Capítulo 133 — Linhas de defesa
Emma Anderson
Sustentei o olhar dela antes de continuar.
— Essa é uma forma carinhosa e legítima como eu o chamo diariamente.
Ela bufou audivelmente, encurtou a distância entre nós e estendeu os dois braços na minha direção, exigindo a criança.
— Me dê ele aqui agora. Eu quero abraçar o meu neto e ter um momento totalmente a sós com ele. Sem intermediários.
Luca, ouvindo as intenções dela, se sobressaltou no meu colo e apertou os bracinhos ao redor do meu pescoço de forma desesperada.
— Acho que ele precisa de um tempo para se acostumar com a presença da senhora, senhora Rios — sugeri, mantendo a voz firme. — Minha recomendação seria a senhora subir para o seu quarto, descansar de sua longa viagem, enquanto ele também descansa do passeio do shopping. Antes do jantar, vocês dois podem se encontrar com mais calma para terem o momento de vocês.
Os olhos da Izabel endureceram como duas pedras de gelo.
— O que ele precisa de verdade é vir para o meu colo neste exato segundo. Eu sou a avó de sangue dele, e estou dizendo que quero um momento com o meu neto agora. Você aqui dentro não sugere absolutamente nada, menininha. Você apenas obedece. Me entregue o Luca agora!
Luca tremeu visivelmente contra o meu corpo e sussurrou em pânico no meu ouvido:
— Não, Emma… Não deixa…
Apertei o corpo dele contra o meu peito com ainda mais força, deixando um beijo protetor em sua cabeça antes de encarar a mulher com toda a seriedade do mundo.
— Eu estou sendo extremamente educada com a senhora desde o momento em que passei por aquela porta. Estou tentando ajudá-la a construir um bom relacionamento com o seu neto, mas essa sua abordagem agressiva e autoritária está apenas assustando o menino. Então, vou dizer mais uma vez… — Dei um passo firme à frente, diminuindo o espaço e demonstrando que eu não recuaria. — Vá para o quarto que foi reservado para a senhora, descanse e dê o tempo de que ele precisa. Antes do jantar, eu prometo que ele estará pronto para conversar.
Girei o corpo e comecei a caminhar com o Luca em direção à grande escadaria.
— Não ouse levá-lo daqui, sua atrevida! Eu ainda sou a avó dele e tenho o direito legal de vê-lo na hora em que eu bem entender! — ela gritou do fundo do hall.
Parei no meio do primeiro degrau, virei o rosto devagar para encará-la sobre o ombro e soltei o ar com um sorriso de canto, deixando toda a minha audácia transparecer.
— A senhora tem direitos sim, senhora Rios. Assim como também tem obrigações. A senhora tinha a obrigação de recebê-lo com amor, e não de ofendê-lo na primeira oportunidade. E sobre a minha suposta ousadia… — Fiz uma pausa dramática, elevando o canto dos lábios em um sorriso desafiador. — A senhora ainda não viu absolutamente nada.
Virei as costas e terminei de subir as escadas, a deixando para trás resmungando no hall. Caminhei com o Luca direto até o quarto dele, me sentei na beirada da cama com ele ainda aninhado no meu colo e passei a mão por seus cabelos, depositando um beijo terno ali.
— Está tudo bem, meu amor. A Em está aqui. Ninguém vai te tirar daqui.
Ele se agarrou à minha blusa, os olhos marejados ao me encarar.
— Eu não gostei dessa vovó, Emma… Ela grita, tem a cara feia… acho que ela é má. Eu não quero ficar com ela.
Abracei o seu corpo com força, sentindo o meu coração apertar.
— Eu te entendo, querido. Mas ela é a mãe da sua mamãe Clara, e veio de muito longe, de outro país, só para te ver. Nós precisamos ser educados, tudo bem?
Ele negou com a cabeça, emburrado, e eu o apertei mais forte, iniciando um processo lento para acalmá-lo.
Dei um banho morno nele, o ajudei a se vestir e conversamos longamente sobre a Izabel. No começo, o Luca se mostrou bastante relutante e resistente, mas, depois de muita conversa carinhosa, ele aceitou descer para falar com ela, desde que eu me mantivesse ao lado dele o tempo todo.
Prometi que faria isso.
A Leah veio até o quarto algum tempo depois para nos avisar que o jantar seria servido em breve. Peguei o meu celular sobre a cômoda e, com toda a confusão da chegada da Izabel, percebi que havia me esquecido completamente de mandar uma mensagem para o Damien contando o ocorrido.
As três assentiram e seguiram pelo corredor. Segurei firme a mão do Luca e caminhei com ele até a entrada da sala de estar principal. Assim que cruzamos o limite da porta, a Giovanna, que estava sentada no sofá rindo de alguma fofoca com a Izabel, mudou a expressão instantaneamente.
Ela se levantou do estofado com uma pose superior e caminhou em direção à mesa de jantar, saindo do ambiente. A senhora Rios também se levantou da poltrona, ajeitou as jóias no pescoço e caminhou firmemente até nós, parando bem na nossa frente.
— Agora saia de perto dele, garota, e nos deixe totalmente a sós — ela ordenou para mim, a voz saindo cortante.
Luca apertou os seus dedos contra a palma da minha mão com uma força absurda, recuando meio passo.
— Me desculpe, senhora Rios, mas isso não vai acontecer — respondi, mantendo o tom de voz calmo e o sorriso polido no rosto. — Eu fiz uma promessa ao Luca de que ficaria aqui ao lado dele durante toda a conversa, e é exatamente isso o que eu vou fazer. Não vou quebrar a palavra com ele.
A mulher deu mais um passo à frente, fechando completamente a distância que nos separava. Seus olhos faiscaram de puro ódio.
— Sabe de uma coisa, menininha de quinta… — ela disse, a voz destilando um desprezo profundo. — Você está começando a me irritar de uma forma perigosa aqui dentro.
Sorri para ela novamente, mantendo a minha espinha ereta, sem demonstrar um milésimo de fraqueza.
— Eu peço sinceras desculpas à senhora por lhe causar esse tipo de sentimento incômodo, senhora Rios. Mas a senhora vai ter que aprender a superar isso, porque eu não vou sair do lado dele a não ser que o próprio Luca me peça para ir embora.
A mulher me fulminou com o olhar, o rosto ficando vermelho de pura fúria. Sem que eu pudesse prever o seu ataque, ela estendeu o braço com violência, segurou o meu antebraço com força, cravando as unhas na minha pele, e gritou em um tom mortal que ecoou por toda a área social:
— Quem você pensa que é para me enfrentar na casa do meu genro, sua insolente?!
Puxei o meu braço para trás com força na tentativa de me libertar do aperto doloroso dela, enquanto o Luca se agarrou desesperadamente às minhas pernas, chorando de susto com o escândalo.
Foi exatamente nesse milésimo de segundo de caos que o som de passos pesados e furiosos ecoaram pelo ambiente e uma voz grave, carregada de uma fúria brutal e avassaladora, cortou o ar da sala de estar como uma lâmina afiada, congelando os movimentos da Izabel imediatamente.
— Ela é a minha mulher, Izabel. E a futura dona absoluta de toda esta casa.

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