Eu nunca fui uma mulher difícil de impressionar.
As pessoas costumavam acreditar nisso porque viam o dinheiro ao redor de Al Rashid, os carros, os seguranças, o poder, as extravagâncias. Mas a verdade era que nada disso me atingia da forma que atingia outras mulheres.
O que realmente me desmontava, eram os detalhes.
E naquela noite, desde o momento em que entramos no helicóptero, eu percebi que Al Rashid havia preparado cada detalhe pensando em mim.
Não na mulher que ele desejava.
Mas na mulher que ele amava.
O voo até a ilha foi silencioso em vários momentos, não por desconforto, mas porque existia algo extremamente intenso entre nós dois. Uma expectativa quase palpável.
Eu sentia o olhar dele em mim o tempo inteiro.
Nas minhas pernas.
Na minha boca.
No meu pescoço.
Como se quarenta dias de espera tivessem deixado aquele homem perigosamente perto de perder o controle.
E talvez tivesse mesmo.
Às vezes eu flagrava ele respirando fundo discretamente, como se estivesse tentando manter o restante da sanidade intacto.
E aquilo mexia comigo.
Muito.
Quando o helicóptero finalmente pousou, eu achei que estava preparada para qualquer coisa.
Mas não estava.
A casa parecia saída de um filme.
Isolada.
Luxuosa.
Silenciosa.
O mar cercava tudo ao redor, e as luzes suaves espalhadas pela propriedade deixavam o lugar ainda mais bonito.
Mas o pior de tudo…
Era a forma como ele me olhava naquele ambiente.
Como se eu pertencesse ali.
Como se aquela fosse realmente nossa vida.
Desci do helicóptero tentando manter a compostura, mas Al Rashid segurou minha mão imediatamente, entrelaçando os dedos nos meus de um jeito firme e possessivo.
E pela primeira vez…
Aquilo não me assustou.
Aquilo me trouxe paz.
A casa tinha cheiro de madeira nobre, mar e velas aromáticas.
Tudo parecia intimista.
Quente.
Nosso.
Al Rashid me observava enquanto eu explorava o ambiente devagar, e em vários momentos eu pegava ele sorrindo sozinho.
A tensão entre nós aumentou desde o instante em que entramos naquela casa.
Cada toque parecia ganhar outro significado.
Cada aproximação fazia meu corpo inteiro reagir.
Quando ele me levou até a mesa de jantar, eu tentei me concentrar na comida, na conversa, no vinho…
Mas era impossível.
Al Rashid estava impossível.
Ele me olhava como se estivesse faminto.
E Deus…
A forma como aquele homem me desejava era quase intimidante.
Só que diferente do passado, agora não existia medo.
Existia entrega.
Eu percebia nos olhos dele que ele estava tentando desacelerar por minha causa.

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