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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 77

Fiquei horas no meu escritório.

Horas que se arrastaram de forma cruel, como se o tempo tivesse decidido me punir também.

Eu não sabia dizer exatamente o que fiz durante aquele período. Em alguns momentos, fiquei apenas sentado, olhando para o vazio. Em outros, tentei trabalhar, ler documentos, responder mensagens, mas nada se fixava.

Minha mente não estava ali.

Ela estava com ela.

Com a dor que eu causei.

Quando a fome finalmente apareceu, não foi como um desejo natural. Foi quase uma exigência do corpo, como se ele estivesse me lembrando que, apesar de tudo, eu ainda estava vivo.

E aquilo me incomodou.

Levantei da cadeira com lentidão, como se meus músculos estivessem mais pesados do que o normal. Caminhei até a porta e saí do escritório.

Os corredores do palácio pareciam mais longos naquele dia.

Mais silenciosos.

Mais vazios.

Cada passo que eu dava era arrastado, como se houvesse concreto preso aos meus pés.

O som dos meus sapatos ecoava pelo espaço, e, pela primeira vez, aquilo não me trouxe sensação de autoridade.

Trouxe solidão.

Quando cheguei à sala de jantar, fui recebido da mesma forma de sempre.

Precisa e sincronizada.

Quase coreografada.

Assim que me viram, os servos se movimentaram rapidamente. Um posicionou a cadeira, outro ajeitou os talheres com perfeição, outro trouxe o prato principal.

Tudo no tempo exato, sem falhas, sem hesitação.

Como uma orquestra bem ensaiada.

Mas dessa vez…

Eu vi algo que nunca havia percebido antes.

A tensão.

Os ombros rígidos, os olhares baixos demais.

O cuidado excessivo em cada movimento.

Não era apenas respeito.

Era medo.

E aquilo me atingiu de um jeito estranho, desagradável e pesado.

Durante toda a minha vida, aquilo foi normal, natural. Parte do sistema, parte da ordem, parte do que significava ser quem eu era.

Mas agora…

Parecia errado.

A riqueza, o poder, a autoridade.

Tudo aquilo havia me cegado.

— Estão dispensados.

Falei, com a voz firme, mas sem agressividade.

— Quero ficar sozinho.

Eles não hesitaram.

Apenas assentiram e se retiraram imediatamente, deixando a sala silenciosa.

O silêncio voltou.

Mas dessa vez, ele não era apenas ausência de som.

Era presença.

Presença de tudo o que eu estava tentando evitar.

Olhei para a mesa, para a comida, para o espaço vazio ao redor.

E, de repente, aquilo pareceu ridículo.

Uma mesa grande demais, comida demais para alguém que não conseguia sequer engolir.

Peguei os talheres.

Levei a primeira garfada à boca.

E parei.

O gosto não existia.

Nada fazia sentido.

Foi então que ouvi passos.

Lentos e firmes.

Levantei o olhar.

Laura.

De todas as pessoas que poderiam entrar naquele momento, ela era a última que eu queria ver.

Ela se aproximou com postura controlada, mas havia algo diferente nela. Não era apenas raiva.

Era algo mais profundo.

Mais perigoso.

— Sua comida estragou?

Perguntou, com ironia evidente.

Olhei automaticamente para o prato.

— Não é dessa comida que estou falando.

A frase dela caiu como uma lâmina.

Na mesma hora, entendi.

Júlia.

Minha mandíbula travou.

— Ela não era comida.

Respondi, frio.

— Tenha mais respeito.

Laura soltou uma risada curta, sem humor algum.

— Que respeito? O mesmo que você teve por mim ao levá-la para a nossa suíte?

Meu corpo inteiro gelou.

Ela sabia.

Ela tinha visto.

E aquilo, dentro do contexto em que vivíamos, poderia ser muito mais do que uma discussão de casal.

Poderia se tornar um escândalo.

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