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UMA VIRGEM PARA O SHEIK romance Capítulo 39

A noite parecia interminável.

Decidi dormir no quarto principal. Laura já estava deitada. De costas para mim. Silenciosa.

Pelo menos, era o que eu imaginava.

Tomei meu banho, vesti uma roupa leve e apaguei as luzes, pronto para tentar descansar.

Mas assim que deitei, ela se virou lentamente na cama. Os olhos dela estavam frios, fixos em mim. Não mais vermelhos. Não mais inchados. Apenas vazios.

— Você vai trazer outra concubina para cá?

A pergunta me atravessou como uma lâmina curta.

Eu a encarei por alguns segundos, tentando entender de onde aquilo tinha vindo.

— Alguém falou alguma coisa para você?

Perguntei, com a voz baixa.

— O que deveriam falar?

Ela rebateu, sem desviar o olhar.

— O que levou você a perguntar isso?

Ela inspirou fundo, como se tentasse controlar a própria dor, mas a frieza permaneceu.

— Então você vai realmente trazer outra concubina para cá?

— E se eu trouxer, Laura? Qual o problema nisso?

Respondi, cansado, sem paciência para rodeios.

Ela soltou uma risada curta, amarga, a risada de alguém quebrado.

— Você tem um harém cheio de prostitutas. Dorme com elas na hora que quer. E depois exige que eu seja uma esposa para você. E quando eu demonstro estar magoada, ferida, em vez de resolver… você decide trazer outra?

— Você que começou tudo isso! Apontei o dedo sem perceber que fazia isso.

— Foi você, Laura…

Suspirei profundamente, sentindo meu próprio limite se aproximar.

— E eu não vou entrar nessa conversa outra vez. E você, melhor do que ninguém, sabe que um sheik pode ter até quatro esposas. Então me agradeça por eu trazer concubinas e não outra esposa que faça melhor esse papel do que você.

Ela quebrou.

Simples assim.

As lágrimas desceram com tanta força que o corpo dela tremia. Ela chorava como se algo estivesse sendo arrancado de dentro dela. Soluçava sem controle.

E eu… me senti sufocado.

Uma culpa pesada se instalou no meu peito. Pesada o suficiente para dificultar até minha respiração.

Mas eu precisava ser racional.

Laura conhecia as leis. Conhecia as tradições.

Ela sabia que uma esposa não podia se recusar a servir seu marido, especialmente dentro do casamento real.

A esposa que se nega repetidamente ao dever conjugal pode ser considerada desobediente, pode perder direitos e até o respeito dentro das famílias tradicionais.

Ela sabia disso quando decidiu se afastar de mim.

Sabia quando passou meses me negando.

E sabia quando escolheu me tratar como um estranho dentro do meu próprio palácio.

Mesmo assim… vê-la quebrada daquele jeito me atingiu onde eu não queria ser atingido.

— Eu achei que poderia passar esta noite aqui,

Falei, me levantando.

— Mas vejo que isso é impossível.

Ela não respondeu.

Só continuou chorando, os ombros tremendo de forma quase infantil.

Por um momento, pensei em colocar a mão no ombro dela. Acariciar seus cabelos. Tentar confortá-la, como fiz tantas vezes no passado.

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