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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 61

O dia havia escorrido por entre meus dedos sem que eu percebesse.

Ordens, ligações, decisões que afetariam destinos inteiros. Quando o silêncio finalmente se impôs, percebi algo básico, quase humilhante para alguém acostumado a controlar tudo,eu não havia comido. E, consequentemente, Júlia também não.

A irritação comigo mesmo foi imediata.

Voltei ao harém com passos firmes e dei ordens claras para que uma das servas a levasse para um dos salões menores. Queria que ela fosse alimentada longe das outras concubinas, não por favoritismo explícito, mas por proteção.

O ambiente ali podia ser tão venenoso quanto silencioso, e Júlia ainda não conhecia todas as regras não ditas daquele lugar.

Depois disso, segui para comer.

Me sentei à mesa longa demais para uma só pessoa. Fui servido com rapidez e precisão, como sempre. Pratos impecáveis, aromas ricos, tudo preparado para agradar. Ainda assim, algo estava errado.

A imagem da mesa vazia me atingiu de um jeito inesperado.

Era a primeira vez que o silêncio não era apenas paz. Era um espelho. Um lembrete cruel de que meu casamento sempre foi um acordo, conveniência e estratégia. Nunca um lar. Nunca vida pulsando pelos corredores do palácio.

E filhos…

Nenhum.

O peso disso se materializou diante de mim como se o tempo tivesse aprendido a assumir forma. A solidão não era apenas um sentimento; era quase uma presença sentada à minha frente, ocupando o lugar que nunca foi de ninguém.

Talvez não fosse apenas a beleza absurda de Júlia. Talvez não fosse somente a forma como ela me desafiava com o olhar erguido, sem medo, sem reverência excessiva. Talvez fosse algo mais simples e, ao mesmo tempo, mais perigoso.

O desejo de ter alguém diferente de Laura.

Alguém que me despertasse emoções que eu havia enterrado há anos.

Não era sexo. Isso eu tinha em abundância, se quisesse. Corpos sempre disponíveis, obedientes, silenciosos. E com Júlia, sequer havia cruzado essa linha ainda. Não dava para falar em vício, nem em necessidade física.

O que me prendia era outra coisa.

Levei algumas colheradas à boca, mais por hábito do que por vontade. O gosto parecia distante. Engoli com dificuldade. Um embrulho no estômago se formou, refletindo exatamente tudo o que eu evitava encarar: o vazio, a dúvida, o desconforto de desejar algo que não podia controlar completamente.

Empurrei o prato para longe.

Levantei e segui para o meu quarto decidido a finalmente descansar. Precisava de silêncio, de ausência, de um intervalo dentro da minha própria mente.

Laura não estava lá.

Isso, estranhamente, não me incomodou. Tomei um banho demorado, deixando a água quente correr como se pudesse dissolver pensamentos.

Me troquei sem pressa e me deitei. Pela primeira vez em muito tempo, não quis saber onde ela estava. Não queria explicações, nem cobranças. Por uma noite, eu queria apenas paz.

Não sei por quanto tempo dormi.

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