Capítulo 235 — Ciclo encerrado.
Ambrose Blair
Mike tentou engrossar a voz, dando um passo para trás e levando a mão direita em direção ao coldre na cintura.
— Vocês estão loucos?! Eu sou policial! Afastem-se do meu carro agora ou eu…
Ele nem teve tempo de terminar a frase.
Chris se moveu com a velocidade de uma sombra. Em dois passos largos, ele avançou pela lateral, segurou o braço armado do Mike, torceu o pulso do homem para baixo em uma chave estalante e arrancou a pistola do coldre dele com uma facilidade humilhante.
Antes que Mike pudesse gritar de dor, Chris empurrou a arma descarregada para dentro da lixeira de ferro e desferiu uma joelhada violenta no estômago do desgraçado.
Mike dobrou o corpo para a frente, perdendo todo o ar dos pulmões com um som engasgado.
Me aproximei com passos lentos, a fúria rugindo nas minhas veias.
Agarrei a gola da jaqueta dele com as duas mãos, ergui o desgraçado do chão e o prensei com força brutal contra a parede de tijolos ásperos. O impacto da cabeça dele contra a alvenaria ecoou pelo beco.
— Seu maldito, quem é você? — ele balbuciou, tentando puxar o ar, os olhos esbugalhados de terror.
— Tem certeza de que não sabe quem sou eu? — o choque do reconhecimento o atingiu.
— Ambrose… Blair… — ele se esforçou para falar. — Você… você está ferrado… Eu vou te prender…
Apertei o antebraço contra a garganta dele, cortando a fala e o oxigênio.
— Cala a sua boca imunda antes que eu quebre cada dente que sobrou dessa sua boca imunda seu covarde do caralho! — rosnei a poucos centímetros do rosto dele, sentindo o tremor patético do corpo do infeliz. — Você achou mesmo que podia mandar a mãe da Fernanda invadir a casa onde a minha mulher está protegida?! Achou que podia ligar ameaçando ela?! Que podia prometer passar por cima de quem estivesse na sua frente?!
— Ela… ela é minha… — ele tentou murmurar, as mãos fracas tentando afrouxar a minha pegada.
Desferi um soco seco e pesado na boca do estômago dele. Mike gemeu alto, os joelhos cedendo, mas mantive o corpo dele erguido pelo colarinho, os meus olhos cravados nos dele com todo o ódio que guardei desde o primeiro dia que o vi no casamento do Eli.
— A Fernanda NUNCA MAIS vai ouvir a porra da sua voz! Ela é a minha noiva, ela vai ser a minha esposa e a mãe dos meus filhos! Você não é homem, Mike… Você é um verme que só tinha coragem de levantar a mão para uma mulher indefesa trancada em quatro paredes! Mas agora você está lidando comigo!
Ouvimos passos apressados, eu me virei mais não soltei o maldito.
— Mike?! — um homem se aproximou, mas Chris o impediu apontando a arma pra ele.
— Assunto particular, e se você for esperto… — meu amigo deu um passo na direção do homem. — Vai vazar agora!!
Ele olhou pra mim, pro Chris e os olhos dele pararam no Juan.
— Senhor Rivera?! — Snake deu um sorriso, mexeu no punho da camisa com uma calma desconcertante.
— Fã? Ou inimigo? — o cara começou a balançar a cabeça freneticamente sem desviar os olhos do Juan.
— Senhor… eu… eu não sou seu inimigo não, por favor. Eu… já tô indo.
— Entendi… Eu entendi! Agora me solta! Por favor me solta!! — Mike implorou em um sussurro choroso, o suor frio escorrendo pela testa. — Eu nunca mais chego perto dela… Eu juro por Deus!
Soltei o colarinho dele de uma vez. O corpo do maldito desabou de joelhos no chão imundo do beco, tossindo e arfando feito um animal derrotado.
Sem aviso, Chris deu um chute na barriga dele. Mike gemeu de dor, meu amigo olhou para o homem no chão com desprezo.
— Patético. Homem que b**e em mulher não aguenta dois minutos de pressão de verdade.
Snake abaixou ao lado do Mike, que se encolheu.
— Espero que você seja um bom garoto agora. — Snake deu dois tapinhas no rosto do cretino. — Mande lembranças ao seu tio em meu nome, e não esquece. — Juan abaixou a voz. — Se você ousar ir atrás da noiva do meu amigo novamente, eu te caço até no inferno.
Snake levantou, Mike se encolheu no chão.
— Vamos embora — falei, dando uma última olhada no cretino covarde jogado na calçada. — O recado foi dado, e somente um homem morto para ultrapassar os limites.
Dei as costas e seguimos os três para o carro do Snake. Assim que entramos, fechei os olhos e soltei o ar. A sensação de tirar aquele peso sufocante dos ombros da Fernanda me encheu o peito de paz.
O passado estava enterrado. Aquele ciclo da minha mulher de dor e medo tinha finalmente acabado.
— Um cretino já foi. — Snake disse segurando o volante antes de me encarar e concluir.
— Agora vamos ir atrás do outro.

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