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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 335

Aelyn

A sala dos Bayrons parecia pequena demais para tanta felicidade.

Todos falavam ao mesmo tempo, riam, choravam e se abraçavam. Mamãe ainda soluçava baixinho, repetindo o nome “Pedro” como se precisasse ouvir várias vezes para acreditar. Papai me apertava contra o peito, a mão grande tremendo nas minhas costas. Laís e André nos abraçavam alternadamente, os olhos vermelhos de emoção. Serena e Sophia pulavam como crianças, já discutindo nomes de titias e quem ia comprar o maior ursinho de pelúcia.

Felipe não soltava minha mão. Ele sorria, mas eu via a preocupação ainda presente no fundo dos olhos dele. Eu apertava os dedos dele de volta, tentando dizer sem palavras que estávamos juntos nisso.

Depois de quase meia hora de abraços e lágrimas, o clima começou a ficar mais sério. Branca e Cássio se entreolharam e, quase ao mesmo tempo, me puxaram para um canto da sala, perto da janela. Mamãe segurou minhas duas mãos, o olhar cheio de amor e medo.

"Filha… conta pra gente a verdade. Como está seu coração com tudo isso? O médico disse o quê exatamente?"

Papai estava ao lado dela, o maxilar travado, tentando se controlar.

"Não esconde nada de nós, Aelyn. A gente precisa saber. Se for perigoso demais, se tiver qualquer risco real… a gente precisa estar preparado. Amamos a novidade, mas sabemos que existem riscos."

Eu respirei fundo. A alegria do anúncio ainda estava no ar, mas a realidade da minha condição cardíaca pairava como uma sombra.

"Estamos fazendo acompanhamento com uma especialista indicada pelo Dr. Martins. Ela é referência em gestação de alto risco para transplantadas. Até agora os exames estão bons. O coração está estável, não há sinais de rejeição. Mas sim… é de alto risco. Vou ter que fazer consultas semanais, possivelmente internações preventivas mais pra frente. Vou ter que trocar alguns remédios." parei de falar analisando o rosto dos dois. "Mãe, pai, vai ser difícil, mas não impossível. Estamos cuidando de cada detalhe, mas nos preparando para quando meu coração precisar mais do que os cuidados de agora."

Mamãe apertou minhas mãos com mais força, os olhos marejados.

"Você não precisa ser forte o tempo todo, meu amor. Se sentir qualquer coisa, tontura, falta de ar, dor, nos avisa. Qualquer hora do dia ou da noite. A gente vai estar aqui. Seu pai, eu, o Felipe… todo mundo."

Papai passou a mão no rosto, visivelmente angustiado.

"Eu quase te perdi uma vez. Não quero passar por isso de novo. Não esconda nada da gente, Aelyn. Absolutamente nada."

Eu senti um nó na garganta. Eles estavam felizes pelo bebê, mas o medo de me perder era maior. Eu entendia. Eu também tinha medo.

"Eu sei, pai. Eu prometo que não vou esconder nada. Vamos fazer tudo certo. O Pedro vai chegar para nos fortalecer ainda mais."

Enquanto conversávamos, o resto da família se aproximou devagar. Laís foi a primeira a perguntar:

"Como vai ser o acompanhamento? Tem alguma coisa que a gente possa fazer pra ajudar? Eu posso ficar com você nas consultas, posso pesquisar especialistas, posso…"

André completou:

"Qualquer coisa. Dinheiro, tempo, apoio… a gente tá junto nisso. Vocês três tem todo nosso amor."

Serena e Sophia também se aproximaram, os rostos cheios de preocupação misturada com empolgação.

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