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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 67

Eu não sei exatamente em que momento peguei no sono. Só sei que dormi como não dormia há muito tempo, um sono profundo, pesado, quase indecente para alguém que estava prestes a se casar em poucas horas.

Talvez tenha sido o cansaço acumulado. Talvez tenha sido Júlia. Ou talvez tenha sido a ilusão rara de paz que me permiti sentir depois de anos vivendo em alerta constante.

Acordei num pulo, como se meu corpo tivesse sido chamado pelo nome dela. O coração acelerado, a respiração curta, a sensação urgente de que eu precisava vê-la. Levei alguns segundos para me situar. O quarto. A luz ainda tímida dos primeiros raios solares. O silêncio absoluto do palácio.

Olhei para o relógio.

Ainda era cedo. Muito cedo. Faltavam pouco mais de três horas para o casamento.

Passei a mão pelo rosto, tentando entender aquela ansiedade quase física. Não era nervosismo pela cerimônia. Eu já havia participado de rituais muito mais complexos, de acordos políticos muito mais delicados. Aquilo era outra coisa. Era como se algo estivesse fora do lugar e o meu corpo soubesse antes da minha mente.

Peguei o celular.

Foi então que vi as chamadas perdidas. Três. Todas do meu contato no Brasil.

Abaixo delas, uma mensagem curta, objetiva, fria demais para aquele horário:

“Preciso falar com você o quanto antes. É urgente.”

O estômago se contraiu.

Apesar do horário, liguei imediatamente.

— Al Rashid…

A voz do outro lado soou cansada, pesada.

— Que bom que você ligou.

— O que houve?

Perguntei sem rodeios.

— Já conseguiu a liberação da mãe da Júlia?

Houve uma breve pausa. Um silêncio que durou segundos demais.

— Não.

Ele respondeu, por fim.

— Infelizmente, as notícias não são boas.

Sentei na cama devagar, como se minhas pernas tivessem perdido a firmeza.

— O que aconteceu?

— Ela faleceu há dois dias, Al Rashid.

Ele respirou fundo antes de continuar.

— O corpo ainda está no hospital, aguardando que algum familiar faça os trâmites legais.

Por um instante, não ouvi mais nada. O quarto pareceu distante. O ar, pesado.

— Você… você tem certeza disso? Perguntei, sentindo um nervosismo quase infantil tomar conta de mim, como se negar pudesse mudar os fatos.

— Tenho absoluta certeza. Já confirmei com a direção do hospital, com o setor social e com o cartório local.

Engoli em seco.

— Explique exatamente o que está acontecendo.

Pedi.

— Do começo.

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