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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 85

SHEIK

*

Eu tinha ido dormir já preparado para viajar para o Brasil na manhã seguinte.

Meu plano era simples: encontrar Júlia, conversar, confirmar a gravidez e resolver toda aquela situação da forma menos destrutiva possível.

Pela primeira vez na vida, eu estava tentando fazer algo sem imposição.

Sem força.

Sem controle.

Mas o destino parecia determinado a destruir qualquer planejamento que eu tentasse construir.

Recebi a mensagem do detetive no meio da madrugada, por volta das três da manhã no horário de Dubai.

Abri imediatamente.

“Não consegui acesso ao prontuário. A clínica é extremamente rígida. Nenhum funcionário colaborou. Uma enfermeira ameaçou chamar a polícia quando insisti.”

Passei a mão no rosto lentamente.

Júlia tinha escolhido bem a clínica.

Muito bem.

Fechei os olhos por alguns segundos tentando voltar a dormir.

Mas não consegui.

O sono simplesmente desapareceu.

Meu corpo inteiro estava inquieto desde que descobri a gravidez, e aquela sensação piorou absurdamente naquela madrugada.

Algo dentro de mim gritava que eu precisava ir.

Agora.

Não amanhã.

Não depois.

Levantei da cama de uma vez.

Peguei o telefone e comecei a fazer ligações.

Seguranças.

Piloto.

Equipe do avião.

Motoristas.

Todo mundo foi acordado no meio da madrugada por minha causa.

Uma hora depois, o helicóptero já pousava na área externa do palácio.

A movimentação foi um verdadeiro caos.

Luzes sendo acesas.

Homens correndo.

Portões abrindo.

Servos claramente assustados com a movimentação naquele horário.

Mas eu não me importava.

Minha cabeça estava no Brasil.

Em Júlia.

E naquele bebê que talvez estivesse prestes a nascer.

O helicóptero me levou até o aeroporto particular onde meu avião já me aguardava preparado para decolagem imediata.

O voo entre Dubai e São Paulo era longo.

Longo demais.

Mesmo no jatinho mais rápido que eu possuía.

E cada minuto dentro daquela aeronave parecia uma tortura.

Tentei dormir.

Não consegui.

Tentei trabalhar.

Não consegui.

Passei praticamente o voo inteiro olhando fotos de Júlia grávida no celular.

Até que, já próximo da chegada, recebi uma nova mensagem do detetive.

“Ela deu entrada na clínica. Trabalho de parto iniciado.”

Meu coração quase saiu pela boca.

Levantei imediatamente da poltrona.

— Quanto tempo para pousarmos?

Perguntei ao piloto auxiliar.

— Aproximadamente vinte minutos, senhor.

Pareciam vinte anos.

Cheguei ao Brasil já no início da noite.

Assim que desci do avião, já havia um homem me esperando na pista com informações atualizadas.

— Senhor Al Rashid.

Ele caminhou rapidamente até mim.

— A senhorita Júlia está em trabalho de parto ativo. Entrou na clínica há algumas horas.

Meu corpo inteiro entrou em alerta.

— Vamos.

Entrei imediatamente no carro blindado cercado por seis seguranças.

É claro que chamávamos atenção.

Muito.

Uma comitiva daquele tamanho, carros luxuosos, homens armados e um Sheik árabe descendo praticamente correndo dentro de São Paulo não era algo exatamente discreto.

Mas eu não tinha tempo para me preocupar com discrição.

Durante todo o trajeto, minhas mãos permaneceram fechadas com tanta força que meus dedos começaram a doer.

Meu filho estava nascendo.

Ou minha filha.

E eu não sabia absolutamente nada sobre aquilo.

Nada.

Quando finalmente chegamos à clínica, praticamente saí do carro antes mesmo do motorista parar completamente.

Entrei no hospital cercado pelos seguranças.

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