Capítulo 142 — O Prenúncio do Caos
Emma Anderson
O restante da semana passou em um verdadeiro piscar de olhos. Estávamos todos ainda flutuando, curtindo imensamente a notícia maravilhosa da gravidez da Bree, assim como o alívio generalizado pela partida definitiva da Izabel.
Aquela mulher não havia passado nem sequer um dia inteiro dentro da mansão, mas a sua breve e desastrosa estadia foi o suficiente para fazer com que todos nós desejássemos nunca mais ter que vê-la na vida.
Eu sabia que precisava me levantar e me movimentar, o dia já havia começado. Mas o meu corpo parecia estar colado ao colchão, recusando-se a sair da cama.
Ouvi o som suave da porta se abrindo e, logo em seguida, os passos pesados e firmes do Damien ecoaram pelo quarto. O colchão ao meu lado afundou de uma vez sob o peso dele.
— Eu realmente pensei que voltaria da academia e te encontraria pronta para descermos para o café da manhã, Em. — Damien murmurou com a voz grave, enquanto depositava um beijo úmido e quente no meu pescoço.
— Existe uma força invisível no universo chamada preguiça, senhor Knight, e ela está me impedindo fisicamente de levantar hoje. — respondi, sorrindo de olhos fechados.
Damien passou os seus braços musculosos pela minha cintura com firmeza, puxando o meu corpo para ele, colando minhas costas em seu peito rígido, e levemente molhado de suor.
— Você por acaso está precisando de alguma ajuda especial para se animar a sair dessa cama, querida?
A mão grande dele começou a subir de forma lenta e possessiva pelas minhas pernas descobertas, deslizando por baixo do tecido da minha camisola e indo bem de encontro ao meu centro.
Soltei um gemido baixo e arrastado quando senti a pressão dos seus dedos se apoiarem diretamente sobre o tecido fino da minha calcinha.
— E o que exatamente você tem em mente para me ajudar, senhor… — minha voz sumiu, saindo em um tom manhoso e totalmente entregue ao toque dele.
Damien não respondeu com palavras. Ele afastou o tecido da lingerie com agilidade e, sem qualquer aviso prévio, enfiou dois de seus dedos profundamente dentro de mim, me fazendo soltar um gritinho agudo de surpresa contra o travesseiro.
Ele se inclinou sobre o meu ouvido, a respiração quente e ofegante ditando o ritmo.
— Eu vou te mostrar agora mesmo, meu amor.
E ele realmente mostrou. Foi um momento rápido, intensamente necessitado e delicioso, exatamente como ele costumava ser quando me tomava para si com aquela urgência possessiva.
Quando o turbilhão de sensações acabou, nós dividimos um banho morno e rápido no box para economizar tempo. Na hora de me trocar, aproveitei para colocar o meu biquíni por baixo de um vestido leve de verão, já que o plano era curtir a piscina com as meninas e com as crianças durante o dia quente que se anunciava lá fora.
Assim que terminei de me arrumar, o Damien também já estava pronto, vestindo uma bermuda e uma camiseta casual, então seguimos juntos pelo corredor para despertar e preparar os pequenos para o café da manhã.
Como já era o nosso costume de rotina, eu segui direto para o quarto do Luca enquanto o Damien, claro, foi até o aposento da Ellie. Cruzei o portal do quarto e vi que o meu menino ainda dormia o sono dos justos, esparramado entre os lençóis azuis.
Caminhei a passos lentos até a beirada do colchão, me sentei ao seu lado e passei a mão com doçura por seus cabelos loiros e bagunçados.
— Bom dia, meu menino… — sussurrei bem próximo ao seu ouvido, antes de inclinar o corpo e deixar um beijo terno no topo da sua cabeça.
Luca abriu os olhos devagar, piscando contra a claridade da janela, e um sorriso radiante surgiu em seu rosto ao me focar.
— Bom dia, Em!
Ele se jogou nos meus braços em um abraço apertado e desajeitado de bom dia. Separei a sua roupa sobre a cômoda e, para a minha surpresa, ele fez questão de caminhar sozinho em direção ao banheiro, fechando a porta.
Agora, ele vivia repetindo com orgulho que não era mais um bebê e que sabia se virar. Assim como a Ellie, o Luca vinha ganhando a sua própria independência e autonomia dia após dia.
O que para o desenvolvimento deles era simplesmente ótimo, mas para mim trazia um aperto gostoso e melancólico no peito, por saber que logo, logo eles cresceriam e não precisariam mais dos meus cuidados diários como antes.
Saímos do quarto de mãos dadas e encontramos a Savannah caminhando pelo corredor.
— Bom dia, Sa — cumprimentei, sorrindo.
Ela nos olhou com aquele sorriso acolhedor, dócil e puramente materno de sempre.
— Bom dia, minha querida. Bom dia, Luquinha lindo.
Olhei para a porta fechada dos aposentos da minha irmãzinha e perguntei.
— A Ellie ainda não está pronta?
Savannah balançou a cabeça assentindo e rindo da situação.
— Ela acordou hoje ainda mais agitada e elétrica do que o normal, Emma. Quando o senhor Knight entrou no quarto, ela já estava completamente trocada e calçada. Ela simplesmente montou nos ombros dele e os dois desceram correndo para a mesa do café da manhã há alguns minutos.
Balancei a cabeça em uma negação divertida. A Ellie conseguia absolutamente tudo o que queria do Damien com um simples biquinho, a capacidade dela de dominar aquele homem era algo impressionante de se assistir.
Peguei na mãozinha do Luca e começamos a descer os degraus da grande escadaria, com a Savannah caminhando logo ao nosso lado.
Assim que cruzamos o portal da sala de jantar principal, vimos que a mesa já estava completamente cheia e barulhenta. Todos estavam comendo, conversando alto e rindo de alguma piada interna.
A Leah e a Nina estavam de pé perto do aparador, divertindo-se visivelmente com toda aquela interação caótica dos meninos. Olhando de fora, eles nem sequer pareciam empresários sérios ou homens feitos de trinta anos; pareciam quatro moleques de faculdade se provocando e roubando a comida do prato um do outro.
Taylor deu o último gole no seu suco antes de puxar o assunto do dia.
— E aí, minhas lindas? Já estamos devidamente prontas para curtir esse sol maravilhoso de Nova Jersey na piscina?
— Eu já saí do meu quarto com o biquíni por baixo da roupa para não perder tempo com trocas — a Fernanda avisou, com animação.
Meu namorado se aproximou por trás, segurou a minha cintura com força e me puxou para perto do seu corpo.
— Eu vou precisar resolver algumas pendências burocráticas e analisar uns contratos lá no escritório com o Stan agora de manhã, Emma. São documentos realmente importantes da fusão da empresa que não podem esperar o final de semana acabar.
Envolvi meus braços ao redor do pescoço dele, olhando em seus olhos.
— Tudo bem, amor, não se preocupe. Vá resolver o seu trabalho. Nós vamos aproveitar o sol da manhã com as crianças, que é o horário ideal para a pele deles.
Ele desceu os lábios até os meus em um beijo rápido, mas cheio de intensidade.
— Assim que nós terminarmos de assinar os papéis, eu e o Stan nos juntamos a vocês lá fora. Prometo não demorar.
Nos beijamos uma última vez. Damien e o Tristan seguiram pelo corredor em direção ao escritório, e o restante de nós caminhamos na direção das portas de vidro que davam acesso à grande área da piscina.
— Meninas, eu acabei não colocando o meu biquíni por baixo do vestido antes de descer. — Bree avisou, parando no início do corredor com uma expressão sem graça.
E, nesse exato milésimo de segundo, a figura da Giovanna, que desde a expulsão da Izabel não havia mais se juntado a nós para nenhuma refeição, surgiu silenciosamente no pé da escadaria principal, nos encarando com um olhar indecifrável.
Olhei para a minha amiga, ignorando a presença da outra.
— Você quer que eu suba com você até o quarto para te ajudar a se trocar, Bree?
Ella negou prontamente com a cabeça, abrindo um sorriso leve.
— Não precisa se incomodar, amiga. Pode ir indo para a piscina com os pequenos para eles não perderem o sol. Eu subo rapidinho, coloco o biquíni e encontro vocês lá fora em um piscar de olhos.
— Tudo bem, então. Não demora. — ela assentiu com a cabeça e eu segui com o grupo para a área externa.
Dom e Ozzie caminharam direto até o balcão do bar molhado, sentaram-se nas banquetas e começaram a conversar.
As meninas e eu nos concentramos em espalhar generosas camadas de protetor solar na pele das crianças. Os acomodamos na piscina infantil sob a supervisão atenta e carinhosa da Savannah, antes de começarmos a retirar os nossos vestidos.
No entanto, no exato instante em que nos sentamos na borda de azulejos para começarmos a molhar os pés e curtir o sábado, um grito estridente, agudo e aterrorizante rasgou o silêncio da casa, vindo dos corredores de dentro.
O grito foi carregado de um desespero tão brutal e agonizante que pareceu fazer as paredes da mansão vibrarem.
Meu coração despencou na mesma hora. Sem pensar em absolutamente mais nada, me impulsionei para fora da água e comecei a correr desesperada de volta para o interior da mansão, com a Fernanda, a Taylor e os meninos correndo logo atrás de mim em um rastro de pura adrenalina.
Assim que passamos pelas portas de vidro e invadimos o hall interno, a figura da Leah surgiu ao pé da escada com o rosto completamente pálido, as mãos trêmulas e os olhos arregalados de puro terror enquanto ela gritava a plenos pulmões:
— PELO AMOR DE DEUS, ALGUÉM CHAME UMA AMBULÂNCIA!!

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