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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 60

Fui obrigado a me afastar um pouco, embora cada centímetro do meu corpo estivesse preparado para fazer o que quisesse com ela. Júlia percebeu. Não era ingênua, nunca foi. O modo como seus olhos me acompanharam quando dei um passo atrás denunciava isso. Ainda assim, foi justamente essa consciência que me fez recuar.

Eu não podia perder o controle agora. Não depois de tudo que eu havia arquitetado. Não depois de finalmente enxergar uma possibilidade real de fazê-la ficar por vontade própria e não apenas por obrigação.

A diferença entre posse e escolha era mais delicada do que eu imaginava.

— Eu preciso ir resolver algumas coisas.

Falei, mantendo a voz firme, embora meu corpo protestasse.

— Mas hoje ou amanhã vai chegar um vestido. Quero que você o use quando firmarmos nosso acordo de casamento.

Ela sorriu. Não foi um sorriso exagerado, nem ensaiado. Foi simples. E, ainda assim, perigoso para mim.

— Tudo bem.

Respondeu, balançando a cabeça com uma obediência tranquila que não parecia submissão, mas entendimento.

Me aproximei apenas o suficiente para depositar um beijo leve em seus lábios. Nada possessivo. Nada exigente. Um gesto quase respeitoso. E aquilo me custou mais do que qualquer ameaça ou ordem que eu já tivesse imposto a alguém.

Saí do quarto sentindo algo que não combinava comigo... expectativa.

Tudo estava caminhando conforme o planejado. Pelo menos na superfície.

O vestido já havia sido escolhido. A sociedade começaria a murmurar antes mesmo do amanhecer. Meu advogado chegaria cedo. Os documentos estariam prontos.

Laura, no entanto, ainda ignorava uma parte essencial desse tabuleiro.

Ela não fazia ideia de que também seria chamada para assinar um documento no dia seguinte.

E eu sabia que, quando soubesse, o caos viria.

Mas antes disso, havia algo ainda mais importante a resolver.

A mãe de Júlia.

Voltei para o escritório com passos calculados. Fechei a porta, caminhei até a mesa e me sentei, sentindo o peso das decisões que se acumulavam sobre meus ombros. Não era apenas uma questão financeira. Nunca foi.

Era uma questão de controle, sim, mas também de responsabilidade.

Se eu queria que Júlia confiasse em mim, eu precisava agir de forma diferente de tudo que ela havia conhecido até então.

Peguei o telefone e disquei um número que poucos tinham autorização para usar. Do outro lado do oceano, no Brasil, alguém que devia favores antigos à minha família.

Depois de alguns toques, a ligação foi atendida.

— Al Rashid.

Disse uma voz masculina, madura. — A que devo a honra?

— Preciso de ajuda com um assunto delicado.

Respondi, direto.

— Envolve a transferência internacional de uma paciente hospitalar.

Houve um breve silêncio do outro lado.

— Continue.

— A paciente é brasileira. Está internada há meses. Os custos já foram quitados. O que preciso agora é autorização médica, liberação administrativa e os trâmites legais para que ela possa ser transferida para tratamento em outro país.

— Dubai?

Ele perguntou, já antecipando.

— Sim.

Ouvi o som de papéis sendo manuseados.

— Isso envolve o Ministério da Saúde, autorização do hospital, um relatório médico detalhado e, claro, o consentimento da família direta.

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