Felipe
Depois de alguns minutos que pareceram uma eternidade, dois enfermeiros nos orientaram com uma gentileza quase cruel:
"Vamos levá-los para a ala de espera da família. É mais confortável. Vocês poderão ficar lá enquanto aguardamos notícias."
Eu mal conseguia andar. Meus pés pareciam pesados, como se o chão quisesse me puxar para baixo. Eles nos guiaram por um corredor longo e frio até uma sala reservada com sofás gastos e uma máquina de café que ninguém ousava tocar. Eu me sentei por dois segundos e levantei novamente. Andava de um lado para o outro como um animal enjaulado, as mãos na cabeça, o peito tão apertado que cada respiração doía.
O tempo não passava. Cada segundo era uma agonia lenta, uma faca girando no estômago. Eu imaginava Aelyn sozinha naquela sala, pálida, lutando por ar, lutando por vida. E eu aqui, inútil, esperando.
Finalmente, depois de quase três horas infernais, a Dra. Helena apareceu na porta, o rosto sério. Todos se levantaram de uma vez.
"Ela está estável", disse ela, sem rodeios. "Conseguimos controlar a hemorragia, mas ela perdeu muito sangue. Vamos precisar de doação urgente. Quem puder doar, por favor, se apresente agora."
Toda a família se prontificou imediatamente. Meu pai, Cássio, Rangel, eu… todos fomos fazer os exames. Enquanto esperávamos o resultado, a médica continuou, a voz baixa:
"A Aelyn vai ficar na UTI até que o coração volte a funcionar de forma mais estável. O quadro ainda é extremamente delicado. O Pedro também está na UTI neonatal, mas está respondendo bem aos cuidados. Ele é muito pequeno, mas forte."
Branca deu um passo à frente, a voz embargada, quase um sussurro:
"Posso vê-lo? Por favor… eu preciso ver o meu neto."
A médica olhou para mim. Eu assenti, sem forças para falar.
"Podem ir. Dois de cada vez."
Branca e Cássio saíram rapidamente com uma enfermeira. Eu fiquei parado, olhando fixamente para a porta que levava ao quarto da Aelyn, o coração martelando tão forte que parecia querer sair do peito.
"Posso vê-la?", perguntei, a voz rouca e quebrada.
"Só cinco minutos. Ela está com a imunidade muito baixa depois da perda de sangue. Você vai precisar usar máscara e touca."

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