Capítulo 129 — Linhas de Sangue
Aubrey Fox
— PUTA MERDA!!
As meninas me ouviram gritar e, no mesmo segundo, interromperam o que estavam fazendo na papelaria e vieram correndo na minha direção, com as expressões tomadas por um sobressalto.
— O que foi, Bree? O que aconteceu? — Emma perguntou, os olhos azuis arregalados de preocupação.
Comecei a balançar a cabeça freneticamente em um sinal negativo, tentando forçar o meu rosto a adotar uma máscara de normalidade enquanto meu coração tentava escapar pelo peito.
— Não foi nada, meninas… Nada mesmo. É que eu acabei de me esquecer de uma coisa completamente importante e… E a Savannah estava me lembrando agora.
Direcionei o meu olhar para a Savannah, implorando silenciosamente por socorro com os olhos. Ela, com a sua habitual agilidade mental, captou o meu desespero no mesmo milésimo de segundo e assentiu para as outras.
— É exatamente isso, meninas. Está tudo bem por aqui, não se preocupem.
Soltei o ar devagar pelos lábios, sentindo um alívio temporário me domar. Eu confiava nas minhas amigas, claro que sim, com a minha própria vida, mas naquele exato momento eu precisava primeiro digerir aquela informação sozinha.
Eu precisava entender o tamanho de tudo aquilo e o impacto avassalador que teria na minha vida e na do Tristan se aquela suspeita fosse real, antes de despejar a bomba no grupo.
As meninas pareceram se convencer com a desculpa e voltaram para as compras. Emma e Fernanda seguiram pelo corredor de cadernos com o Luca e a Ellie, checando os itens da lista de material escolar, enquanto a Taylor caminhou na direção da área de brinquedos pedagógicos com a pequena Arianna nos braços.
Assim que ficamos sozinhas entre as prateleiras, segurei firme na mão da Savannah e a arrastei comigo para um canto totalmente isolado da loja, perto de uns expositores altos.
— Sa, por favor… Me diz o que eu faço agora? — pedi, a minha voz saindo em um sussurro trêmulo, carregado de ansiedade.
Ela me deu um sorriso sincero, calmo, transmitindo uma paz acolhedora.
— Como assim, querida? O que está passando nessa cabecinha?
Soltei o ar novamente, mordendo o lábio inferior com tanta força que quase cortei a pele.
— Eu nunca… Eu nunca passei por algo assim na minha vida, Sa. Eu nunca tive sequer uma suspeita de gravidez em toda a minha existência. Eu estou completamente perdida.
Savannah apertou a minha mão com carinho e firmeza, me trazendo de volta para a realidade.
— Meu bem, isso não tem nenhum segredo. Para tirarmos essa dúvida do seu peito, nós só precisamos fazer um teste. O método mais seguro, eficaz e livre de erros é o exame de sangue, o beta HCG. Você colhe a amostra em um dia e o resultado oficial sai logo no dia seguinte. Mas também temos a opção dos testes rápidos de farmácia, de urina, mas esses só garantem a eficácia total após uma quantidade bem exata de dias de atraso menstrual.
Fiquei em silêncio por um instante, refazendo mentalmente as contas do calendário para ter a certeza absoluta de que não estava errada sobre o meu próprio corpo.
— Pelas minhas contas diárias… Eu estou atrasada um pouco mais de uma semana, Sa. Você acha que esse tempo já é o suficiente para fazer um teste confiável?
Ela assentiu prontamente com um aceno de cabeça.
— Sim, com certeza. Podemos tentar um teste de farmácia agora mesmo se você preferir. Mas, para não haver nenhuma margem de erro ou dúvida, eu sugeriria fortemente o de sangue.
Ela desviou os olhos por um segundo, olhando para o corredor de fora da loja antes de voltar a focar em mim.
— Se não me engano, no térreo deste shopping tem uma unidade daquele laboratório central. Nós poderíamos descer até lá agora e fazer a coleta do exame. Amanhã de manhã, logo cedo, você já teria o resultado direto na tela do seu celular.
Pensei por um breve instante. Se o exame de sangue era o ideal, o mais seguro e incontestável, era exatamente esse que eu faria. Eu não queria ficar lidando com linhas apagadas em um pedaço de plástico.
— Tudo bem… Você vem comigo até lá embaixo? Por favor? — pedi, sentindo a minha voz fraquejar.
Savannah me deu aquele sorriso dócil e protetor, um olhar puramente materno que acolheu todas as minhas inseguranças.
— Mas é claro que sim, minha querida. Eu não vou te deixar sozinha nisso.
Agradeci com um sorriso e, em seguida, caminhamos juntas até onde as outras meninas estavam concentradas. Inventei uma história rápida e superficial sobre não estar me sentindo muito bem do estômago por causa do jejum, avisando que a Savannah iria me acompanhar até a farmácia do térreo para verificar a minha pressão e talvez comprar um remédio para náuseas.
As meninas assentiram, desejando que eu melhorasse, mas a Emma manteve os olhos fixos em mim por alguns segundos a mais, com um semblante analítico, como se a sua intuição de amiga soubesse perfeitamente que eu estava escondendo algo grande.
Combinamos de nos encontrar na lanchonete temática do shopping assim que cada uma terminasse os seus afazeres. Depois, Savannah e eu pegamos o elevador e seguimos direto para o térreo.
Dei um sorriso totalmente sem graça, sentindo minhas bochechas queimarem por ter sido pega no flagra.
— Eu… Eu não queria falar sobre isso lá em cima, no meio do corredor da papelaria, com todo mundo ouvindo.
Emma me encarou por longos segundos, e a seriedade no rosto dela deu lugar a uma onda de puro carinho e cumplicidade.
— E isso aí no seu braço… É o que eu estou imaginando que seja, Bree?
Olhei para ela e assenti com a cabeça de forma contida.
— Acho que sim, Emma. Eu acabei de fazer um teste de sangue lá embaixo.
Minha amiga não hesitou. Ela segurou a minha mão com força, apertando os meus dedos em um gesto explícito do apoio e do acolhimento que eu tanto esperava dela, limpando qualquer rastro de solidão do meu peito.
Caminhamos juntas e de braços dados até a mesa para nos juntarmos aos outros e fazermos os pedidos de almoço.
Assim que me sentei na cadeira de couro, senti o meu celular vibrar dentro da bolsa. Puxei o aparelho e um nó se formou na minha garganta ao ver o nome do Tristan brilhando na tela.
Era uma mensagem de texto dele:
“Espero que você esteja bem aí no shopping, e que tenha se alimentado direito conforme me prometeu. Só se cuida, querida, por favor. Te amo.”
Senti as lágrimas brotarem instantaneamente nos meus olhos, embaçando a minha visão. Engoli o choro para as meninas não perceberem e digitei uma resposta curta, apenas com o essencial do que o meu coração sentia:
“Também te amo, meu amor…”
Bloqueei a tela do aparelho e deitei o celular sobre a mesa.
Fixei o meu olhar no pequeno curativo colado no meu braço, depois desviei os olhos para a mensagem dele que ainda brilhava na minha mente, e um pensamento avassalador e assustador me atingiu em cheio, fazendo o meu estômago dar uma revirada de pura expectativa.
O que vai ser de nós dois, Tristan… Se amanhã cedo eu descobrir que estou realmente esperando um filho seu?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar