Ao entrar em casa, fui dando ordens para todos que cruzaram meu caminho.
— Liga para a babá e manda ela vir mais cedo hoje.
Entreguei Aisha cuidadosamente para a cozinheira, que ficou me encarando sem entender nada.
Continuei andando pela sala como um homem completamente fora da própria sanidade.
Júlia vinha atrás de mim tentando entender o que estava acontecendo.
Ou melhor…
Tentando não morrer de rir.
— E vocês…
Apontei para dois dos meus homens.
— Arrumem uma casa isolada. Hoje.
Eles assentiram imediatamente.
— Senhor, temos algumas propriedades...
— Não. Eu quero isolamento absoluto.
Passei a mão no rosto.
— Uma ilha. Um lugar no meio do nada. Sem pessoas. Sem interrupções. Sem bebê chorando no momento errado.
Júlia gargalhou alto atrás de mim.
— Você está surtando.
Ignorei completamente.
— Se não existir uma ilha em São Paulo, comprem uma. Se não tiver uma casa, construam uma até a noite chegar.
Os homens tentaram manter a postura séria.
Mas um deles claramente quase riu.
Júlia já estava praticamente dobrada de tanto rir da minha cara.
— Meu Deus, você realmente perdeu o juízo.
Parei no meio da sala e olhei diretamente pra ela.
— Você faz ideia do que estou passando há quarenta dias?
Ela cruzou os braços tentando esconder o sorriso.
— Acho que sim.
Me aproximei lentamente.
— Não. Você não faz.
A voz saiu mais baixa.
Mais perigosa.
O sorriso dela vacilou imediatamente.
Ótimo.
Porque eu também queria deixar aquela mulher nervosa.
Muito nervosa.
Mas então Aisha começou a resmungar no colo da cozinheira e Júlia imediatamente desviou de mim para ir atrás da nossa filha.
E eu fiquei parado no meio da sala respirando fundo como um homem à beira de um colapso emocional.
— Ela definitivamente faz isso de propósito.
Murmurei sozinho.
As próximas horas foram um caos.
Mas um caos estranhamente feliz.
Enquanto Júlia alimentava Aisha e organizava tudo para deixar leite armazenado para a noite, eu transformei minha rotina numa operação quase militar.
A cada dez minutos eu recebia fotos de propriedades.
Casas.
Ilhas particulares.
Helipontos.
Marinas.
Até que finalmente um dos meus homens encontrou o lugar perfeito.
Uma pequena ilha privada no litoral paulista.
Acesso apenas por helicóptero ou barco.
Casa moderna.
Vista absurda.
Isolamento total.
Perfeito.
Absolutamente perfeito.
— Prepararem tudo.
Ordenei imediatamente.
— Quero jantar pronto. Flores. Velas. E ninguém perto daquela casa depois que eu chegar.
— Sim senhor.
Desliguei satisfeito.
Quando voltei para a sala, encontrei Júlia sentada no tapete da sala com Aisha dormindo no colo.
E aquela cena me desmontou completamente outra vez.
Ela levantou os olhos na minha direção.
— Você está assustadoramente animado.
Me ajoelhei na frente dela.
— Porque hoje você finalmente vai ser minha sem restrições.
As bochechas dela ficaram vermelhas imediatamente.
E meu Deus…
Ela continuava ficando tímida comigo.
Aquilo acabava comigo.
— Não fala assim.
Murmurou desviando o olhar.
Segurei delicadamente o queixo dela.
— Você não faz ideia do quanto esperei por isso.
Ela respirou fundo lentamente.
E por alguns segundos o clima ficou perigosamente intenso.
Até Aisha se mexer no colo dela.
Júlia soltou uma risada nervosa.
— Nossa filha realmente escolhe os piores momentos.
Levantei imediatamente.
— Ótimo. Isso significa que ainda temos algumas horas até ela começar a sentir saudades da mãe.
Júlia arregalou os olhos.
— Al Rashid!
Sorri sem vergonha nenhuma.
— Vai se arrumar.
— O quê?
— Você ouviu.
Ela estreitou os olhos.

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