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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 93

O silêncio entre nós ficou pesado depois da minha pergunta.

Al Rashid continuava me olhando fixamente, como se tentasse entender até onde eu iria.

Até onde eu precisava ir para me sentir segura.

Porque amor…

Amor sozinho não sustentava uma mulher em um país onde ela não conhecia completamente as regras.

E eu já tinha aprendido isso da pior forma possível.

Ele respirou fundo antes de finalmente perguntar...

— O que teria nesse contrato?

A voz dele saiu calma.

Sem deboche.

Sem arrogância.

Aquilo me deu coragem para continuar.

Me ajeitei melhor na cama antes de responder.

— Segurança.

Ele franziu levemente a testa.

— Segurança pra mim e pra Aisha.

Completei.

— Porque eu estaria deixando meu país, minha cultura, minha vida inteira, pra viver uma realidade completamente diferente da minha.

Ele permaneceu em silêncio.

Então continuei...

— Você é um Sheik, Al Rashid. Você nasceu dentro de um sistema onde homens têm permissões que mulheres não têm. E eu não cresci assim.

Os olhos dele ficaram atentos.

— Aqui no Brasil, um homem que trai é um marido infiel. Lá, vocês chamam de direito.

Ele desviou o olhar por um segundo.

E aquilo já foi uma resposta enorme.

— Eu não estou julgando sua cultura.

Falei mais calma.

— Mas também não posso fingir que conseguiria viver feliz aceitando coisas que me destruiriam emocionalmente.

Ele voltou a me olhar.

— Você realmente acha que eu seria capaz de fazer isso com você depois de tudo?

Meu peito apertou.

Porque eu queria dizer não.

Queria confiar completamente nele.

Mas a vida tinha me ensinado que mulheres precisam pensar além do amor.

— Eu não sei quem você será daqui cinco anos.

Respondi com sinceridade.

— Nem daqui dez.

Vi aquilo atingir ele profundamente.

Mas continuei mesmo assim.

— Hoje você está apaixonado por mim. Hoje você quer ser melhor. Hoje você olha pra mim e pra Aisha como se fôssemos seu mundo.

Respirei fundo.

— Mas e se um dia isso mudar?

O quarto ficou silencioso novamente.

— E se você voltar a ser o homem arrogante que conheci em Dubai?

Perguntei baixo.

— E se você decidir que quer outras mulheres? Outras esposas? Outras concubinas?

A mandíbula dele travou.

— Isso não vai acontecer.

— Mas pode.

Falei imediatamente.

— Porque as leis do seu país permitem. Porque a cultura permite. Porque você cresceu vendo isso como algo normal.

Ele passou a mão no rosto lentamente.

Visivelmente tentando controlar as emoções.

— Então é isso?

Perguntou rouco.

— Você acha que eu vou destruir nossa família?

— Não.

Respondi na mesma hora.

— Eu tenho medo de depender completamente de alguém num lugar onde eu sempre estarei em desvantagem se as coisas derem errado.

Dessa vez ele não respondeu.

Porque no fundo…

Ele sabia que eu estava certa.

Aproximei um pouco mais meu corpo dele antes de continuar.

— Eu preciso de um contrato que me proteja.

— Como?

Perguntou baixo.

Respirei fundo.

— Primeiro… eu quero exclusividade.

Ele franziu a testa.

— Explique.

— Nada de outras esposas. Nada de concubinas. Nada de amantes. Nada de mulheres escondidas atrás das permissividades do seu país.

Falei olhando diretamente nos olhos dele.

— Se você quiser viver comigo, vai viver como um homem casado nos padrões que eu acredito.

O silêncio ficou pesado.

Porque eu sabia o tamanho daquilo.

Estava impondo limites a um homem que nasceu acreditando que poderia ter quantas mulheres desejasse.

— E se eu descumprir?

Perguntou.

Meu coração apertou.

Mas respondi mesmo assim.

— Divórcio imediato.

Os olhos dele escureceram.

— E eu volto para o Brasil com a nossa filha.

A tensão aumentou imediatamente.

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