Aelyn
Quando abri os olhos, o mundo estava embaçado.
A primeira coisa que senti foi o peso no peito, não mais aquela dor sufocante, mas uma fraqueza profunda, como se meu corpo tivesse lutado uma guerra e finalmente rendido as armas. Pisquei devagar. As luzes eram suaves, os bips dos aparelhos constantes. UTI. Eu reconheci o cheiro de antisséptico e o som distante de monitores.
Três semanas. Foi o que me disseram depois. Três semanas entre a vida e a morte, entrando e saindo de um sono pesado, enquanto meu coração lutava para continuar batendo.
Virei a cabeça devagar e lá estava ele.
Felipe.
Sentado na poltrona ao lado da cama, inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto enterrado nas mãos. Ele estava… destruído. Tinha perdido muito peso. As olheiras eram profundas, quase roxas. A barba estava grande, o cabelo bagunçado. Ele parecia ter envelhecido anos em poucas semanas.
Meu coração, que parecia estar reaprendendo a bater, apertou de um jeito completamente diferente.
"Fê…", chamei, a voz rouca e fraca.
Ele levantou a cabeça num sobressalto. Quando seus olhos encontraram os meus, vi o exato momento em que ele se quebrou.
"Aelyn…?"
A voz dele falhou. Ele se levantou tão rápido que quase derrubou a cadeira e caiu de joelhos ao lado da cama, segurando minha mão com as duas dele como se tivesse medo que eu desaparecesse.
"Amor… você acordou. Meu Deus, você acordou…"
As lágrimas dele começaram a cair. Grossas, silenciosas no começo, depois soluçadas. Ele encostou a testa no dorso da minha mão, o corpo tremendo.
"Eu pensei que ia te perder… eu pensei que ia te perder todos os dias…"
Eu também comecei a chorar. Fraca, mas chorando. Passei os dedos trêmulos pelo cabelo dele, sentindo o quanto ele estava magro, o quanto tinha sofrido.
"Eu tô aqui… eu voltei. Desculpa ter demorado tanto…"
Ele levantou o rosto, os olhos vermelhos, inchados, cheios de um amor tão grande que doía olhar.
"Você não tem que pedir desculpa por nada. Você lutou. Você lutou tanto, meu amor. Eu que quase enlouqueci. Eu quase não aguentei… Você é muito mais forte que eu, Lyn. Muito mais."
Ele se inclinou e me beijou na testa, nas bochechas, nos lábios, beijos desesperados, cheios de gratidão, como se precisasse confirmar que eu era real.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz