Entrar Via

O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 214

Capítulo 214 — O Castelo de Cartas

Verônica Ortega

Jogar cada palavra daquela confissão na cara da Izabel tinha sido a sensação mais revigorante e libertadora da minha vida.

Ver o desespero cru, o horror e a impotência estampados nas feições enrugadas daquela mulher enquanto eu detalhava o terror psicológico que impus à Clara, a sabotagem cirúrgica dos freios e o som inebriante da colisão fatal no asfalto lavou a minha alma.

Eu já havia decidido que a velha não sairia viva daquela mansão no instante exato em que ela cruzou o batente da minha porta; a morte dela era uma necessidade óbvia de contenção de danos. Só não imaginei que o Dylan agiria com tanta rapidez e frieza ao disparar aquele tiro certeiro com o silenciador.

Eu estava saboreando o gosto doce e inebriante da minha vitória absoluta enquanto via o sangue espesso escorrer pelo tapete.

Mas aí a velha abriu a boca antes de morrer.

As últimas palavras sibiladas por aquela desgraçada, revelando que a porra do celular estava caído no chão com uma chamada em curso, caíram como uma marreta de aço sobre a minha cabeça.

Quando o Dylan se abaixou em um salto desesperado, recolheu o aparelho e confirmou o tempo da ligação ativa, à realidade me atingiu com a violência de um trem em alta velocidade.

— PUTA QUE PARIU!! PUTA QUE PARIU, VERÔNICA!! — Dylan urrou, a respiração entrecortada, os olhos esbugalhados girando nas órbitas em pânico absoluto. — O CARA OUVIU CADA PALAVRA SUA!! ELE OUVIU VOCÊ CONFESSANDO A SABOTAGEM, O ASSASSINATO DO SEGURANÇA E O DA CLARA!! É O XEQUE-MATE QUE ELES PRECISAVAM!!

Dei um passo para trás, sentindo um calor nauseante queimar na minha garganta, mas forcei a minha postura a se manter ereta.

— Dylan, cala a boca e se acalma agora mesmo! — ordenei em tom ríspido, tentando conter o tremor que começava a subir pelas minhas mãos. — Nós vamos resolver isso como sempre resolvemos qualquer obstáculo!

Meu assistente avançou dois passos na minha direção, o rosto vermelho de pura fúria e veias saltadas no pescoço.

— ME ACALMAR, SUA MALDITA?! — ele cuspiu as palavras a poucos centímetros do meu rosto, completamente descontrolado. — A PIOR COISA QUE EU FIZ EM TODA A MINHA VIDA FOI ME VINCULAR A UMA PSICOPATA COMO VOCÊ!! NÓS ESTAMOS COMPLETAMENTE FODIDOS!!

— BAIXA O TOM DE VOZ COMIGO, SEU INSETO!! — esbravejei de volta, o ódio faiscando nos meus olhos. — Você me deve respeito e lealdade até o fim! Olha para essa sala! A Izabel está morta no chão, não há testemunhas vivas dentro desta casa! Usa essa sua cabeça inútil e me ajuda a pensar em uma saída agora!!

Dylan soltou uma risada histérica, passando as mãos trêmulas pelos cabelos.

— Pensar em quê, Verônica?! Não existe mais saída para essa merda!! Você fez um monólogo completo de vilã na linha de um telefone aberto!! Se o sujeito gravou o áudio da chamada, e com o caminhão de provas que o pessoal do Dominic Costello já reuniu das perícias e da namorada do segurança, nós dois estamos acabados! A polícia federal vai cercar este quarteirão em questão de minutos!!

— Ninguém vai cercar nada!! — rebati em tom desafiador, me recusando veementemente a aceitar que o meu império estava ruindo. — Eu sou uma Ortega! Eu tenho os melhores advogados dos Estados Unidos e conexões com senadores e juízes da suprema corte! Nós vamos alegar que essa ligação foi manipulada digitalmente, que foi criada por inteligência artificial ou fruto de coerção ilícita! Esse tal de Frank nem sequer deve ter recursos para gravar chamadas de emergência em tempo real.

Antes que eu pudesse terminar o meu raciocínio, Dylan perdeu o resto de respeito que ainda restava.

O silêncio que se instalou em seguida foi aterrorizante.

Olhei para o centro do cômodo: o corpo inerte da Izabel jazia estendido sobre a poça vermelha que manchava o tapete persa, os olhos vidrados encarando o nada, com o sangue ainda quente escorrendo pelas frestas do piso de madeira nobre. O ar cheirava a pólvora e morte.

O pânico começou a fechar a minha traqueia. Pela primeira vez na vida, senti o chão desaparecer sob os meus pés. A imagem das grades de uma penitenciária de segurança máxima, o deboche da Emma Anderson e o desprezo nos olhos azuis do Damien Knight me sufocavam como veneno puro.

De repente, o som pesado de passos firmes e autoritários ecoou pelo corredor do andar superior.

A maçaneta do escritório girou lentamente e a porta se abriu.

Ergui os olhos em um sobressalto e em deparei com a silhueta alta, imponente e austera do meu tio, o patriarca da família Ortega. Ele parou sob o batente, os olhos escuros e severos absorvendo o cenário de destruição: a mesa revirada, o cadáver no chão banhado em sangue e a minha figura desgrenhada e trêmula no centro da sala.

Não pensei em orgulho, não pensei em linhagem e não pensei em manter aparências.

Avancei até ele em passos trôpegos, agarrando as lapelas do seu terno caro com as mãos trêmulas e implorando do fundo da minha alma:

— O senhor precisa me ajudar… TIO, O SENHOR PRECISA ME TIRAR DAQUI AGORA MESMO!!

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar