vou só reforçar o que já respondi em particular para algumas de vocês.
Fiquei dois dias sem postar, mas quem me acompanha aqui nas plataformas há mais de um ano sabe que, quando isso acontece, é porque tive meus motivos.
Eu sempre procuro justificar meus atrasos, pedir desculpas e agradecer por vocês continuarem aqui. Dessa vez, porém, preferi não entrar em detalhes, porque algumas das minhas justificativas acabaram sendo interpretadas de uma forma que não era a minha intenção.
Escrevo por amor, me dedico ao máximo e, justamente por isso, às vezes também preciso respeitar meus próprios limites. Existe uma diferença entre explicar o que aconteceu e tentar me fazer de vítima, e eu nunca quis que minhas palavras fossem entendidas dessa maneira.
Quero reforçar que não me incomodo com vocês cobrarem capítulos. Pelo contrário! Isso mostra o carinho que vocês têm pela história, e saber que estão ansiosas para ler me alegra imensamente. ❤️
Só peço que, quando eu precisar de um tempinho, tenham um pouquinho de compreensão. Antes de ser autora, sou um ser humano, com sentimentos e limitações, assim como todas vocês.
Agradeço de coração pelo carinho, pela paciência e por continuarem acompanhando essa história. Vocês são muito especiais para mim. ❤️
Deus abençoe cada uma de vocês. Meu plano permanece: entramos no último arco da história, e ela será encerrada em breve.
Um beijo em cada uma de vocês. Fiquem com Deus! ❤️

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar