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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 84

Limpei o rosto rapidamente, respirando fundo algumas vezes antes de levantar da janela.

Eu precisava parar de pensar em Al Rashid daquela forma. Precisava parar de criar cenários impossíveis na minha cabeça, porque aquilo não mudaria o passado e muito menos apagaria tudo o que aconteceu entre nós.

Eu precisava me lembrar constantemente que aquela vida não era minha.

No dia seguinte, por volta das duas e meia da tarde, eu estava lavando a louça do almoço quando senti algo quente escorrer lentamente pelas minhas pernas.

Parei imediatamente.

O prato quase caiu da minha mão.

Olhei para baixo, confusa por alguns segundos, até perceber que o short estava molhado.

Meu coração disparou.

— Meu Deus…

Levei a mão automaticamente até a barriga.

Minha médica já havia me explicado sobre aquilo. Disse que eu precisava manter a calma caso a bolsa rompesse, porque nem sempre o parto acontecia imediatamente.

Mas falar era muito diferente de viver.

Peguei o celular com as mãos trêmulas e liguei para ela.

— Júlia? O que aconteceu?

— Acho… acho que minha bolsa estourou.

Ela imediatamente mudou o tom de voz.

— Você está sentindo contrações?

Respirei fundo, tentando perceber.

— Ainda não. Só um desconforto leve.

— Certo. Quero que você venha imediatamente para a clínica, mas sem desespero. Pegue sua bolsa da maternidade e venha com calma.

Assenti, mesmo sabendo que ela não podia me ver.

— Tudo bem.

Encerrei a ligação tentando controlar a ansiedade.

A boa notícia era que eu já estava pronta.

A bolsa da maternidade estava separada há dias. O quartinho do bebê organizado. As roupinhas lavadas. Tudo impecavelmente preparado para aquele momento.

Talvez porque eu tivesse medo de não conseguir organizar depois.

Fui para o banho.

Com calma.

Ou pelo menos tentando fingir calma.

Enquanto a água caía sobre meu corpo, passei as mãos na barriga grande e senti meu bebê mexer.

— Está chegando, meu amor…

Murmurei com os olhos marejados.

Me arrumei devagar, coloquei um vestido confortável, penteei o cabelo e peguei minhas coisas.

Então chamei um táxi.

No início parecia tudo tranquilo demais.

Até demais.

Mas bastou o carro começar a andar para a primeira contração realmente forte vir.

Uma pontada profunda apertou minha barriga inteira.

— Ah…

Levei a mão imediatamente ao banco.

O motorista me olhou pelo retrovisor, preocupado.

— Senhora? Está tudo bem?

Respirei fundo, lembrando exatamente do que a médica havia explicado.

As dores viriam em intervalos.

E eu precisava observar o tempo.

Peguei o celular e comecei a marcar.

A primeira contração forte durou cerca de quarenta segundos.

Oito minutos depois, veio outra.

Mais intensa.

Mais profunda.

Fechei os olhos tentando respirar direito.

— Você está entrando em trabalho de parto?

O motorista perguntou, nervoso.

Assenti rapidamente.

— Só… só continua dirigindo, por favor.

Da minha casa até a clínica eram cerca de trinta minutos normalmente. Mas o homem praticamente voou pelas ruas.

Chegamos em pouco mais de quinze minutos.

Só que, antes mesmo do carro estacionar completamente, outra contração veio.

E dessa vez foi muito pior.

Tão forte que perdi completamente o ar.

— Meu Deus…

Segurei o banco com força enquanto lágrimas escapavam dos meus olhos.

A dor parecia atravessar minhas costas e esmagar minha barriga inteira ao mesmo tempo.

— Senhora!

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