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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 91

Enquanto Al Rashid tomava banho, fechei os olhos e tentei dormir outra vez.

Meu corpo parecia desligar por pequenos períodos, mas nunca descansava de verdade. O sono vinha fragmentado, interrompido pela adrenalina do parto, pela amamentação, pelas emoções acumuladas e principalmente pela presença dele dentro da minha casa.

E isso era o mais perigoso de tudo.

Porque bastava eu fechar os olhos para lembrar do corpo dele atravessando o quarto completamente sem vergonha alguma.

Suspirei irritada comigo mesma.

— Para de pensar nisso, Júlia.

Murmurei baixinho antes de finalmente apagar.

Não faço ideia de quanto tempo dormi.

Mas, quando acordei, o quarto já estava escuro.

Demorei alguns segundos para entender onde estava, até o desespero bater no meu peito.

Aisha.

Levantei da cama rápido demais e senti o corpo reclamar imediatamente. Ainda havia dor. Ainda havia o peso do pós-parto. Mas nada disso importava quando o medo me atingia.

Saí do quarto praticamente correndo pelo corredor.

E então encontrei a cena.

Al Rashid estava sentado na poltrona do quarto da nossa filha, segurando ela nos braços enquanto cantava baixinho em árabe.

A luz suave do abajur iluminava parcialmente o rosto dele.

E meu coração simplesmente desacelerou.

Porque aquela imagem parecia absurda demais para ser real.

O homem que um dia me aprisionou em Dubai agora embalava nossa filha como se tivesse nascido para aquilo.

Ele levantou os olhos na minha direção imediatamente.

— Ela não chorou para mamar?

Perguntei preocupada.

— Não. Mas você dormiu exatamente três horas. Eu ia acordar você de qualquer forma.

Olhei surpresa.

— Você fez seu dever de casa.

Ele sorriu de leve.

— Quero ser o melhor pra vocês duas, Júlia.

Meu peito apertou outra vez.

Aquele homem realmente parecia disposto a mudar o próprio mundo por nós.

E isso me assustava.

Porque começava a desmontar todas as barreiras que eu havia construído contra ele.

— Me dá ela.

Falei rapidamente, desviando mais uma vez de qualquer conversa emocional.

Ele se aproximou sem discutir e colocou Aisha cuidadosamente nos meus braços.

Nossa filha imediatamente se aconchegou em mim.

Meu coração derreteu.

Sentei na poltrona e comecei a amamentá-la.

Al Rashid continuava me observando em silêncio.

E aquilo começava a me deixar nervosa.

— Agora vai você dormir.

Falei sem olhar diretamente pra ele.

— Já chega de esforço por hoje. E eu não estou pedindo.

Ele soltou uma risada baixa.

— Está aprendendo rápido a mandar em mim.

— Talvez alguém precise fazer isso.

Ele sorriu outra vez.

Mas, dessa vez, aceitou.

Dava para ver o cansaço estampado nele.

As olheiras.

Os ombros pesados.

O jeito como parecia lutar contra o próprio corpo para continuar acordado.

Ele se retirou do quarto, e eu fiquei ali com Aisha por bastante tempo.

Depois que ela terminou de mamar, coloquei ela para arrotar com todo cuidado do mundo.

Ainda parecia surreal pensar que aquela coisinha minúscula era minha filha.

Minha.

E dele.

Depois que ela dormiu novamente, resolvi preparar o banho dela.

Meu Deus.

Aquilo era assustador.

Eu tinha medo de tudo.

Medo da água estar quente demais.

Medo dela escorregar.

Medo de entrar água no ouvido.

Medo de fazer alguma coisa errada.

— Calma, Júlia… você consegue.

Falei baixinho para mim mesma.

Aisha ficou quietinha quase o banho inteiro.

Só começou a reclamar quando tirei ela da água.

— Ah não, meu amor, já acabou.

Tentei acalmá-la enquanto enrolava seu corpinho pequeno na toalha.

O cheirinho dela depois do banho parecia a melhor coisa do mundo.

Vesti uma roupinha clarinha nela e fiquei alguns segundos apenas admirando aquele rostinho perfeito.

Até ouvir batidas na porta.

Estranhei imediatamente.

Abri a porta ainda segurando Aisha e dei de cara com um dos seguranças de Al Rashid acompanhado de duas mulheres.

Uma aparentava ter perto dos cinquenta anos.

A outra talvez uns quarenta.

As duas tinham aparência extremamente organizada e educada.

— Senhora Júlia.

Disse o segurança respeitosamente.

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