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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 62

JÚLIA

*

Tudo começou a acontecer de forma automática, como se meu corpo estivesse apenas acompanhando os eventos enquanto minha mente tentava, em vão, organizar o caos.

Não era apenas a quantidade absurda de coisas que haviam acontecido em poucas horas, mas o efeito cumulativo de todas elas. Cada revelação, cada discussão, cada decisão tomada sem que eu tivesse tempo de respirar entre uma e outra.

Apesar de tudo.

Apesar do transtorno.

Apesar do desespero constante que eu lutava para esconder atrás de uma postura firme.

Algo bom finalmente havia acontecido.

A descoberta de que Carolina havia me enganado ainda queimava dentro de mim como uma ferida aberta. Não era só a mentira em si, mas o fato de eu ter confiado, de ter acreditado que alguém estava ao meu lado quando, na verdade, havia interesses ocultos e jogos que eu sequer compreendia totalmente. Aquilo abalou minha noção de segurança de um jeito profundo, quase infantil.

Mas, no meio desse vendaval, algo mudou.

Pela primeira vez desde que cheguei àquele palácio, eu havia conseguido fazer o Sheik agir por mim. Não por orgulho, não por poder, não por conveniência social, mas por mim. Pela minha dor. Pela minha necessidade mais básica: minha mãe.

Finalmente, eu enxergava uma saída.

Finalmente, meus sentimentos não estavam sendo tratados como um detalhe descartável dentro de um acordo frio.

E talvez fosse exatamente por isso que o que aconteceu depois doeu tanto.

Saber que ele havia estado com Laura momentos depois dela arranjar uma briga comigo me atingiu de forma inesperada. Não foi raiva imediata. Foi algo mais silencioso, mais corrosivo. Uma sensação incômoda no peito, como se algo tivesse sido deslocado do lugar certo.

Eu não queria sentir aquilo.

Não tinha o direito de sentir aquilo.

Mas senti.

E o único motivo de nada ter acontecido entre nós dois naquele momento foi justamente essa consciência. Saber que ele havia dividido o mesmo espaço, o mesmo tempo, o mesmo corpo com outra mulher naquele mesmo dia me travou de um jeito quase físico.

Eu tentei esconder. Juro que tentei. Mantive a postura, as palavras medidas, o tom firme. Mas deixei claro, precisava deixar claro, que ele só me procurasse se nada tivesse acontecido entre eles.

Não era um pedido romântico.

Era um limite.

A ideia de dividir o Sheik era absurdamente irritante. Não apenas desconfortável, era nojenta. E, apesar de eu saber que aquele acordo era temporário, que havia prazos, cláusulas e uma data final para tudo aquilo, meu estômago se revirava só de imaginar essa divisão.

Talvez fosse orgulho.

Talvez fosse medo.

Talvez fosse algo que eu ainda não estava pronta para nomear.

Quando ele saiu do quarto, forcei minha mente a se agarrar ao que realmente importava: minha mãe. Se eu conseguisse tê-la comigo, se pudesse vê-la segura, bem cuidada, longe daquele hospital frio e da angústia diária… nada mais importaria.

Ou pelo menos era o que eu repetia para mim mesma.

Deitei na cama e tentei dormir. Sabia que o dia seguinte seria pesado. Eu seria oficialmente a segunda esposa do Sheik. Só essa frase já parecia surreal. E, no fundo, eu tinha certeza de que outra briga aconteceria entre eu e Laura.

Mas antes que o sono finalmente me alcançasse, ouvi batidas na porta.

Meu corpo inteiro entrou em alerta.

Me enrolei rapidamente em um lençol e fui até a porta. Ao abrir, encontrei uma serva, com a postura impecável e os olhos baixos.

— Boa noite, senhorita. O Senhor Al Rashid pediu que eu a servisse.

Havia respeito em sua voz. Nenhuma curiosidade. Nenhum julgamento. Apenas profissionalismo.

Dei passagem, e ela entrou, colocando a bandeja de comida sobre a mesa com cuidado. Avisou que retornaria em uma hora para buscar tudo e se retirou sem dizer mais nada.

Só então percebi o óbvio...Eu não havia comido o dia inteiro.

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