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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 1

JÚLIA

*

O espelho não mentia. Ele mostrava tudo. A pele, a curva da cintura, os seios expostos, a insegurança estampada no meu rosto, eu estava nua. Literalmente. E, pela primeira vez, não por descuido ou intimidade, mas por obrigação, por necessidade, por desespero.

Nunca pensei que chegaria a esse ponto.

Ali, parada em frente à câmera, eu tentava parecer confiante. Tentava parecer o que eles queriam que eu fosse, desejável, segura, ousada. Mas a verdade é que minhas pernas tremiam, meu estômago parecia um nó apertado, meus olhos fugiam do fotógrafo, da mulher com a prancheta, da gerente da agência que me observava com um olhar cirúrgico, como se estivesse avaliando um pedaço de carne rara.

Tudo começou quando minha mãe adoeceu.

Ela sempre foi meu porto seguro, minha fortaleza, e agora estava definhando em uma cama, esperando por exames e tratamentos que eu simplesmente não conseguia pagar.

Dançar na boate já não bastava, o dinheiro sumia antes mesmo de chegar. Foi aí que Rebeca, uma das meninas do camarim, me puxou para o lado e disse, com uma naturalidade quase cruel...

— Você não precisa se matar na boate. Tem gente que pagaria uma fortuna pra passar uma noite com você. Morena, novinha, com esse corpo… Dá até pra virar acompanhante de luxo.

No começo eu ri, depois, chorei, e por fim, aceitei.

Consegui o contato de uma agência de alto padrão. Me disseram que ali não era “qualquer uma” que entrava. Eles escolhiam a dedo. E eu fui selecionada para a avaliação.

O lugar era lindo, frio, silencioso, impecável. Mármore no chão, paredes claras, cheiro de perfume importado. Nada parecido com o cheiro de álcool e cigarro da boate. Mas, mesmo assim, eu me sentia suja.

Me pediram para colocar um robe de seda, leve demais, transparente demais.

Depois, me levaram para uma sala com luzes fortes, câmeras, e três pessoas me olhando como se eu fosse um produto em exposição. A maquiadora me retocou os lábios, ajeitou meus cabelos e sussurrou...

— Fica tranquila. Você é linda.

Mas eu não estava tranquila, eu estava despedaçada por dentro.

Me pediram para tirar o robe. Primeiro hesitei, depois, obedeci. Fiquei ali, com os braços cruzados sobre o peito, tentando proteger o que podia.

— Pode abaixar os braços?

Alguém pediu, gentil, mas impessoal.

Engoli seco e fiz o que me pediram. Me senti completamente vulnerável.

As fotos começaram, de frente, de lado, de costas, com os cabelos caindo sobre os seios, depois totalmente puxados para trás. “

— Agora mais sensual, Júlia... Tenta imaginar alguém que você deseja.

Eu não conseguia imaginar ninguém, só a minha mãe, só o hospital, só o medo.

— Abre as pernas Júlia, como se estivesse prestes a mostrar o útero.

CAPÍTULO 1 1

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