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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 255

Branca

Acordei com o cotovelo da Aelyn no meu pescoço.

Não era a primeira vez, ela tinha esse talento específico de ocupar o máximo de espaço possível numa cama, independente do tamanho dela ou da cama, e naquela manhã tinha conseguido se instalar exatamente entre mim e o Cássio com uma diagonal impressionante.

Fiquei quieta por um segundo, ouvindo a respiração dela, sentindo o peso dela contra mim, e sorri antes mesmo de abrir os olhos direito.

O Cássio já estava acordado. Eu sabia, antes de virar o rosto, tinha aquele silêncio específico dele de quem está deitado, mas pensando, que eu já aprendi a reconhecer.

Ele me olhou por cima da Aelyn.

Fizemos aquele gesto silencioso de pais que têm uma criança dormindo entre eles e não querem acordar, sobrancelha levantada, sorriso contido, o tipo de comunicação que não precisa de palavra.

Então a Aelyn se mexeu, virou de lado, e enfiou o joelho no meu estômago.

Decidi que era hora de levantar, ou a Serena que ficaria prejudicada.

Cássio piscou para mim, e fui direto para o banheiro.

O chuveiro estava quente e eu fiquei mais tempo do que precisava, deixando a água cair e organizando mentalmente o dia. Não havia urgência naquela manhã, nenhum prazo, nenhuma ameaça esperando do lado de fora, nenhuma coisa pesada precisando ser resolvida antes do café.

Era uma sensação estranha.

Boa, mas estranha. Como um músculo que ficou tenso por tanto tempo que quando relaxa você quase não reconhece a sensação.

Me vesti devagar, ouvi o Cássio entrar no banheiro enquanto eu saía, e parei na porta do quarto por um segundo ouvindo os sons da casa.

Vozes lá embaixo. A voz da minha mãe, inconfundível. Algo que cheirava a café e manteiga quente subindo pela escada.

E então a voz da Aelyn, que tinha acordado em algum momento entre eu sair da cama e chegar à porta.

"Tô com fome..." Olhei pela porta e Cássio riu.

"Bom, era isso que eu ia dizer. Vou me trocar pra descer com ela."

"Deixa que eu faço isso." me coloquei na ponta dos pés e o beijei. "Bom dia."

"Bom dia." ele sorriu e me abraçou.

"Mamãe... eu quero um pãozinho...." ri de novo e me afastei do Cássio.

"Claro meu amor, vamos descer." Fui até a cama e a ajudei a descer e fomos em direção sala de jantar, onde o café da manhã jpa estava servido.

A Tamara tinha deixado a mesa posta antes de qualquer um descer, era assim que ela fazia, silenciosa e eficiente, aparecendo antes de todo mundo e deixando tudo no lugar certo sem fazer alarde. Pão fresco, manteiga, geleia, frutas cortadas, café passado na hora. Uma bandeja com suco que eu nem sabia que tínhamos feito.

A Vânia estava sentada na cabeceira com aquela postura dela de quem está supervisionando tudo mesmo sem fazer nada. O André estava de pé com uma xícara na mão, de cabelo bagunçado, com aquela cara de quem acordou há pouco, mas fingia que não. A Laís estava sentada ao lado do Felipe, que tinha as mãos em volta de uma caneca e virava levemente o rosto acompanhando os sons da conversa.

"Bom dia", eu disse.

Uma variação de bom dias voltou de todos os lados ao mesmo tempo.

"Você dormiu bem?" A Laís me olhou com aquele sorriso de manhã dela.

"A Aelyn dormiu com vocês de novo?" O André me olhou com a expressão de quem já sabe a resposta.

"Com cotovelo e joelho inclusos, sim." A menina me olhou com curiosidade.

Ele riu.

"Não é nada que eu já não esteja acostumada." Lais e André riram.

Aelyn foi sentar ao lado do Felipe com aquela naturalidade de sempre, pegou uma torrada antes mesmo de se acomodar direito, e começou a passar geleia com uma concentração que ela raramente dedicava a qualquer outra coisa.

"Bom dia, Felipe", ela disse, sem olhar para ele, completamente focada na torrada.

"Bom dia." Ele sorriu de lado. "Você demorou."

"Minha mãe estava tomando banho. Tive que esperar." estreitei os olhos para ela e olhei para os outros que cobriam a boca.

255. Café da manhã 1

255. Café da manhã 2

255. Café da manhã 3

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