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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 241

André

Acordei antes do alarme.

Fiquei quieto por um segundo, olhando pro teto, deixando a consciência voltar devagar, os sons da casa, a luz fina entrando pela fresta da cortina, o peso do cobertor. E então virei o rosto para o lado e o vi.

Felipe estava na caminha improvisada, de lado, o rosto relaxado, a respiração lenta de quem ainda está bem fundo no sono.

Fiquei olhando por mais tempo do que devia.

Tinha algo absurdo naquilo, absurdo de bom, daquele tipo que ainda não cabe direito dentro de mim. Meu filho dormindo a alguns metros de distância, num quarto que não era o dele ainda, numa casa que ele ainda estava aprendendo, e mesmo assim com aquela paz no rosto que me desarmava toda vez.

Virei o rosto para o outro lado.

Laís dormia de costas para mim, o cabelo espalhado no travesseiro, a respiração tranquila. Eu fiquei olhando para ela também, sentindo aquela coisa que não tem nome certo, gratidão, talvez, ou alguma coisa maior que gratidão, que ainda estava aprendendo a reconhecer. Por que não podia ser só amor. Parecia tão pouco dizer que eu só amava aquela mulher. Eu... eu sentia bem mais que isso... eu me sentia...

Sortudo.

Era isso. Eu era incrivelmente sortudo.

Pensei na Emily por um segundo, involuntariamente, e o pensamento veio acompanhado daquele peso que eu conhecia bem, não era preocupação exatamente, era mais como uma pedra no sapato que eu não conseguia tirar ainda. Precisava falar com o Cássio mais tarde, ver se tinha alguma novidade.

Mas não agora.

Agora eu tinha que cuidar de mim e dos meus primeiro. Fui até o banheiro e, quando voltei, Felipe estava sentado na caminha, a cabeça levemente inclinada, atento ao som dos meus passos.

"Bom dia, filho."

O canto da boca dele subiu.

"Bom dia."

"Tá tudo bem?"

"Tá sim, eu só...." Ele mexeu levemente as mãos no colo. "Preciso ir ao banheiro."

"Vem, eu te ajudo."

Fui com ele até a porta, orientei o espaço com calma, e saí para dar o momento dele. Fiquei do lado de fora, encostado na parede do quarto e foi exatamente quando ouvi o movimento atrás de mim.

Laís estava acordando e me virei para ver a cena. Ela estava se espreguiçando e senti falta das camisolas minúsculas que ela usava quando estávamos só nós dois no quarto. Lentamente, ela se sentou na cama, o cabelo ainda bagunçado, me olhando com aquele sorriso de manhã que ela tem, meio sonolento, meio presente, meio sedutor.

Fui até ela sem pensar, me sentei na beira da cama e a envolvi num abraço que ela retribuiu de imediato, os braços dela fechando nas minhas costas.

"Bom dia", ela murmurou perto do meu ombro.

"Bom dia." Fiquei assim por um segundo. Ficamos assim por um tempo. Era o nosso momento.

"O Felipe já acordou?"

"Sim, está no banheiro. Ele parece animado e ansioso, o que preparou para ele hoje?" ela se afastou, me olhando.

"Estava pensando que hoje a gente poderia ir até a escola da Aelyn. Matricular o Felipe, deixar ele conhecer o espaço." a olhei por um tempo a mais.

"Acha que eles dão conta?" ela deu de ombros.

"Não sei, por isso temos que ir conhecer." concordei com ela.

"E tem o médico também."

"Sim, temos que agendar uma avaliação, mas temos que respeitar o tempo dele também. Precisamos ver com ele o que ele quer."

Ela assentiu, e eu vi quando aquilo acendeu alguma coisa nos olhos dela, aquela determinação silenciosa que ela tem.

"Vamos conversar com ele e marcar o que ele escolher."

Felipe saiu do banheiro e eu fui até ele, a mão pousando de leve no ombro.

241. Primeiros passos 1

241. Primeiros passos 2

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