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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 80

Eu precisava me recompor.

Mesmo com o coração acelerado, com a mente girando em mil direções diferentes e com aquele medo sufocante tomando conta de mim, eu me obriguei a parar, respirar e pensar.

Eu ainda não tinha certeza, poderia ser só atraso.

Meu corpo tinha passado por muita coisa em pouco tempo, estresse, luto, pressão, mudanças bruscas. Era possível. Era plausível.

Era… o que eu queria acreditar.

— Calma…

Sussurrei para mim mesma, ainda sentada no banheiro.

— Você não sabe de nada ainda.

Levantei devagar.

Minhas pernas ainda estavam fracas, mas eu precisava agir.

Tirei a roupa, entrei no banho.

A água caiu sobre meu corpo como um alívio momentâneo. Fechei os olhos, deixando que aquele calor me envolvesse, como se pudesse, por alguns minutos, lavar tudo o que eu estava sentindo.

Mas não lavava, nada lavava.

Ainda assim, me ajudou a clarear um pouco a cabeça.

Saí rápido, me arrumei, escolhi uma roupa simples, confortável, como se aquilo fosse apenas uma ida comum à farmácia.

Mas não era, nada mais era comum.

Peguei minha bolsa, respirei fundo e saí.

Assim que coloquei os pés para fora de casa, senti algo diferente.

O ar, o movimento, o som da rua.

Era como se eu estivesse presa há semanas, mesmo sem perceber totalmente.

— Nossa…

Murmurei, enquanto caminhava.

— Eu estava realmente precisando sair…

E estava.

Por alguns minutos, enquanto eu caminhava até a farmácia, tentei não pensar.

Tentei focar no básico, no caminho, nas pessoas e nos detalhes ao redor.

Qualquer coisa que me afastasse do que poderia estar acontecendo dentro de mim.

Mas era impossível ignorar completamente.

Cada passo vinha acompanhado de um pensamento.

— E se for verdade? E se não for? E se minha vida mudar completamente de novo?

Cheguei à farmácia.

Entrei.

O ambiente era iluminado, organizado, silencioso.

Caminhei até o balcão.

— Onde ficam os testes de gravidez?

Perguntei, tentando manter a voz neutra.

A atendente apontou.

— Naquele corredor, à direita.

Assenti.

E fui.

Fiquei parada por alguns segundos diante da prateleira.

Observando.

Como se aquilo fosse uma decisão muito maior do que simplesmente escolher um produto.

E era.

Peguei um.

Depois outro.

Depois mais um.

No final, estava com cinco caixas nas mãos.

Cinco marcas diferentes.

Cinco confirmações possíveis.

Como se uma só não fosse suficiente para a minha ansiedade.

Fui até o caixa.

Coloquei tudo no balcão.

A mulher que estava atendendo me olhou de canto.

Um olhar discreto, mas curioso.

Ela passou os produtos.

E então falou:

— Você não gostaria de fazer um exame de sangue? Nós também realizamos aqui.

A pergunta me pegou de surpresa.

Parei por um segundo.

Pensei.

E, antes mesmo de elaborar muito…

— Quero.

A resposta saiu automática.

Era o que eu precisava.

Certeza.

— Ótimo.

Disse ela, chamando outra funcionária.

— Pode acompanhar aquela moça. Ela vai coletar seu sangue.

Foi rápido.

Simples.

E, ao mesmo tempo… carregado.

A coleta foi feita sem complicações.

— O resultado sai amanhã. Informou a profissional.

Assenti.

Mas eu não conseguiria esperar.

Não daquele jeito.

Saí da farmácia quase correndo.

Voltei para casa com o coração acelerado.

As mãos suando.

A cabeça cheia.

Assim que entrei, fui direto para o banheiro.

Fechei a porta.

Encostei nela por alguns segundos.

E, naquele momento…

Eu desabei.

As lágrimas vieram de novo.

Fortes.

Descontroladas.

— Mãe…

Sussurrei.

— Eu precisava de você agora.

O silêncio respondeu.

Um silêncio cruel.

Enquanto dentro de mim, tudo gritava.

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