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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 88

SHEIK

*

Eu sempre achei que estivesse preparado para qualquer coisa.

Para qualquer guerra.

Qualquer negociação.

Qualquer perda.

Fui criado para suportar pressão sem demonstrar fraqueza, para decidir destinos sem hesitação, para comandar homens que jamais ousariam olhar diretamente nos meus olhos.

Durante anos, acreditei que isso me tornava invencível.

Mas eu estava errado.

Porque nada no mundo poderia ter me preparado para o momento em que segurei a mão de Júlia naquela sala de parto e vi minha filha pela primeira vez.

Aisha.

Minha filha.

Ainda parecia absurdo pensar nisso.

Uma parte de mim continuava parada naquele instante exato em que ouvi o primeiro choro dela invadir o ambiente. Foi como se algo dentro de mim, algo que sempre esteve morto ou adormecido, finalmente tivesse despertado.

E quando olhei para Júlia segurando nossa filha nos braços, entendi.

Entendi o vazio que existia dentro de mim durante todos aqueles anos.

Todo o luxo, todo o poder, todo o respeito.

Nada daquilo significava absolutamente nada perto delas.

Porque foi como se a vida tivesse colocado diante dos meus olhos exatamente tudo o que faltava na minha existência fria e infeliz.

Uma família.

Amor.

Pertencimento.

Eu quis que Júlia soubesse disso imediatamente.

Quis que ela entendesse que eu estava livre.

Livre de Laura.

Livre daquele casamento vazio.

Livre para entregar tudo o que eu tinha a ela.

Mas também havia algo egoísta crescendo dentro de mim.

Porque eu não queria apenas dar meu mundo para Júlia e Aisha.

Eu queria me tornar o mundo delas.

Enquanto Júlia dormia no hospital, exausta depois do parto, eu me vi andando pelos corredores resolvendo tudo o que fosse necessário para permanecer no Brasil o tempo que fosse preciso.

Liguei para Dubai.

Suspendi reuniões.

Remarquei compromissos diplomáticos.

Deixei homens de confiança cuidando do que precisava ser resolvido no palácio.

Pela primeira vez na vida, eu estava colocando algo acima da minha posição como Sheik.

E não me arrependia nem por um segundo.

Porque cada minuto longe daquele quarto parecia um desperdício.

Na manhã seguinte, quando finalmente deixamos o hospital, a realidade voltou a se impor diante de mim da pior maneira possível.

Repórteres, câmeras, seguranças.

Gente tentando registrar qualquer detalhe da minha presença no Brasil.

Aquilo me atingiu de uma forma diferente.

Porque, pela primeira vez, eu não estava preocupado comigo.

Estava preocupado com elas.

Júlia e Aisha jamais teriam uma vida comum comigo presente.

Elas seriam observadas.

Comentadas.

Julgadas.

Sempre seriam vistas como “a mulher” e “a filha” de um Sheik.

E isso me assustava mais do que qualquer ameaça política que já enfrentei.

Durante todo o trajeto até a casa de Júlia, fiquei observando ela em silêncio no banco ao meu lado.

Ela segurava Aisha com tanto cuidado que parecia carregar o próprio coração nos braços.

E talvez carregasse mesmo.

Enquanto a observava, pensei em tudo o que significava torná-la minha esposa.

Porque agora aquilo possuía camadas muito mais profundas.

Não era mais obsessão.

Nem desejo.

Nem orgulho masculino.

Era amor.

E o problema do amor… era que ele vinha acompanhado de medo.

Desde o momento em que ela disse:

“Em casa a gente conversa sobre isso.”

Eu entendi que ainda existia uma possibilidade.

Pequena.

Frágil.

Mas existia.

E aquilo foi suficiente para me deixar completamente vulnerável.

Porque eu sabia que meu mundo invadiria cada centímetro da vida tranquila que Júlia sempre quis ter.

Ela nunca desejou riqueza.

Nunca quis palácios.

Nunca sonhou em viver cercada por segurança e protocolos.

Tudo o que Júlia queria era paz.

E eu era exatamente o oposto disso.

Quando entramos na casa dela, o silêncio me atingiu imediatamente.

Não era um silêncio vazio.

Era um silêncio carregado de memórias.

De luto.

De ausência.

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