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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 277

Cássio

Eu já lidei com situações de alta pressão.

Dezesseis anos de direito criminal. Julgamentos complexos. Ameaças reais. Uma perseguição de meses por um homem instável que rondava minha casa.

Nada disso tinha me preparado para aquele momento.

"André!" Eu chamei de novo, mais alto dessa vez, e vi quando ele se virou da mesa onde estava com a Laís, leu minha expressão em meio segundo, e já estava se levantando antes que eu chegasse até ele.

"O que foi?"

"A bolsa da Branca estourou."

Ele ficou parado por um segundo.

"Agora?"

"Agora."

"No casamento."

"No casamento, André."

Ele olhou para a Laís.

A Laís já estava de pé com a bolsa no ombro.

"O que vocês ainda estão esperando? " Ela disse, simplesmente.

O problema era que entre nós e o carro havia um salão inteiro de convidados.

A Vânia foi a primeira a perceber, porque a Vânia sempre percebia tudo primeiro e veio em nossa direção com aquela velocidade que desafiava a física, considerando a idade dela.

"É a Serena?", ela perguntou, chegando perto.

"É a Serena", eu confirmei.

Ela fechou os olhos por meio segundo com aquela expressão de quem está fazendo um cálculo interno, e então os abriu com uma determinação que eu só tinha visto antes quando ela estava organizando alguma coisa que precisava ser organizada imediatamente.

"Eu cuido dos convidados", ela disse. "Vocês vão."

"Mãe, diga a todos que..." Branca começou a falar, mas ela a interrompeu.

"A festa continua." Ela olhou para ela com carinho. "Vá cuidar da minha netinha agora. Isso é mais importante do que qualquer festa." Ela se virou para mim. "Agora vai, Cássio, antes que eu precise te dar um empurrão."

Nem questionei, só peguei a mão da Branca, ajudando-a a caminhar, enquanto Laís e André tentavam abrir espaço.

Mas tinha mais um problema: a notícia estava se espalhando.

Eu não sei como, talvez a Vânia tivesse avisado alguém, talvez alguém tivesse visto, talvez fosse aquela coisa inexplicável que acontece em reuniões de família, em que a informação circula mais rápido do que fisicamente possível, mas quando eu e a Branca estávamos atravessando o salão em direção à saída, as pessoas já sabiam.

"Boa sorte!"

"Vai dar tudo certo!"

"Corre que eu acho que tá vindo rápido!"

Essa última foi a amiga da Vânia, que eu nunca tinha visto antes daquele dia e que aparentemente tinha opiniões sobre velocidade de parto.

A Branca estava andando com aquela concentração de quem está gerenciando dor e movimento ao mesmo tempo, a mão apertada na minha, o vestido de noiva levantado alguns centímetros para facilitar os passos.

"Estou bem", ela disse, antes que eu perguntasse.

"Eu não disse nada."

"Você ia dizer."

"Eu ia perguntar se estava bem, sim."

"Estou bem." Ela pensou um pouco. "Relativamente."

"Relativamente."

"A contração está encurtando o tempo."

A Aelyn apareceu do nada ao nosso lado, com o Felipe logo atrás com aquela expressão de quem estava tentando entender o que estava acontecendo.

"A Serena vai nascer?", a Aelyn perguntou, com os olhos arregalados.

"Vai", eu disse, sem parar de andar.

"Hoje?"

"Hoje."

"No seu casamento?"

"Aparentemente ela achou que seria a melhor data."

A Aelyn considerou isso por um segundo com aquela seriedade dela.

"Ela é esperta", ela concluiu. "Quer nascer em um dia com festa."

"Aelyn, meu amor, se comporte, tá bem?" Branca disse.

"Eu quero ir também..."

"Agora não pode, mas assim que nascer a gente manda te buscar..."

"Vem", o Felipe disse, colocando a mão no ombro da Aelyn.

"Mas eu quero ir..." o beiço dela já estava posicionado para o choro.

"Eu cuido dela, tio. Vamos, Aelyn, a gente ia brincar com aquelas crianças ali."

Eles ficaram para trás, e eu ouvi a Aelyn ainda explicando alguma coisa para o Felipe enquanto nos afastávamos.

O carro estava na entrada do salão, o manobrista já tinha sido avisado por alguém, provavelmente a Laís, que tinha essa eficiência silenciosa de resolver coisas antes que você percebesse que precisavam ser resolvidas.

André abriu a porta traseira, eu ajudei a Branca a entrar com aquele cuidado que era agora misturado com urgência, e então fui para o lado do motorista antes que alguém oferecesse alternativa.

"Eu dirijo", eu disse.

"Cássio..." André começou.

"Eu dirijo."

Ele levantou as mãos e foi para o banco do passageiro.

A Laís entrou com a Branca atrás.

Eu liguei o carro e arranquei com ele.

O hospital ficava a vinte minutos do salão de festa.

Eu sabia disso porque eu tinha cronometrado. Duas vezes. Nas últimas semanas, eu sempre cronometrava quanto tempo demoraria para chegar ao hospital se a gente precisasse. Então onde a Branca estava, sempre tinha um mapa de como chegar no hospital mais rápido.

Mas o plano não incluía o casamento.

"Como você está?", eu perguntei, pelo retrovisor.

"Tentando não fazer força", Branca disse.

"Isso é bom."

"É o mínimo, concordo."

277. Da festa para o hospital 1

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