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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 48

Quando chegamos ao palácio, senti o peso de cada olhar pousando sobre mim e sobre ela.

Servos, guardas, responsáveis pelos corredores, todos sustentavam uma postura rígida e respeitosa, mas seus olhos não conseguiam esconder a curiosidade.

Era impossível ignorar.

Uma concubina nova entrando com o Sheik?

Aquela notícia iria atravessar o palácio como fogo em cortina seca.

Cada passo que dava ecoava mais alto do que deveria, como se o próprio mármore me julgasse.

E quanto mais avançávamos, mais meu maxilar travava.

Eu não tinha a menor ideia de como Laura reagiria.

Sabia que seria ruim.

Sabia que seria um enfrentamento.

Mas o que veio… foi mais devastador do que eu esperava.

Assim que a vi se aproximando, soube imediatamente que tudo estava fora do meu controle.

O olhar dela não era de ciúme.

Era ódio.

Puro e transparente.

Ela analisou Júlia dos pés à cabeça, e quando voltou o olhar para mim, parecia que eu havia traído séculos de tradição familiar.

A tensão na respiração de Júlia era audível.

A dos servos, também.

Eu mantive a postura ereta, mas por dentro… algo estremecia.

E mesmo assim, as palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse contê-las.

No instante em que falei, senti o clima mudar.

O rosto de Laura desmontou.

Os olhos marejaram com uma rapidez quase dolorosa de assistir.

Mas não havia recuo possível naquele ponto.

Eu havia trazido Júlia.

Eu havia decidido isso.

Eu a queria ali.

Laura inspirou fundo e deixou claro que não queria Júlia ali.

O tom dela fez vários servos abaixarem a cabeça.

Um confronto se formou ali, colocando em questão o meu dever e o meu querer.

E então a ameaça veio, carregada de dor e veneno.

Laura ameaçou se divorciar no momento em que disse que faria de Júlia minha segunda esposa.

Eu juro que não pensei antes de falar, eu simplicidade vomitei aquelas palavras, como se tudo em mim quisesse de fato isso.

O impacto das palavras de Laura me atravessou como uma lâmina fina.

Eu conhecia o tom.

Conhecia o limite.

E Laura estava, pela primeira vez, ultrapassando ele diante de todos.

Ela deu as costas e foi embora, me deixando diante de uma plateia de servos que fingiam não respirar.

O silêncio que se seguiu foi esmagador.

A raiva brotou quente nas minhas veias.

Eu virei lentamente para Júlia, que me olhava com medo, confusão e algo que eu me recusava a decifrar.

— Por que você falou isso?

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