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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 68

JÚLIA

*

Eu era uma jovem cheia de sonhos, como qualquer outra. Tinha medos, expectativas, idealizações silenciosas que nunca confessei a ninguém. Desde muito cedo, aprendi a imaginar o futuro como uma promessa, não perfeita, mas minha. E, claro, em algum momento, como toda mulher, imaginei como seria a minha primeira vez.

Nunca foi um cenário grandioso. Não pensei em luxo, nem em excesso. Pensava em carinho, em segurança, em mãos que não tivessem pressa. Em alguém que me olhasse como se eu fosse suficiente.

Com toda certeza, não seria em um bar qualquer, muito menos por dinheiro. Jamais por necessidade. Aquilo sempre foi uma linha invisível que eu acreditava jamais cruzar.

Mas a vida tem um talento cruel para nos empurrar para lugares que juramos nunca visitar.

Havia urgência em mim. Uma urgência quase desesperada de fazer tudo certo, de cumprir regras que eu mesma me impus para conseguir voltar ao Brasil.

Minha mãe precisava de mim. Esse pensamento era o eixo de todas as minhas decisões. Eu repetia isso como um mantra sempre que o medo ou a dúvida ameaçavam me paralisar.

Eu só não contava com Laura.

Não contava com seus conselhos atravessados, com suas palavras calculadas, com a forma como ela plantava ideias como se estivesse apenas comentando o clima. Tampouco contava que, em algum momento, eu realmente consideraria como seria minha vida sendo a segunda esposa de um sheik.

Aquilo parecia absurdo demais para ser real e, ainda assim, estava acontecendo.

No momento em que Al Rashid se despiu diante de mim, algo se rompeu. Não foi barulho, não foi escândalo. Foi interno. Silencioso. Como uma peça que se desloca dentro do peito e nunca mais volta exatamente para o lugar.

Ali, esqueci de fato o meu objetivo.

Esqueci contratos, esquecimentos, esquemas, acordos. Esqueci o dinheiro. Esqueci a palavra necessidade. Pela primeira vez desde que cheguei àquele país, eu não estava pensando em sobreviver eu estava apenas sentindo.

Foi naquele exato instante que me vi tomada por dúvidas que eu não queria ter. Dúvidas sobre o que era certo, sobre o que era justo, sobre o que era verdadeiro. Meu corpo traía minhas convicções com uma facilidade assustadora, e minha mente tentava acompanhar, tropeçando em justificativas frágeis.

Ele se aproximou com cuidado. Nada em seus gestos era brusco ou invasivo. Havia uma solenidade estranha em cada movimento, como se ele tivesse plena consciência de que aquele momento não poderia ser banal.

No momento em que senti a língua dele me invadir, percebi o tamanho do problema. E a cada gemido contido, esse problema ia aumentando.

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