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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 71

Não dava mais para abaixar a cabeça.

Não havia mais espaço para silêncio, nem para adiamento. Eu sabia que cada segundo que passava tornava tudo ainda pior. A verdade já era cruel o suficiente, arrastá-la apenas prolongaria o momento em que eu pisaria no coração dela.

Levantei o rosto.

Respirei fundo.

E falei.

— Infelizmente… sua mãe faleceu.

As palavras saíram diretas, sem suavidade, sem preparação. E no mesmo instante em que deixaram minha boca, eu percebi que nenhum ser humano deveria ser obrigado a ouvir algo assim daquela forma.

O semblante de Júlia se partiu diante dos meus olhos.

Foi literal.

Como se algo invisível tivesse atravessado o rosto dela de cima a baixo, rasgando qualquer resquício de tranquilidade que ainda existia ali. Seus olhos se arregalaram, o sorriso que ainda estava em seus lábios desapareceu como se nunca tivesse existido.

Ela levou a mão ao peito, exatamente sobre o coração, como se algo ali dentro tivesse sido atingido com violência.

— Não…

Foi apenas um sopro no começo. Um som pequeno, quase infantil.

Ela balançou a cabeça lentamente, dando um passo para trás.

Depois outro.

E outro.

Como se tentasse fisicamente se afastar daquilo que eu acabara de dizer.

— Não…

Repetiu, agora com a voz mais fraca, tremendo.

O quarto parecia pequeno demais para conter aquela dor. Eu podia ver o momento exato em que a mente dela tentava negar a informação. Quando o cérebro procura qualquer explicação alternativa para algo que não quer aceitar.

Então veio o grito.

— NÃÃÃO!

A voz dela rasgou o ar com uma força que eu jamais havia ouvido. Não era apenas um grito de surpresa ou tristeza. Era um som que parecia arrancado de algum lugar profundo demais da alma.

Um grito de perda.

Júlia se dobrou como se tivesse sido golpeada no estômago. As pernas cederam e ela caiu de joelhos no chão, o impacto ecoando no quarto silencioso.

Os soluços vieram logo em seguida.

Descontrolados.

Violentos.

Ela levou as duas mãos ao rosto, tentando conter o choro que escapava de qualquer maneira. Seu corpo inteiro tremia enquanto ela tentava respirar entre um soluço e outro.

— Júlia…

Murmurei, dando um passo na direção dela.

Mas aconteceu o inevitável.

— FICA LONGE DE MIM!

A voz dela saiu cheia de ódio.

Ela ergueu o rosto para mim e, naquele instante, eu vi algo que nunca tinha presenciado antes.

Acusação pura.

Seus olhos estavam vermelhos, brilhando de lágrimas e revolta. Nunca, em toda a minha vida, alguém havia me olhado daquela forma. Não era medo. Não era respeito. Era condenação.

— É TUDO CULPA SUA!

Cada palavra parecia uma lâmina.

— Se você… se você não tivesse me mantido aqui…

Ela tentou continuar, mas a voz falhou.

O choro voltou com força.

— Eu teria me despedido…

Disse entre soluços.

— Eu teria visto ela… eu teria… eu teria segurado a mão dela…

Ela apertou os olhos com força, tentando terminar a frase que parecia grande demais para existir.

— E ela… ela não pensaria que eu abandonei ela.

Aquilo me destruiu por dentro.

Eu já havia enfrentado crises políticas, traições familiares, ameaças internacionais. Já tomei decisões que afetaram centenas de pessoas. Mas jamais senti uma culpa tão brutal quanto aquela.

Era como se alguém tivesse aberto meu peito e colocado um espelho ali dentro.

E eu odiei o que vi.

Júlia estava certa.

Completamente certa.

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