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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 242

Jonathan

O noticiário estava no volume baixo, mas eu ouvi.

Sempre ouço o que importa.

"...mulher encontra-se desaparecida após sinais de luta em hotel na zona sul da cidade. Autoridades investigam possível sequestro..."

Eu desliguei a televisão.

Fiquei sentado no silêncio do apartamento por um momento, olhando para o nada, e então sorri.

Não era um sorriso de alegria, era aquele outro tipo, o que vem quando uma peça cai exatamente no lugar que você calculou, sem que você precise empurrar nada.

Emily.

Ela tinha achado que eu ia atrás dela pessoalmente. Que eu ia sujar as mãos com ela, perder tempo, deixar rastro. Era exatamente esse tipo de erro que ela sempre cometeu, me subestimar. Achar que eu agia por raiva, por impulso, que era igual a ela.

Não era.

Eu tinha levado três dias para descobrir quem estava atrás dela. Não foi difícil, Emily tinha acumulado inimigos com a mesma eficiência com que acumulava mentiras, e bastou puxar o fio certo para encontrar quem queria sua localização com mais urgência. Passei a informação adiante sem deixar nome, sem deixar número, sem deixar nada que pudesse voltar pra mim.

Pedi apenas descrição e não cobrei nada em troca, apenas que ela desaparecesse.

E então esperei.

Eles fizeram o trabalho e eu nem precisei estar lá.

Me levantei, fui até a janela, olhei para a rua lá embaixo. A cidade seguia o ritmo de sempre, carros, pessoas, o mundo inteiro se movendo sem saber que eu existia. Era assim que eu preferia. Invisível. Presente. Sabendo mais do que todos imaginavam.

Como agora.

Consegui sair do buraco onde eu estava, por jogar os holofotes em Emily e fazer minha irmã recuar. Mas isso não queria dizer que eu estava seguro, queria dizer apenas que eu poderia continuar me movimentando com cautela.

Eu sabia que o juiz estava montando guarda em sua casa. Sabia da segurança reforçada, dos carros que circulavam no perímetro, do delegado que tinha sido acionado. Sabia que eles achavam que estavam protegidos.

Achavam.

Sensação de segurança era a ferramenta mais útil que existia, deixava as pessoas descuidadas, deixava a guarda baixar nos momentos errados. Já tinha provado para eles, que deixar a segurança em mãos de terceiros era relativamente perigoso. E ia mostrar de novo.

Peguei o celular da mesa e abri as fotos. As fotos da minha mulher.

Sim, ela ainda era minha, mesmo que um papel dissesse que não.

242. Próximos passos 1

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