Capítulo 158 — Pescaria de Sardinha
Taylor Costello
Eu estava irritada. Não, irritada é pouco. Eu estava puta pra caralho! Sabia que aquela sardinha peçonhenta estava andando livremente pelos corredores deste hospital depois do que tinha feito com a minha Breezinha, e isso estava me matando por dentro.
Se tem uma coisa neste mundo que eu não consigo fazer de jeito nenhum, é sentar e esperar passivamente as coisas acontecerem. Não, isso definitivamente não pertencia à minha natureza. Então, decidi que iria andar sem rumo por aquele lugar e caçar aquela desgraçada.
Eu já estava caminhando a passos largos quando a Emma apontou com o queixo na direção do corredor dos leitos, vendo o Stan empurrar a porta e entrar no quarto número oito.
— Será que nós podemos ir lá só dar uma olhada nela, Tay? Nem que seja… bem rapidinho, só da porta? — a Emma perguntou, a voz saindo em um tom vulnerável que me cortou o peito.
Depois de tudo o que a minha amiga tinha passado na vida. Assim como a aproximação com o pequeno Luca, o amor com o Damien… a amizade com a Aubrey também tinha sido uma das coisas que a salvou de se perder em si mesma. A Emma tinha um amor de irmã pela Bree, e eu admirava essa lealdade entre elas.
Passei o meu braço com carinho ao redor dos ombros dela e a puxei para um abraço lateral rápido.
— Mas é claro que sim, Emminha! Vamos lá dar uma olhada rápida na nossa Breezinha e depois nós voltamos com tudo para a nossa pescaria de sardinha.
Emma me deu um sorriso leve, ajeitou a postura e nós duas seguimos a passos firmes na direção da ala privativa. No meio do caminho, demos de cara com o Elijah caminhando com a prancha de prontuários na mão.
— Posso saber para onde as duas gatinhas estão indo com essa pressa toda? — ele perguntou, exibindo um sorriso curioso.
Sorri de lado antes de responder na lata:
— Nós vamos dar uma olhada na Bree e, logo em seguida, vamos fazer um tour completo por este hospital. Descobri hoje que este prédio é um local simplesmente excelente para a prática de pesca esportiva.
Dei uma piscadinha de deboche para ele, que acabou soltando uma gargalhada abafada. Estávamos os três a exatamente um passo de distância da porta do quarto quando ela se abriu com tudo em um baque violento.
Uma enfermeira saiu lá de dentro em um tiro, correndo desesperada pelo corredor. No segundo seguinte, os gritos desesperados do Stan rasgaram as paredes do hospital, acompanhados pelo som estridente do monitor cardíaco apitando sem parar:
— ELIJAH, ME AJUDA! AJUDA A MINHA MULHER, POR FAVOR!!
Tristan gritava em puro desespero do lado de dentro. Olhei pelo vidro da porta por um milésimo de segundo e vi a Aubrey se debatendo inteira no colchão. O Elijah nem pensou duas vezes; invadiu o leito a passos largos para prestar os primeiros socorros.
Eu virei o corpo de volta para o corredor e vi a figura da enfermeira já dobrando a esquina a passos frenéticos.
— Sua desgraçada! — xinguei com toda a força da minha garganta.
Sem pensar em mais nada, o meu instinto de caça assumiu o controle total do meu corpo e eu comecei a correr atrás dela em um rastro de pura adrenalina.
— TAY!! — Emma gritou o meu nome e veio correndo logo atrás de mim, sem hesitar.
Passamos voando pelo corredor principal e cruzamos com os meninos, Damien e Ozzie, que nos olharam com expressões totalmente confusas e assustadas diante do nosso pique de corrida.
Nem parei de correr; apenas virei o rosto por cima do ombro e berrei a plenos pulmões para que o meu recado ecoasse pelo andar:
— AVISA O DOM AGORA! A VACA DA GIOVANNA TÁ DISFARÇADA DE ENFERMEIRA!!
Continuei acelerando os passos pelo piso encerado e a Emma não ficou um metro para trás; ela se manteve firmemente ao meu lado na corrida, ombro a ombro.
— EMMA!! — ouvimos a voz grave do Damien gritar desesperada do fundo do corredor, mas nenhuma de nós duas parou para dar explicações.
A Giovanna empurrou a porta da saída de emergência e se enfiou pela escadaria de serviço. Nós duas invadimos o local logo em seguida, o som da porta se fechando atrás de nós. Assim que pisamos no patamar de concreto, ouvimos o som ecoado de passos apressados, mas o eco do poço da escada tornava impossível dizer de imediato se o ruído subia para os andares superiores ou descia para o térreo.
Fiz um sinal rápido com a mão para a Emma parar e congelar no lugar. Fechei os meus olhos por dois segundos, limpei o ruído da minha mente e foquei a minha audição exclusivamente no atrito dos sapatos contra os degraus.
— ELA DESCEU!! — avisei em um tom firme.
— Vamos! — Emma respondeu e nós começamos a despencar pelos degraus a passos largos.
Já tínhamos rolado uns dois lances completos de escada na velocidade da luz. Olhei para a minha amiga, raciocinei rápido a estrutura do prédio e pedi em tom de comando:
— Emminha, sai nesta porta agora, corre para o elevador social e encurrala essa desgraçada direto no térreo!
Emma apenas assentiu com a cabeça, sem questionar. Ela empurrou a porta do andar para pegar a cabine rápida, enquanto eu continuei descendo os degraus de concreto da escadaria como um furacão.
— Com o maior prazer do mundo, Tay! — minha amiga respondeu, já liberando a tela para discar para o meu marido.
Eu mantive uma das minhas mãos firmemente agarrada aos cabelos da cretina, forçando a sua cabeça para trás, quando, de repente, uma voz feminina, grave, extremamente arrastada e polida, uma voz que eu já tinha ouvido em algum lugar, mas que não me veio à mente de imediato, ecoou com autoridade logo atrás de mim:
— Eu recomendo fortemente que você solte a minha cliente… agora mesmo.
Girei o corpo devagar para encarar a dona da voz. Giovanna, sentindo a pressão diminuir por um segundo, soltou o ar pelos lábios em um suspiro de alívio genuíno e sussurrou em tom choroso:
— Tiffy…
Medi a mulher de cima a baixo. Ela estava vestindo um terno feminino de grife na cor vinho, salto alto agulha, postura de pura arrogância. Mesmo já sabendo a resposta óbvia, decidi perguntar com o meu pior tom de deboche:
— E quem diabos é você no jogo do bicho?
A mulher deu um passo firme na minha direção, o som dos seus saltos altos estalando contra o piso. Ela parou a exatamente dois passos de distância de mim, ajeitou a gola do blazer e disparou.
— Tiffany Wise. Sou advogada da Giovanna. E vou dizer apenas mais uma vez, moça: solte a minha cliente imediatamente antes que eu te processe por agressão física.
Olhei para a cara engomada daquela advogadinha de merda, pra vaca que um dia havia sido sub do meu marido, e deixei um sorriso perfeitamente debochado nascer nos meus lábios e respondi em tom calmo.
— Ah… entendi. Agora é a minha vez de me apresentar para você…
Fechei a minha mão com ainda mais força no cabelo da Giovanna, puxando a raiz para cima e fazendo a cretina soltar um grito agudo de dor que ecoou pelo saguão inteiro, antes de continuar.
— Eu sou a Taylor Costello…
O brilho de soberba e superioridade nos olhos da advogada sumiu no mesmo milésimo de segundo em que o meu sobrenome de casada bateu em seus ouvidos.
— …eu sou o verdadeiro carrasco da Giovanna nesta terra… — continuei, cravando os meus olhos nos dela e exibindo o meu melhor sorriso de lado antes de concluir a minha sentença:
— …e eu te desafio, do fundo do meu coração, a tentar me fazer soltar essa vaca agora.

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