Assim que finalizei a troca de mensagens com a Carolina e enviei aquele último sorriso de vitória ao destino, respirei fundo.
A guerra estava ganha.
Agora começava outra, aquela que poderia explodir dentro do meu próprio palácio.
Peguei o celular novamente e disquei para Nádia. Ela atendeu na segunda chamada.
— Bom dia, Senhor.
— Bom dia, Nádia.
Passei a mão pelo rosto, ainda sentindo o peso da noite mal dormida.
— Como está a Júlia? Já deu uma passada na suíte dela?
— Sim, senhor…
A voz dela tinha um tom contido, como se escolhesse as palavras com cuidado.
— Fui lá ontem. Ela continua aflita pela mãe. Entrou em desespero por não conseguir ligar para o Brasil… chegou a me mandar mensagens. Desde que estive lá, me mantive em silêncio.
Eu fechei os olhos por um instante. Júlia aflita não me surpreendia, me incomodava.
Eu não gostava da sensação de perdê-la emocionalmente para outra dor que não fosse eu mesmo.
— Pois bem, Nádia.
Minha voz saiu firme, inabalável.
— Hoje, eu e Carolina entramos em um acordo. Júlia ficará sob o meu domínio por um ano. Será… algo como uma concubina temporária.
Eu fiz uma pausa, permitindo que o peso das palavras se sustentasse.
— Isso, claro, se eu não conseguir mantê-la comigo pelo resto da vida.
Acrescentei, sem me importar com a ousadia da própria frase.
Do outro lado da linha, ouvi a respiração de Nádia falhar suavemente. Ela era treinada para não reagir, mas até ela sabia que aquilo extrapolava o comum.
— Quero que você vá até ela e solte essa informação.
Ordenei.
— Mas sem deixar transparecer que foi dito por mim.
— Entendi, senhor. Eu sei exatamente o que falar.
Eu confiava nela. Sempre confiei.
— Vou tirar a manhã para organizar tudo para a chegada dela.
Houve uma hesitação antes de Nádia falar de novo...
— Desculpe a intromissão, mas a sua esposa já sabe?
Suspirei, esfregando a têmpora.
— Não. Mas eu vou resolver isso agora mesmo. E em seguida vou buscá-la. Não diga a ela que vou.
— Entendido, senhor.
Encerrei a ligação e fiquei por alguns segundos olhando para a tela apagada, como se ela pudesse me dar respostas que eu não tinha.
Eu não estava fugindo.
Eu não estava hesitando.
Eu só sabia que aquela conversa com Laura seria mais uma tempestade. E talvez a pior de todas.
Mas o que fosse, eu enfrentaria.
Nada mais importava se o resultado fosse Júlia dentro do meu palácio, sob o meu domínio, sob o meu olhar, sob a minha vontade.
Me levantei e fui até o banheiro.
Tomei um banho demorado, deixei a água quente cair nos ombros, senti a tensão descer pouco a pouco pelos braços.
Fiz a barba, penteei o cabelo, vesti minha roupa tradicional impecável. O reflexo no espelho mostrava um homem cansado… mas determinado.
Ajeitei o lenço no bolso e saí para procurar Laura.
Eu precisava falar com ela antes que algo chegasse aos ouvidos dela por outros meios.
Mas quando cheguei à ala onde ela costumava se arrumar, uma das servas pessoais dela, uma jovem tímida, sempre curvada demais, se aproximou com cautela.
— Senhor…
Ela baixou a cabeça.
— Sua esposa não está.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: UMA VIRGEM PARA O SHEIK