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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 49

Caminhei pelos corredores do palácio em passos largos, firmes, sentindo a raiva pulsar em cada veia do meu corpo. O som do meu calçado ecoava contra o mármore polido, mas ninguém ousava cruzar meu caminho.

Os servos permaneciam cabisbaixos, imóveis, como se minha presença fosse uma tempestade anunciada. Nenhum deles se atreveu a perguntar algo, e aquilo era bom. Eu não estava disposto a explicar nada.

Empurrei a porta da suíte conjugal e a fechei atrás de mim com força suficiente para fazer o som reverberar pelas paredes.

Laura andando de um lado para o outro parou imediatamente quando me viu.

Os olhos dela estavam vermelhos, inchados, denunciando o choro. Aquilo não me comoveu como deveria. Naquele momento, tudo o que eu sentia era frustração.

— Agora já chega.

Falei, a voz seca, carregada de autoridade.

— Chega desse teatro.

Ela me encarou em silêncio, o peito subindo e descendo rápido, como se estivesse se preparando para uma batalha.

Me aproximei alguns passos.

— Você tem ignorado os seus deveres como minha esposa, Laura.

Minhas palavras saíram controladas, mas duras.

— E está ultrapassando limites que não podem mais ser ignorados.

Ela franziu a testa, os lábios tremendo.

— Deveres?

Ela murmurou, com ironia contida.

— Sim.

Respondi imediatamente.

— Deveres. Aquilo que você aceitou no momento em que se tornou minha esposa perante as leis deste país.

Caminhei até a mesa lateral, apoiando as mãos sobre ela, inclinando meu corpo para frente.

— Uma esposa de um Sheik deve zelar pelo respeito, pela imagem da família, pela harmonia do lar. Deve me acompanhar em eventos, manter postura diante da sociedade, preservar nossa honra.

Levantei os olhos para ela.

— E, acima de tudo, não pode negar aquilo que é direito do marido.

Ela respirou fundo, os olhos marejando novamente.

— Agora tudo se resume a sexo.

— Estou falando do casamento como um todo.

Corrigi.

— Mas sim, isso inclui a intimidade conjugal. As leis são claras. Um homem não deve ser privado do que lhe é permitido dentro do matrimônio sem justificativa legítima.

Laura virou o rosto, apertando os braços contra o próprio corpo.

— Você tem se recusado a dividir minha cama comigo, e eu estou cansado de ficar batendo na mesma tecla.

Continuei, sentindo a irritação crescer.

— Se ausenta emocionalmente, me evita, age como se essa união fosse uma punição apenas para você.

Parei por um instante e completei:

— E enquanto isso, exige fidelidade, respeito e exclusividade, coisas que nem mesmo fazem parte da estrutura do casamento aqui.

Ela riu, mas foi um riso quebrado, dolorido.

— Você não entende, né? Eu vivo tentando explicar, mas você realmente não entende.

Finalmente ela me encarou de novo, os olhos brilhando de lágrimas.

— Nós nunca falamos sobre a minha vida antes de eu ter que casar com você.

Disse, a voz trêmula, mas firme.

— Nunca conversamos sobre quem eu era. Sobre o que eu sonhava. Sobre a quem meu coração pertencia.

Dei um passo para trás, como se aquelas palavras tivessem mais peso do que deveriam.

— Todas as vezes que eu olho para você, eu lembro da vida que eu poderia ter tido… se meus pais não tivessem me entregado a você como marido.

Fiquei em silêncio por alguns segundos antes de responder, respirando fundo.

— Eu também não queria, Laura. Falei por fim, sem elevar a voz.

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