Como um homem de poder, eu precisava ser prático. Emoções não podiam ditar meus passos.
Eu ainda tinha tempo antes do fim do dia, tempo suficiente para colocar cada peça no lugar certo do tabuleiro.
Saí do palácio com passos largos, ignorando os olhares curiosos e tensos dos servos. O ar do fim da tarde estava quente, pesado, quase sufocante, como se refletisse o caos que eu carregava dentro de mim.
Enquanto avançava pelos corredores em direção à saída principal, tirei o celular do bolso e disquei um número que eu conhecia de cor.
Meu advogado atendeu no segundo toque.
— Senhor, Al Rashid.
Ele disse, com a formalidade de sempre.
— Aconteceu alguma coisa?
— Sim. E preciso que você esteja totalmente focado.
Respondi, sem rodeios.
— Não tenho tempo para rodeios hoje.
— Estou ouvindo.
Continuei andando, sentindo o mármore frio sob meus pés, enquanto organizava as palavras com precisão cirúrgica.
— Tomei uma decisão. Vou me casar com Júlia, uma concubina brasileira.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha. Conhecia bem aquele silêncio. Ele estava pensando, calculando riscos, avaliando consequências.
— Imagino que isso não seja um casamento convencional.
Ele disse por fim.
— Nada na minha vida é convencional.
Respondi, seco.
— Quero que você organize tudo em duas horas. Preciso de um documento para ela assinar hoje ainda.
— Duas horas é um prazo bastante apertado, Al Rashid. Que tipo de documento estamos falando?
— Um acordo matrimonial. Expliquei.
— Um casamento plenamente válido, com todos os direitos de uma segunda esposa. Respeitado pela lei, pelas tradições e pelos costumes. Mas com um prazo.
— Prazo?
Ele pareceu intrigado.
— Explique melhor.
— Três anos.
Respondi, sem hesitar.
— Durante esse período, ela terá todos os direitos: proteção financeira, residência, segurança, nome, prestígio, acesso a tudo que uma esposa teria. Após esse prazo, se ela quiser ir embora, será livre para fazer o que desejar, sem qualquer obrigação comigo.
O silêncio voltou, mais longo dessa vez.
— Juridicamente...
Ele começou, com cautela..
— Isso precisa ser estruturado com muito cuidado. Não pode parecer um contrato de posse, nem um vínculo coercitivo. As autoridades não podem, em hipótese alguma, interpretar isso como um acordo de restrição de liberdade.
— Eu sei.
Interrompi.
— É exatamente por isso que estou ligando para você. Confio no seu trabalho. Quero algo sólido, limpo, irrefutável. Algo que pareça e seja uma união legítima, mas com cláusulas claras de dissolução previamente acordadas.
— Então não podemos chamar isso de contrato.
Ele afirmou.
— Precisará ser apresentado como um pacto pré-nupcial com cláusulas específicas, previstas na legislação local e internacional, considerando que ela é estrangeira.
— Faça como achar melhor. Respondi.
— Desde que me dê segurança jurídica e dê a ela a garantia de que, após três anos, ninguém poderá impedi-la de ir embora se assim desejar.
— Entendido. Vou precisar incluir cláusulas sobre herança, sucessão, confidencialidade, residência, e também sobre o reconhecimento público do status dela como segunda esposa.
— Inclua tudo.
Falei.
— Ela precisa ser respeitada. Por mim e por todos.
Ele respirou fundo.
— E sua primeira esposa? Perrguntou, finalmente.
— Laura.
Meu maxilar se contraiu automaticamente.
— É justamente por isso que preciso de você em dobro hoje. Respondi.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: UMA VIRGEM PARA O SHEIK