JÚLIA
*
Não adiantou confrontá-lo. Eu já tinha entendido que, quanto mais eu tentasse, mais ele faria questão de me mostrar o quão pequena eu era diante do poder dele. Era como bater contra uma muralha: eu só me machucava, e ele nem se abalava.
No fim, não tive outra escolha a não ser obedecer. Me vesti como ele mandou, respirei fundo, peguei minhas coisas e fui atrás dele. Saímos da suíte em silêncio. Eu caminhei alguns passos atrás, como se estivesse sendo arrastada pelo próprio destino. Entramos no corredor, depois no elevador.
O silêncio era quase mortal. Eu sentia minha respiração presa no peito, a tensão se acumulando nos meus ombros, o medo pulsando nas minhas veias, e ainda assim havia também raiva. Uma raiva quente, fervente, que queimava junto com a humilhação de ser tratada como algo pertencente a ele.
Quando o elevador abriu, caminhamos pelo salão. A recepcionista levantou os olhos, e o olhar dela me atravessou como uma faca: pena.
Era como se ela soubesse exatamente o que estava acontecendo e não pudesse fazer absolutamente nada.
Foi ali que finalmente percebi.
Parei de andar.
O Sheik, alguns passos à frente, virou para mim.
— Por que parou?
Olhei ao redor. O vazio era gritante.
— Onde… onde estão os hóspedes? Sussurrei.
— Porque desde que cheguei aqui, não vi ninguém. Nenhuma família, nenhum turista… nada?
O maxilar dele ficou rígido. Eu senti o ar ao redor mudar, como se tivesse tocado em algo que ele não queria que fosse percebido.
Ele veio até mim, segurou meu braço com firmeza e me puxou.
— Não tenho tempo para as suas perguntas. Vamos.
Arranquei meu braço da mão dele no impulso, assustada, indignada, talvez louca por acreditar, mesmo por um segundo, que eu tinha o direito de fazer isso.
A recepcionista e o segurança nos observaram de longe, os olhos arregalados, como se estivessem assistindo meu funeral anunciado.
O Sheik deu um passo em minha direção, e eu senti a ameaça queimando no ar.
— Você sabe o que acontece com alguém que desrespeita um Sheik aqui em Dubai?
A voz dele desceu baixa, perigosa.
— O quê… o quê pode acontecer? Minha garganta secou.
Ele não piscou.
— Em Dubai, desacatar um membro da família real pode ser considerado crime.
Ele falava com uma calma que dava mais medo do que gritos.
— Você pode ser detida imediatamente, julgada em poucas horas e cumprir pena.
Ele inclinou o rosto ainda mais próximo.
— E ninguém, absolutamente ninguém, vai contestar.
Senti minhas pernas tremerem.
O segurança atrás dele acrescentou num tom duro, como se quisesse me salvar da minha própria ousadia...

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