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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 152

Capítulo 152 — Sabe quem eu sou?

Tristan Blackwood

Alguns longos minutos se passaram e nada da Aubrey esboçar qualquer sinal de que iria acordar. Meu celular dentro do bolso da calça vibrou algumas vezes seguidas, provavelmente o Damien ou o Dom tentando me passar atualizações da mansão, mas eu simplesmente não quis olhar.

Eu me recusava a tirar a minha atenção da minha mulher. Naquele exato momento, nada no universo era mais importante do que ela e o nosso filho.

Eu continuava ali, acariciando a maçã do seu rosto com o polegar, quando ouvi o ruído suave da porta se abrindo. Era o Elijah entrando de forma silenciosa. Ele se aproximou, ostentando um sorriso calmo e encorajador nas feições.

— E aí, irmão? Como estão as coisas por aqui? — ele perguntou em tom baixo, caminhando até o painel de controle e analisando os gráficos e aparelhos eletrônicos ligados ao corpo da Aubrey.

— Do mesmo jeito. — suspirei, sem desviar os olhos dela. — Ela simplesmente não acorda de jeito nenhum. Isso está me matando por dentro.

Elijah acenou positivamente com a cabeça, mantendo a voz mansa de médico para me tranquilizar.

— Isso na verdade era o esperado para o momento, irmão. Você precisa lembrar que ela desceu vários lances de uma escada pesada de madeira, batendo a cabeça repetidas vezes durante o impacto do trauma secundário.

Engoli em seco. Só de imaginar a cena da minha Bree vindo abaixo daquele jeito, o meu estômago revirou de puro pânico e náusea.

— E vale lembrar também que ela infelizmente está com aquele leve sangramento intracraniano que te falei. — Elijah continuou o raciocínio. — Essa pequena lesão potencializa consideravelmente o estado de sonolência profunda. O cérebro humano gasta uma quantidade absurda de energia para processar tudo e, devido a esse trauma na cabeça, ele simplesmente desliga o sistema e entra em um estado severo de economia de energia para conseguir se recuperar de forma mais rápida. Mas ela vai acordar, Stan. Eu tenho certeza absoluta de que ela vai.

Sorri grato pelas explicações técnicas dele, sentindo o meu peito relaxar um milímetro. E foi exatamente nesse mesmo milésimo de segundo que a Aubrey soltou um gemido baixo, arrastado e dolorido.

Me levantei da cadeira em um verdadeiro pulo, o coração disparando no peito.

— Amor… Meu Deus, amor, você acordou! — falei, sentindo uma alegria avassaladora que mal cabia dentro do meu peito.

Aubrey começou a piscar os olhos devagar, lutando contra a claridade forte das lâmpadas da UTI. Ela virou o rosto lentamente na minha direção e me olhou com uma expressão totalmente confusa, perdida e anuviada.

Me inclinei sobre o leito e segurei a sua mão com carinho, mas, para o meu completo espanto, ela puxou o braço com tudo em um solavanco, arrancando os seus dedos do meu toque.

Fiquei estático, com as mãos pairando no ar.

— Bree… o que houve, meu amor? — perguntei, a preocupação fazendo a minha voz falhar.

Os olhos dela saltavam de mim para o Elijah de forma frenética, transbordando um pavor e uma confusão mental que me gelaram o sangue. Percebendo a gravidade da situação, meu amigo deu um passo à frente de forma polida e falou com uma voz extremamente suave e acolhedora:

— Aubrey, olhe para mim. Sou eu, o doutor Elijah Cross. Pode me dizer exatamente o que você está sentindo agora, por favor?

Olhei para ele com o cenho franzido, totalmente confuso pela forma excessivamente formal e distante como ele havia acabado de se apresentar para ela. A Aubrey sabia perfeitamente bem quem era o Elijah, ele era de casa.

Minha mulher se encolheu contra os travesseiros do leito hospitalar, puxando o lençol até o queixo em um gesto claro de defesa.

— Estou… estou com muita dor de cabeça. — a voz dela veio em um sussurro fraco, quase inaudível.

— Tudo bem, querida. Eu vou providenciar agora mesmo um analgésico forte direto na sua veia para aliviar esse desconforto. — ele garantiu, mantendo o tom profissional.

Ela balançou a cabeça levemente, concordando com o procedimento.

— Há mais alguma coisa fora do normal que você queira me reportar, Aubrey? — ele perguntou de forma investigativa.

Tentei dar mais um passo e estiquei a minha mão na intenção de tocar os seus cabelos para confortá-la, mas no mesmo instante ela deu um sobressalto de puro susto na cama, recuando para longe do meu alcance.

Senti um peso esmagador desabar sobre o meu peito, roubando todo o meu oxigênio. Olhei desesperadamente para o meu amigo.

— Elijah, que porra está acontecendo aqui, cara? Me diz! — falei, elevando o meu tom de voz sem querer, o que acabou assustando a Aubrey novamente. Ela começou a tremer de leve.

— Stan, por favor, se controla agora mesmo. Saia de perto e se acalma, cara. — Elijah me repreendeu de forma firme, apontando para o canto do quarto.

Ao ver o meu desespero, Aubrey começou a chorar de forma silenciosa, as lágrimas escorrendo por suas bochechas pálidas. Vê-la chorar daquele jeito por minha causa me destruiu por dentro.

— Amor… me desculpa, por favor. — falei em um sussurro aflito, me aproximando sem ligar para os comandos e, dessa vez, puxando o corpo dela com total cuidado para o abrigo do meu peito.

Para o meu imenso alívio, embora ela estivesse rígida, ela não me afastou e nem lutou contra o meu abraço. Soltei o ar devagar pelos lábios, tentando acalmar os seus tremores com as minhas mãos nas suas costas.

— Aubrey… — Elijah a chamou em um tom suave, fazendo com que ela desviasse os olhos do meu peito para encará-lo. — Você se lembra, certo? Você sabe perfeitamente que o seu nome é Aubrey, não sabe?

Senti o corpo dela estremecer de forma violenta sobre o meu peito. Ela hesitou por alguns segundos torturantes e, em seguida, balançou a cabeça negativamente.

O meu mundo simplesmente parou de rodar naquele exato milésimo de segundo. Uma dormência gélida e aterrorizante tomou conta de cada fibra do meu ser.

Me virei para ela com os olhos arregalados de pavor, segurei o seu rosto perfeito entre as minhas duas mãos trêmulas, forçando-a a olhar bem no fundo das minhas pupilas, e disparei a pergunta que determinaria o resto das nossas vidas:

— Aubrey… meu amor, olha para mim. Você por acaso sabe quem eu sou?

E, com os olhos transbordando lágrimas de pura confusão e medo, ela olhou bem no fundo dos meus olhos e sussurrou a palavra que despedaçou a minha alma em um milhão de pedaços:

— Não…

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