Eu estava completamente coberta, dos pés à cabeça, como mandam as leis daquele país, mesmo não sendo daqui, mesmo sendo brasileira, mesmo tendo sido jogada nessa vida sem escolha. O corpo inteiro escondido, protegida ou aprisionada, eu não sabia ao certo.
Era irônico, do lado de fora, eu estava modesta, intocável.
Mas do lado de dentro daquele carro, isso não significava absolutamente nada.
Se tratando dele, daquele homem que parecia controlar não apenas meu destino, mas até o ar que eu respirava, eu nunca realmente estava protegida.
Aquele Sheik maldito queria o corpo que ele dizia ser dele. E não importava se estávamos em um quarto, um palácio ou dentro de um carro blindado com motoristas e seguranças escoltando.
Ele me olhava como se nada que eu vestisse fosse capaz de ocultar o que estava por baixo.
O silêncio entre nós durou alguns segundos até ele finalmente falar...
— Tire a roupa para mim. Quero ver você completamente nua.
O ar saiu do meu peito. Eu pisquei devagar, sem acreditar no que estava ouvindo.
Era insano, era abrupto, era cruel.
Tínhamos acabado de sair de uma discussão, a tensão ainda queimava entre nós e ele simplesmente jogava isso no meio do nada, como se fosse pedir para abaixar a janela.
— Eu… não vou fazer isso. Aqui não Respondi, a voz falhando.
Ele não piscou, não hesitou, não suavizou.
— Não estou fazendo um pedido, Júlia.
Disse baixo, firme.
— Eu paguei por você. E isso não está em negociação.
Meu estômago afundou.
Eu já tinha perdido as contas de quantas vezes tentei discutir com ele e perdi todas.
A sensação de impotência queimava mais do que o medo.
Mais do que a vergonha.
Mais do que tudo.
Minhas mãos tremiam quando levei os dedos ao tecido do abaya.
Eu respirei fundo.
E comecei a me despir.
Primeiro soltei o hijab, sentindo o ar tocar minha nuca. Meus cabelos caíram desordenados sobre meus ombros, uma bagunça de fios escuros que contrastava com a sobriedade daquele carro luxuoso.
Depois, abri os botões do abaya, um por um, sentindo meu peito acelerado a cada centímetro de pele exposta.
O tecido escorregou pelos meus ombros, caindo sobre o banco como um manto pesado.
Fiquei só de lingerie por alguns instantes, tentando criar coragem, tentando manter alguma dignidade, alguma distância emocional entre mim e aquele homem.
Mas ele não queria distância.
Ele não queria dignidade.
Ele queria posse.
Engoli seco e soltei o sutiã, expondo meus seios ao ar frio e ao olhar quente dele.
Desci a calcinha devagar, a pele arrepiando, como se eu estivesse sendo tocada sem que ninguém encostasse em mim.
E então fiquei completamente nua.
Nua diante dele.
Nua dentro de um carro que parecia outro universo.
Nua, vulnerável, exposta e ainda assim sendo observada como se eu fosse um prêmio, um luxo privado, uma coisa pertencente a ele.
Ele me encarava como se estivesse me devorando com os olhos.
Um olhar tão intenso que fez meus dedos se fecharem sobre as pernas, como se isso pudesse me proteger.
— Abra as pernas.

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