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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 58

Eu já havia tomado a decisão antes mesmo de cruzar os portões do lugar. Aquela não seria apenas uma compra. Seria um movimento calculado, silencioso e, ao mesmo tempo, barulhento o suficiente para ecoar onde precisava.

Cada passo meu, desde que deixei o palácio, tinha um propósito claro: preparar o terreno. Nada mais poderia ser improvisado.

O motorista estacionou diante de uma fachada imponente, discreta para quem não conhecia, mas imediatamente reconhecível para qualquer membro da alta sociedade. Ali não se entrava por acaso. Ali se entrava por nome, por linhagem e por poder.

Desci do carro com a postura de quem já pertence àquele espaço antes mesmo de atravessar a porta.

Assim que entrei, o silêncio elegante me envolveu. O cheiro suave de tecidos nobres, couro delicado e perfumes caros pairava no ar. As vitrines internas eram verdadeiras obras de arte: vestidos expostos como joias, iluminados de forma estratégica, cada um prometendo exclusividade absoluta. Nada ali era feito para agradar multidões. Tudo era feito para escolher mulheres que jamais poderiam ser confundidas com outras.

— Seja bem-vindo, senhor.

Disse uma voz conhecida, respeitosa, com a entonação exata entre reverência e intimidade.

Levantei os olhos e vi quem me atendia há anos. Uma mulher experiente, elegante, cuja discrição sempre foi proporcional à sua curiosidade. Ela sabia ouvir, sabia observar… e sabia espalhar informações quando achava conveniente.

— É um prazer revê-lo.

Ela continuou.

— Posso ajudá-lo?

— Pode.

Respondi, sucinto.

— Preciso de um vestido.

Ela sorriu de imediato, um sorriso treinado, quase automático.

— A senhora Laura irá amar. Acabamos de receber uma coleção nova, exclusiva. Tecidos importados, cortes impecáveis, acredito que…

Levantei a mão, interrompendo-a com um gesto simples, porém definitivo.

— Não é para Laura.

O sorriso dela vacilou por um microssegundo. Tempo suficiente para que a informação fosse processada e saboreada.

— Oh…

— Murmurou, recuperando-se rapidamente.

— Entendo.

Mas eu sabia que não entendia completamente. Ainda não.

— É para minha segunda esposa. Acrescentei, com a voz firme, neutra, como quem comenta o clima.

O impacto foi imediato. Os olhos dela se arregalaram levemente, o corpo ficou rígido, e ao nosso redor, mesmo sem que ninguém estivesse assumidamente ouvindo, eu senti a atmosfera mudar. Algumas clientes fingiram interesse maior nos vestidos próximos. Uma funcionária diminuiu o ritmo ao passar. A notícia havia sido lançada.

— Sua… segunda esposa?

Ela repetiu, com um brilho impossível de disfarçar.

— Exatamente.

Ela respirou fundo, claramente tentando manter a postura profissional.

— Posso perguntar… se é alguém jovem?

Inclinei levemente a cabeça.

— Muito.

— E…

Ela hesitou, mas não resistiu..

— É alguém da sociedade?

Sorri de canto, não por humor, mas por estratégia.

— Não ainda.

Aquilo era combustível. Eu sabia. Ela sabia. Todos ali saberiam em poucas horas.

— Então precisamos escolher algo à altura.

Disse ela, recuperando-se.

— Algo que faça a sociedade inteira entender que essa mulher não veio para ocupar um espaço pequeno.

— Exatamente.

Respondi.

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