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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 76

SHEIK

*

Eu não sabia em que momento tudo havia saído do controle.

Sempre fui um homem que antecipava movimentos, que calculava riscos, que enxergava o todo antes mesmo que os outros percebessem as partes. Sempre estive à frente. Sempre tive domínio.

Sempre fui inabalável.

Ou pelo menos foi isso que acreditei durante toda a minha vida, até o momento deu fazer a última ligação que iria separar Júlia de mim.

Eu estava no meu escritório, mas não me sentia ali. O ambiente que sempre representou poder, estratégia e controle agora parecia apenas vazio.

Grande demais, silencioso demais, frio demais.

Caminhei até a poltrona e me sentei lentamente, como se o peso do meu próprio corpo tivesse se tornado difícil de sustentar.

Apoiei os cotovelos nos joelhos, passei as mãos pelo rosto e fechei os olhos por alguns segundos.

Mas não adiantava.

A imagem dela voltava.

O grito, a dor, a acusação.

Eu já havia enfrentado homens poderosos, já havia tomado decisões que afetaram milhares de vidas, já havia lidado com perdas, traições, disputas…

Mas nada.

Nada se comparava àquilo.

Aquilo não era derrota política.

Não era prejuízo.

Não era estratégia mal calculada.

Aquilo era fracasso.

Peguei uma folha.

Uma simples folha de papel.

Algo tão banal e, ainda assim, naquele momento, parecia o único meio possível de alcançar alguém que não queria mais me ouvir.

Peguei a caneta.

Fiquei alguns segundos encarando o vazio.

Pensando.

Ou tentando pensar.

Mas a verdade era que, pela primeira vez, eu não precisava de estratégia.

Eu precisava sentir.

E isso era algo que eu nunca havia aprendido a fazer.

Comecei a escrever.

Cada palavra vinha carregada.

Pesada.

Honesta de um jeito que eu nunca havia sido.

“Júlia,

Pensei em dizer tudo isso no discurso do nosso casamento… aquele que não aconteceu. Mas, agora, me vejo obrigado a colocar tudo nessas linhas, porque sei que você não quer mais me ver.

E, pela primeira vez, eu entendo o porquê.

Passei a vida inteira sendo um homem que desconhece limites. Tudo sempre esteve ao meu alcance. Tudo sempre foi possível. O dinheiro, muitas vezes, se colocou acima da própria lei, e eu me acostumei com isso.

Me acostumei a conseguir, me acostumei a possuir.

Me acostumei a vencer.

E, por isso, acreditei que poderia fazer o mesmo com você.

Acreditei que bastaria querer, que bastaria pagar, que bastaria impor.

Mas eu estava errado.

O seu olhar hoje… fez o que nenhuma lei, nenhum homem, nenhum valor financeiro jamais conseguiu fazer comigo.

Ele me condenou.

Foi como se, pela primeira vez, eu estivesse diante de algo maior do que tudo que já enfrentei.

E eu não tive defesa.

Não sou digno do seu perdão.

E, talvez, nunca seja.

Jamais conseguirei expressar o quanto me arrependo de ter sido, para você, exatamente o tipo de homem que você jamais poderia amar.

Não esse homem que você conheceu.

Mas, se um dia em algum momento da sua vida… você decidir conhecer uma nova versão de mim, aquela que eu decidi me tornar a partir de hoje, eu estarei aqui.

Esperando, sem exigir, sem impor.

Apenas esperando o menor sinal.

Até lá… aceito o castigo que será viver sem você.

Ao chegar ao Brasil, você receberá um cartão em seu nome. Nele, haverá um valor suficiente para garantir sua vida com dignidade, sem preocupações. Também poderá utilizá-lo no crédito, sem limites. Qualquer despesa será minha responsabilidade.

Eu sei… isso não compra sua dor.

Não apaga sua perda.

Não corrige o que eu fiz.

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