Capítulo 169 — A Derrocada Final
Dominic Costello
Com os próximos passos devidamente alinhados, encerramos a reunião e saímos do escritório. Caminhei a passos largos pela sala até encontrar a Taylor, que conversava em tom baixo com a Emma perto da escadaria.
— Amor, estou seguindo para a delegacia central de Manhattan agora mesmo para assumir o interrogatório da Giovanna. — avisei, puxando-a pela cintura para um abraço rápido.
Taylor assentiu, ajeitando a gola da minha jaqueta de couro com um olhar sério.
— Vai lá, grandão. Faz aquela sardinha peçonhenta cantar tudo o que sabe e descobre o porque ela pediu pela Verônica ontem. E se preciso for, coloca as duas cretinas atrás das grades.
— Pode deixar. — dei um selinho demorado nos seus lábios, me despedi do grupo e segui para a garagem, pegando o meu veículo e acelerando pelas ruas sentido Manhattan.
A viagem até a sede da delegacia federal foi rápida. Assim que cruzei as portas automáticas do departamento policial, Coletti veio ao meu encontro trazendo uma prancha de documentos atualizados sob o braço.
— Chefe, bom dia. O detetive Vicent já me enviou todo o dossiê completo do acidente da senhora Clara Knight. O material é fartíssimo e os meus homens já estão cruzando os dados das câmeras do café com o histórico da Verônica Ortega. — Coletti informou de prontidão.
— O homem do Dam trabalha rápido. — falei satisfeito.
— E os nossos homens também. — Coletti garantiu.
Assenti com um movimento rígido de cabeça. Foi nesse exato milésimo de segundo que o meu celular vibrou no bolso da calça. Puxei o aparelho e vi que era uma notificação do grupo de mensagens dos rapazes.
Era uma foto do teste de DNA enviada pelo Chris, acompanhada de um texto curto. Abri a imagem e li a sentença do laboratório: 0% de probabilidade de paternidade.
Um sorriso de canto, perfeitamente vitorioso e aliviado, nasceu nos meus lábios. Olhei para o Coletti e guardei o telefone no bolso.
— O Chris acabou de me enviar o resultado do novo DNA do Stan. Deu zero por cento de compatibilidade. O bebê definitivamente não é do Tristan.
Meu agente soltou um assobio baixo, abrindo um sorriso.
— A máscara da garota caiu por inteiro então.
— Caiu. E agora eu vou lá no interrogatório dar o golpe de misericórdia nessa história. — declarei.
Coletti assentiu, abrindo a porta pesada de metal da sala de custódia para mim.
Assim que dei o primeiro passo para o interior do cômodo frio e mal iluminado, encontrei a Giovanna Hampton sentada no centro da mesa de moscas, algemada pelos pulsos.
Ao me ver cruzar o portal, as feições dela se contorceram de fúria e ela me fulminou com um olhar carregado de puro ódio e desprezo. Me acomodei na cadeira do outro lado da mesa, cruzei os braços e deixei um sorriso abertamente debochado nascer no meu rosto diante da postura patética dela.
— Gostando das acomodações estaduais, senhorita Hampton? — provoquei em tom calmo.
Giovanna ergueu o queixo, tentando a todo custo manter a sua habitual e ridícula arrogância, embora as olheiras fundas e o cabelo desgrenhado entregasse a sua decadência.
— Você pode debochar o quanto quiser, Dominic Costello. Mas você e a sua equipe de incompetentes estão cometendo um erro judiciário gravíssimo! Eu sou uma mulher indefesa e a minha advogada já está movendo uma ação para me tirar desta cela medíocre!
Soltei uma risada baixa, balançando a cabeça de um lado para o outro.
— A sua advogada, a doutora Tiffany Wise, retirou oficialmente a representação legal do seu caso ainda ontem no saguão do hospital, Giovanna. Você não tem mais advogado particular.
Ela gritava a plenos pulmões, descontrolada.
Eu simplesmente soltei uma gargalhada alta e gostosa bem na cara dela, apreciando a cena.
— É melhor você começar a falar a verdade por bem, Giovanna… porque, neste exato momento, você está completamente sozinha no mundo.
— Eu sou a mãe do filho do Tristan!! — ela urrou, batendo as algemas contra a mesa. — Ele não pode manter essas acusações contra a mãe do filho dele.
Dei um sorriso de canto, gélido e sem uma gota de compaixão. Puxei o meu celular do bolso com total calma, abri a foto do teste de DNA enviado pelo Chris e joguei o aparelho sobre a mesa, exatamente na frente das suas mãos algemadas.
— Parece que você é mãe, sim… mas o Tristan definitivamente não é o pai dessa criança.
Giovanna abaixou os olhos para a tela. Acompanhei o momento exato em que as pupilas dela leram a porcentagem de 0% de compatibilidade de paternidade.
Suas mãos trêmulas seguraram a borda do aparelho e o pavor mais absoluto que já vi na vida tomou conta de cada milímetro das suas feições.
— Como… como é que é?… — ela gaguejou em um fio de voz, o queixo tremendo. — Isso… isso é impossível… O laudo do hospital de Manhattan dizia que ele é o pai, vocês… vocês forjaram esse.
Me debrucei ainda mais sobre a superfície de madeira, colando o meu olhar no dela, o meu tom de voz caindo para uma linha dura, pausada e intimidadora.
— A sua farsa ridícula acabou definitivamente hoje, Giovanna Hampton. E pelos nossos velhos tempos de convivência, eu vou te dar um conselho de graça: é melhor você começar a abrir essa sua boca e contar absolutamente tudo, e principalmente tudo o que sabe sobre a Verônica Ortega agora mesmo. Porque, neste exato segundo, a sua ficha criminal é extensa demais, você responde por tentativa de homicídio e fraude processual. E eu sou a única pessoa em Nova York que pode tentar conversar com o promotor para amenizar a sua pena de prisão perpétua.
Me afastei da mesa, recostei na cadeira e a encarei antes de fazer a minha pergunta final:
— Então como vai ser Giovanna Hampton, vai começar a falar?

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