Aelyn
Estávamos abraçados na cama, pele com pele, o corpo dele quente contra o meu. Felipe traçava círculos lentos nas minhas costas com a ponta dos dedos, o coração dele batendo firme contra o meu ouvido. Eu me sentia completa, exausta e absurdamente feliz.
"Você está sentindo alguma coisa? Dor? Desconforto?", perguntou baixinho, preocupado como sempre.
Eu neguei com a cabeça, sorrindo contra o peito dele.
"Não. Estou feliz. Muito feliz."
Ele soltou um suspiro aliviado e me apertou mais forte.
"Isso é o suficiente pra mim."
Ele me beijou novamente, um beijo lento e profundo, cheio de promessas. Quando se afastou, os olhos dele brilhavam.
"Vou trazer as coisas pra gente comer aqui no quarto. Não quero sair dessa cama agora."
Eu concordei, ainda sorrindo. Ele me deu mais um beijo na testa e saiu do quarto só de cueca boxer. Eu fiquei mais um momento deitada, sentindo o cheiro dele no travesseiro, antes de me levantar. Hoje parecia diferente da primeira vez. Hoje parecia mais nosso, mais intenso.
"Isso é uma loucura." mordi a boca pensando em como eu estava ainda mais apaixonada por ele do que antes, se é que isso poderia ser possível.
Me levantei da cama, olhando para os lençois remexidos e pensando nas sensações que ainda estavam por todo o meu corpo.
"Para de sonhar, mulher." me repreendi e me levantei indo para o banheiro.
Tomei um banho rápido, apenas para tirar os resquícios do sexo. Quando saí, me sequei e vesti uma das camisetas dele, que ficava enorme em mim. Voltei para o quarto e parei na porta, surpresa.
Felipe tinha arrumado tudo na cama. Havia um prato grande com salmão grelhado ao molho de limão siciliano, risoto cremoso de parmesão, legumes assados com ervas, uma tábua de queijos e frios selecionados, uvas, morangos frescos e uma garrafa de suco de laranja natural bem gelado. Duas taças, velas acesas e uma florzinha branca que ele devia ter pegado no vaso da sala.
"Nossa… tudo isso pra quê?", perguntei, rindo.
Ele sorriu, um pouco tímido.
"Pra comemorar. Que estamos bem. Que nosso filho está chegando." Ele respirou fundo, nervoso, e então se ajoelhou no chão ao lado da cama. "E porque eu quero saber se você quer se casar comigo."
Meu coração parou.
Ele abriu uma caixinha preta pequena. Dentro havia um anel delicado de ouro branco com um diamante solitário brilhante, simples e perfeito.
Eu comecei a chorar na hora.
"Felipe?" falei ainda em choque com o pedido.
"Aelyn… eu passei anos te amando em silêncio. Anos fingindo que você era só minha amiga, só minha prima postiça, quando na verdade você já era o centro de tudo pra mim. Eu tive medo. Medo de estragar nossa amizade, medo de perder você, medo de não ser suficiente. Mas agora… agora eu não tenho mais medo de te amar. Eu tenho medo é de viver sem você."

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