Capítulo 127 — Quero ver tentar
Aubrey Fox
Uma parte de mim ainda temia, bem lá no fundo, as consequências reais da presença da Giovanna na mansão. Eu seria hipócrita se dissesse que conviver sob o mesmo teto com a ex-noiva do homem que eu amo não me causava calafrios.
Mas outra parte, a maior e mais forte delas, estava mais feliz do que tudo. O Stan não recuou em nenhum segundo. Ele não se intimidou com a armação daquela sonsa em se enfiar na mansão, muito menos, tentou se afastar de mim por conta de ela carregar o filho dele.
Pelo contrário; ele estava se mostrando ainda mais atencioso, carinhoso e possessivo do que antes, demarcando o seu território na minha vida com uma firmeza que me dava total segurança.
— Eu posso muito bem ficar aqui no estacionamento e esperar por vocês até terminarem essas compras — Tristan disse, a voz rouca e mansa, enquanto continuava colado ao meu corpo, me prensando de leve contra a lataria do seu carro.
Dei um sorriso aberto, passando as mãos pelos ombros largos dele e depositando um beijo carinhoso em seu queixo, o fazendo soltar o ar em um suspiro de derrota.
— Amor, como diz a Taylor, este é um rolê estritamente entre meninas e crianças. Homens lindos, gostosos e grandões estão terminantemente proibidos de participar.
Tristan semicerrou os olhos verdes, me medindo de cima a baixo com um ciúme nítido e desconfiado que me fez querer rir.
— Você está linda demais para uma simples volta no shopping, Aubrey. Vocês não estão escondendo nada de mim de novo, né? Tem certeza absoluta de que é só um passeio de vocês?
Joguei a cabeça para trás, rindo com vontade do jeito possessivo dele. Envolvi meus braços ao redor do seu pescoço, enterrando meus dedos nos cabelos da sua nuca, e encarei as profundezas do seu olhar.
— Tristan, eu admito que escondi de você a nossa ida ao apartamento da Tiffany, mas juro que não estou mentindo agora. A Emma realmente precisa comprar o material escolar das crianças e a Tay quer aproveitar para olhar uns biquínis novos, já que vamos curtir o resto do verão todas juntas na mansão. Não tem absolutamente nada rolando além disso, eu prometo.
Tristan pareceu ceder ao meu argumento. Ele assentiu com a cabeça e, antes que eu pudesse prever, me puxou para um beijo de tirar o fôlego. Foi um beijo intenso, faminto, cheio de uma necessidade possessiva que nos fez esquecer completamente, por alguns segundos, que estávamos parados no meio do subsolo de um shopping movimentado.
Fomos abruptamente interrompidos pela voz cortante e divertida da Taylor, que vinha caminhando na nossa direção junto com as outras meninas.
— Só para lembrá-los que vocês dois estão em um ambiente público, viu, seus assanhados? Guardem isso para o quarto!
Tristan sorriu contra a minha boca, mantendo os lábios roçando nos meus por mais um milésimo de segundo. Senti o meu rosto esquentar de vergonha com o flagrante das minhas amigas, mas me mantive firme no abraço dele.
— Te amo… — ele murmurou em um sussurro quente contra a minha pele.
— Também te amo, meu amor. Muito… — respondi, dando um selinho rápido de despedida.
— Tudo bem, vou deixar vocês curtirem o rolê em paz — ele disse, começando a afastar as mãos da minha cintura para me libertar.
— Aí não, Stan… — respondi, sentindo uma irritação repentina me domar. — Só de pensar em mastigar qualquer coisa pesada agora, o meu estômago grita de repulsa. Eu já estou melhor, de verdade. Foi apenas uma tontura boba, pelo amor de Deus.
Ele apertou os dedos contra a minha cintura, irredutível.
— Então eu vou te colocar no carro e te levar direto para o hospital. Você vai tomar uma medicação na veia para o estômago. O que não dá é para você ficar em jejum completo e passando mal por teimosia.
Ele bufou, e eu revirei os olhos com desdém, sem a menor paciência para o drama dele.
— Eu não vou para hospital nenhum, Tristan! Eu já disse que estou bem. Daqui a pouco eu tento beliscar alguma coisa leve com as meninas na praça de alimentação.
— Aubrey, você vai me obedecer agora! Se não eu te jogo no ombro. Te coloco nesse carro, e te levo para o hospital à força. E você sabe que sou capaz disso.
Pior que sabia bem que ele era, pois foi exatamente isso que ele fez comigo naquela boate quando eu o confrontei. Mas hoje eu não ia baixar, amava esse jeito dele, mas de verdade ele estava exagerando.
Coloquei a mão na cintura, estufei o peito e o encarei antes de disparar.
— Quero ver você tentar, porque eu já disse que não vou a lugar algum!

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