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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 89

Júlia não sabia ainda como lidar comigo quando eu simplesmente ignorava as barreiras que ela tentava levantar.

E eu estava cansado demais para aceitar distância entre nós.

Abri a primeira porta.

Banheiro.

A segunda.

Um pequeno escritório improvisado.

A terceira…

Finalmente encontrei.

O quarto dela carregava exatamente a essência da mulher que dormia naquela casa.

Simples.

Organizado.

Aconchegante.

Não havia luxo exagerado, nem ostentação. Tudo era delicado, funcional e limpo. A cama possuía lençóis claros, havia livros empilhados em uma pequena mesa lateral e um perfume suave impregnava o ambiente.

Entrei devagar, observando cada detalhe.

Era estranho pensar que Júlia havia vivido ali sozinha durante toda a gravidez.

Sem ninguém.

Sem apoio.

Sem uma mão para segurar durante as noites difíceis.

A culpa voltou a apertar meu peito com força.

Passei a mão pelo rosto tentando afastar aquele sentimento antes que ele me esmagasse outra vez.

Tirei a roupa.

Depois os sapatos.

Comecei a organizar minhas poucas coisas ali mesmo, separando espaço no armário sem mexer demais nas coisas dela. Deixei tudo minimamente pronto antes de pegar o celular.

Liguei imediatamente para um dos meus homens.

— Senhor?

— Preciso que resolvam algumas coisas imediatamente.

Minha voz saiu firme, prática.

Era mais fácil lidar com ordens do que com emoções.

— Quero roupas comuns, roupas brasileiras. Também preciso de produtos de higiene feminina, cremes, loções pós-parto, tudo que uma mulher possa precisar nesse momento.

Houve alguns segundos de silêncio antes dele responder:

— Sim, senhor.

Continuei:

— E encontrem uma babá e uma cozinheira.

— Para hoje?

— Para ontem. Respondi irritado.

— Quero pessoas discretas, experientes e absolutamente confiáveis.

Eu nem sabia exatamente como eles resolveriam aquilo em poucas horas no Brasil.

Mas resolveriam.

Porque falhar comigo nunca foi uma opção para ninguém.

Encerrei a ligação e fui até a cozinha da casa.

Abri os armários.

Quase vazios.

Geladeira praticamente sem comida.

Franzi a testa imediatamente.

— O que ela estava comendo? Alimentação psicológica?

Murmurei sozinho.

Aquilo me irritou profundamente.

Porque significava que, mesmo com todo o dinheiro que eu havia deixado para ela, Júlia ainda estava vivendo no automático.

Sobrevivendo.

Não vivendo.

Peguei o celular novamente.

— Façam compras também. Ordenei assim que atenderam. Quero essa cozinha abastecida hoje. Frutas, legumes, carnes, tudo fresco.

Dois dos meus homens estavam conosco na casa.

Os outros permaneciam espalhados discretamente pelas ruas próximas sem que Júlia soubesse.

Porque, se ela descobrisse a quantidade de segurança envolvida, provavelmente surtaria.

Quando terminei tudo, voltei para o quarto de Aisha.

E encontrei uma cena que me desmontou completamente.

Júlia havia dormido sentada na poltrona.

Aisha estava no berço.

Segura.

Protegida.

Mas Júlia, parecia simplesmente ter apagado de exaustão.

Fiquei parado alguns segundos observando ela dormir.

Os cabelos bagunçados.

A expressão cansada.

O corpo claramente dolorido do pós-parto.

E então me perguntei...

Por que ela não foi me procurar?

Por que preferiu dormir sentada naquela poltrona em vez de ir para a cama comigo?

A resposta veio rápido demais dentro da minha própria cabeça.

Porque Júlia ainda estava fugindo emocionalmente de mim.

Ela havia construído um muro enorme entre nós.

E eu precisava derrubá-lo antes que se tornasse permanente.

Me aproximei devagar dela.

— Júlia…

Ela não acordou.

Sorri de leve.

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