Eu precisava me recompor.
Mesmo com o coração acelerado, com a mente girando em mil direções diferentes e com aquele medo sufocante tomando conta de mim, eu me obriguei a parar, respirar e pensar.
Eu ainda não tinha certeza, poderia ser só atraso.
Meu corpo tinha passado por muita coisa em pouco tempo, estresse, luto, pressão, mudanças bruscas. Era possível. Era plausível.
Era… o que eu queria acreditar.
— Calma…
Sussurrei para mim mesma, ainda sentada no banheiro.
— Você não sabe de nada ainda.
Levantei devagar.
Minhas pernas ainda estavam fracas, mas eu precisava agir.
Tirei a roupa, entrei no banho.
A água caiu sobre meu corpo como um alívio momentâneo. Fechei os olhos, deixando que aquele calor me envolvesse, como se pudesse, por alguns minutos, lavar tudo o que eu estava sentindo.
Mas não lavava, nada lavava.
Ainda assim, me ajudou a clarear um pouco a cabeça.
Saí rápido, me arrumei, escolhi uma roupa simples, confortável, como se aquilo fosse apenas uma ida comum à farmácia.
Mas não era, nada mais era comum.
Peguei minha bolsa, respirei fundo e saí.
Assim que coloquei os pés para fora de casa, senti algo diferente.
O ar, o movimento, o som da rua.
Era como se eu estivesse presa há semanas, mesmo sem perceber totalmente.
— Nossa…
Murmurei, enquanto caminhava.
— Eu estava realmente precisando sair…
E estava.
Por alguns minutos, enquanto eu caminhava até a farmácia, tentei não pensar.
Tentei focar no básico, no caminho, nas pessoas e nos detalhes ao redor.
Qualquer coisa que me afastasse do que poderia estar acontecendo dentro de mim.
Mas era impossível ignorar completamente.
Cada passo vinha acompanhado de um pensamento.
— E se for verdade? E se não for? E se minha vida mudar completamente de novo?
Cheguei à farmácia.
Entrei.
O ambiente era iluminado, organizado, silencioso.
Caminhei até o balcão.
— Onde ficam os testes de gravidez?
Perguntei, tentando manter a voz neutra.
A atendente apontou.
— Naquele corredor, à direita.
Assenti.
E fui.
Fiquei parada por alguns segundos diante da prateleira.
Observando.
Como se aquilo fosse uma decisão muito maior do que simplesmente escolher um produto.
E era.
Peguei um.
Depois outro.
Depois mais um.
No final, estava com cinco caixas nas mãos.
Cinco marcas diferentes.
Cinco confirmações possíveis.
Como se uma só não fosse suficiente para a minha ansiedade.
Fui até o caixa.
Coloquei tudo no balcão.
A mulher que estava atendendo me olhou de canto.
Um olhar discreto, mas curioso.
Ela passou os produtos.
E então falou:
— Você não gostaria de fazer um exame de sangue? Nós também realizamos aqui.
A pergunta me pegou de surpresa.
Parei por um segundo.
Pensei.
E, antes mesmo de elaborar muito…
— Quero.
A resposta saiu automática.
Era o que eu precisava.
Certeza.
— Ótimo.
Disse ela, chamando outra funcionária.
— Pode acompanhar aquela moça. Ela vai coletar seu sangue.
Foi rápido.
Simples.
E, ao mesmo tempo… carregado.
A coleta foi feita sem complicações.
— O resultado sai amanhã. Informou a profissional.
Assenti.
Mas eu não conseguiria esperar.
Não daquele jeito.
Saí da farmácia quase correndo.
Voltei para casa com o coração acelerado.
As mãos suando.
A cabeça cheia.
Assim que entrei, fui direto para o banheiro.
Fechei a porta.
Encostei nela por alguns segundos.
E, naquele momento…
Eu desabei.
As lágrimas vieram de novo.
Fortes.
Descontroladas.
— Mãe…
Sussurrei.
— Eu precisava de você agora.
O silêncio respondeu.
Um silêncio cruel.
Enquanto dentro de mim, tudo gritava.

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