Sophia
Um ano e oito meses haviam se passado desde que tudo começou a se ajeitar.
Eu tinha finalmente decidido: queria estudar Arquitetura. Entrei na faculdade, mergulhei nos estudos e descobri que era exatamente o que eu amava. Agora, estava de férias, e a família toda resolveu fazer uma viagem para celebrar a vida que tínhamos reconstruído. Escolhemos uma praia paradisíaca na Flórida, areias brancas, mar turquesa, coqueiros balançando com a brisa. Um lugar que parecia saído de um sonho.
Rangel conseguiu férias no mesmo período e veio com a gente. Ele e Felipe agora se davam bem de verdade. Meu irmão ainda fazia cara feia de vez em quando, mas via o quanto Rangel me fazia feliz e, aos poucos, foi aceitando.
Meu pai, que também tinha sua implicância, tinha aceitado mais cedo meu namoro, do que meu irmão ciumento. Mesmo com todos os problemas que ele tinha, mais o filho pequeno e a esposa em recuperação, ele adorava dar palpite no meu namoro.
"Aqui é lindo." Sussurrei e Rangel me olhou com um sorriso terno.
Estávamos andando na praia no final da tarde, só nós dois. O sol se punha no horizonte, pintando o céu de laranja, rosa e dourado. A areia estava morna sob nossos pés descalços. Eu segurava a mão dele, sentindo o vento bagunçar meu cabelo.
Rangel parou de repente, virando-se para mim. Seus olhos negros estavam mais suaves do que nunca.
"Sophia… eu preciso te dizer uma coisa."
Eu parei, sorrindo.
"O que foi?"
Ele segurou minhas duas mãos, acariciando os polegares sobre minha pele.
"Eu passei a vida inteira achando que sabia o que era amor. Achei que tinha vivido isso com outra pessoa. Mas quando você apareceu de verdade na minha vida… eu entendi que nunca tinha sentido nada parecido. Você é leve. É pura. É forte de um jeito quieto que me desarma todos os dias. Você me faz querer ser um homem melhor. Me faz querer construir um futuro. Me faz acreditar que vale a pena esperar, que vale a pena lutar."
Meu coração já estava acelerado. Ele continuou, a voz rouca de emoção:
"Eu te amo, Sophia. Amo do jeito que nunca amei ninguém. E eu não quero mais esperar. Não quero mais ‘vamos ver no que dá’. Eu quero você pra sempre. Não quero só ser eu ou só você, quero o nós. Hoje, agora e sempre.
Ele soltou minhas mãos e se ajoelhou na areia, tirando uma caixinha do bolso. Quando abriu, o anel brilhou sob a luz do pôr do sol, um diamante solitário, delicado, perfeito.
"Sophia Bayron… você quer casar comigo?"
Eu cobri a boca com as mãos, as lágrimas descendo imediatamente. Meu corpo inteiro tremia.
"Você tá falando sério? De verdade?" não parecia real, as vezes eu me perguntava quando aquele homem maravilhoso tinha olhado pra mim de verdade. Quando ele me escolheu e agora... agora parecia um sonho novamente.
"Eu nunca falei tão sério em minha vida. Desde quando começamos a sair, eu sentia uma paz diferente com você. Era como se finalmente eu tivesse encontrado minha paz." meus olhos não paravam de verter em lágrimas.
"Sim… sim, Rangel! Claro que sim!"
Ele se levantou, colocou o anel no meu dedo e me beijou com tudo que tinha. Um beijo profundo, emocionado, cheio de promessas. Eu chorei contra a boca dele, rindo e chorando ao mesmo tempo.
"Eu te amo tanto…", sussurrei entre os beijos.
"Eu te amo mais."
Voltamos para o hotel de mãos dadas, os corações leves. O quarto tinha uma varanda com vista para o mar, as luzes do fim de tarde ainda pintando tudo de dourado. Assim que a porta se fechou, eu tomei uma decisão.
Eu não queria mais esperar.
Depois de quase dois anos juntos, Rangel tinha me respeitado como ninguém. Ele nunca pressionou, nunca reclamou. Mas eu sabia que faltava algo: coragem. Eu tinha medo de não ser boa o suficiente, de ele me achar ingênua, sem graça, ou pior, de decepcioná-lo.

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